Em criança, quando me perguntavam o que ia ser quando fosse grande respondia: "vou casar com um polícia, para nunca ser presa". Ingenuidade infantil, porque se soubesse o que sei hoje diria que ia ser banqueira. Mas pronto, a ideia da cadeia - estar num sítio sem se poder sair quando bem se entende - e até uma certa claustrofobia em ambientes fechados, com muita gente, sempre estiveram presentes na minha maneira de ser. E, claro, a perceção de que se não cometesse actos ilegais ou criminosos a probabilidade de ser condenada a uma pena de prisão era reduzida e cedo se instalou o meu espírito.
Como a vida dá muitas voltas, hoje e (previsivelmente) durante cerca de um mês vou permanecer num quarto de hospital, para fazer um auto-transplante de medula. E já não é tão mau quanto pensava inicialmente, porque o facto de ser dadora de mim própria faz com que possa receber visitas (devidamente equipadas com máscaras e batas próprias), quando não os visitantes só veem os pacientes através da janela do quarto. Enfim, o isolamento não é total, mas não deixa de ser uma reclusão "forçada", que é como quem diz, por força das circunstâncias.
Vim com a "casa às costas", munida de livros, portátil, revistas de passatempos e, para o efeito, até comprei um pequeno iPod, para ouvir música. No quarto existe também uma televisão (com uma série de canais) e uma bicicleta pedaleira - haja vontade de pedalar, cóf, cóf, cóf (maldita tosse!).
Tudo isto para dizer que as minhas postagens nas próximas semanas poderão ser um pouco irregulares: alguns destes tratamentos deitam-nos muito abaixo, outros nunca fiz, não sei como serão. No entanto, sempre que me sentir com (mais) genica, venho aqui postar qualquer coisinha e/ou dar uma volta pelos vossos cantinhos - tempo é coisa que não me há de faltar, se tudo correr bem.
Para todos segue aquele abraço, desta vez na voz de Miguel Gameiro:
Ah, last but not least, já resolvi aquele meu problema de não conseguir ouvir música nos blogues. Nem vou dizer o que era, para não me chamarem de barata tonta...




