Já se adivinhava que o filme era fraquito - a IMDb atribui-lhe a classificação de 5.6/10 - e não tinha grande credibilidade histórica: os filhos da princesa contestaram vivamente a veracidade do argumento. Mas, caramba, com a falta de títulos interessantes a estrear nas salas de cinema, porque não arriscar? E só para ver aqueles vestidos fabulosos que tinham metros e metros de tecidos, sedas e tules, para além das coroas, tiaras, pérolas e restantes jóias que compunham o ramalhete a toilette da elegante princesa, pronto, já vale a pena dar o gosto à voyeurista que há dentro de cada mulher... nestas coisas. Afinal os vestidos glamorosos nem foram assim tantos, mas não faltaram os trajes de passeio, os fatos saia casaco, os chapéus e todos os acessórios daquele início dos anos 60. E uma Nicole Kidman a parecer-se muitíssimo com Grace Kelly, graças à maquilhagem, penteados e vestuário, segundo própria.
A história? Pois, decorre entre o final de 1961 e outubro de 1962, altura em que Grace já era casada com Rainier III do Mónaco e era mãe de dois filhos (Stéphanie só nasceria mais tarde), e pondera regressar a Hollywood a convite de Hitchcock, para protagonizar "Marnie". Entretanto, o general de Gaulle pressionava o príncipe para acabar com o paraíso fiscal no principado e a pagar uma compensação à França pela fuga de muitas empresas e milionários para lá. Daí Grace ter abdicado de voltar ao cinema, pois a sua ida poderia ser considerada uma fuga e com isso prejudicar o principado, deixando Rainier mal visto. Isto, claro, segundo o argumento ficcional e inexato do filme realizado por Olivier Dahan. Pelo meio ainda umas traiçõezitas que não vou revelar, para não tirar o interesse a quem pense ir ver. Para já, podem ver o trailer:
A Tim Roth não há maquilhagem que o safe e o torne parecido a Rainier... E se a história tem ou não um fundo de verdade é irrelevante, pois o general francês nunca invadiu o principado. E os eventuais traidores, enfim, já todos (ou quase) morreram, mas mesmo que não fosse o caso, who cares, depois de mais de meio século? Politicamente, temos muito mais com que nos preocupar agora...



