É mesmo um 4 em 1: são quatro livros num só volume. Claro que as histórias são relativamente curtas, com cento e tal páginas cada uma. A que me chamou mais atenção foi a de Ken Follett, uma vez que aprecio bastante o ritmo acelerado e inesperado que ele confere aos seus enredos: li de rajada! Mas como nunca tinha ouvido falar deste título, fui investigar na wikipédia e acabei por descobrir que as Selecções do Reader's Digest resolveram inovar nesse capítulo - "Whiteout", escrito em 2004 e que obteve a tradução de "A Ameaça" noutras editoras, aqui virou "Perigo Biológico".
Uma empresa de produtos farmacêuticos é assaltada durante a noite de Natal, mas o intuito dos assaltantes não é roubar fórmulas ou medicamentos inovadores, mas o próprio virus que se pretende combater. Para quê? Para com ele infetar a população londrina (e o mundo ocidental, de um modo geral), por obra de um grupo terrorista organizado, com o conluio do próprio filho do dono da empresa, que se encontra crivado de dívidas. Quem não está pelos ajustes é Toni Gallo, a responsável pela segurança das instalações...
Contudo, foi "O Pianista" de Wladyslaw Szpilman que mais me interessou: nunca vi o filme e sendo um relato real do que se passou com o autor - um pianista e judeu polaco a viver em Varsóvia, durante todo o período da II Guerra Mundial - tem todos aqueles contornos da maldade humana, que ainda hoje nos parecem impossíveis de conceber. E também da solidariedade no seu limite máximo - quando ajudar o próximo podia significar perder a vida e condenar à morte a própria família. Muito bom, ainda mais tendo em conta que o autor era pianista, não escritor.
Citação:
"Os jovens recrutas das forças policiais judaicas eram, na sua maior parte, provenientes dos meios mais abastados, e vários parentes nossos faziam parte delas. O choque ainda foi maior quando vimos aqueles homens a quem costumávamos apertar a mão comportar-se de maneira desprezível. Dir-se-ia que a mentalidade gestapista se tornara neles uma segunda natureza. Bastava envergarem o uniforme e pegarem na matraca de borracha para mudarem por completo."
Também li os outros dois romances, mas ambos são demasiado cor-de-rosa para o meu gosto. Ainda me ri com o último, que depois de um começo radicalmente infeliz - um homem solitário condenado a morrer breve e precocemente de efisema pulmonar (por fumar e beber muito, tá claro!) - tem um desfecho tão feliz... que parece outro livro! Mas enfim, em seu abono, são ambos levezinhos e leem-se rapidamente...