terça-feira, 31 de dezembro de 2013

2014 À VISTA!

2014 é só um número, os chineses preferem associar os anos a um animal: este que vai entrar é o do Cavalo e começa a 31 de janeiro. Dizem os entendidos nestas chinesices que o signo está relacionado com mudança, portanto não percamos a esperança de ver um certo coelho a milhas...

Crendices e politiquices à parte, janeiro vai ser um mês importante para os amantes de cinema: não só estreiam uma série de novos (e aparentemente interessantes) filmes, como serão entregues os Globos de Ouro dia 12 e conhecidos os nomeados aos Oscar a 16. Contudo, a cerimónia de entrega do maior galardão da indústria cinematográfica só terá lugar dia 2 de março.

Devido a ter perdido tudo quanto é estreia nos últimos 3 meses, este ano não farei o habitual balanço dos filmes que mais gostei - depois dos Globo de Ouro e dos Oscar pode ser que tenha oportunidade de ver os que falharam e mais me seduziram nos trailers.

Quanto a literatura, o balanço dos 28 livros lidos este ano será feito, mas só após escrever sobre o último livro lido, que não houve tempo para postagem (sim, o PC continua de amoques, mas não foi esse o único motivo - fins de semana que intercalam feriados baralham um bocado os timings), mas será feita em breve. 

Porém, antes de todos esses escritos e conversas, e porque já está quase na hora, desejo a todos... 

UM 2014 PLENO DE FELICIDADE!

domingo, 29 de dezembro de 2013

CINEMA EM CASA

Adoro cinema, mas já não vou há mais de 3 meses: quando posso, já os filmes que me interessam saíram de cartaz e de um modo geral as estreias não me têm seduzido por aí além. E até gosto de desenhos animados! Portanto, nos últimos tempos tenho visto muito cinema em casa, via TV. Se as estreias nas salas lisboetas já não são muito sedutoras, as televisivas então nem vos conto - repetitivas (alguém tem saco para ver "Mùsica no Coração" ou "Sozinho em Casa" no dia de Natal pela milionésima vez?), de pancadaria em barda, de ficção científica, comédias completamente esparvoeiradas ou filmes com barbas.

Bom, mas com o PC semi-avariado - de princípio só estava lento (mesmo com mais memória vinda dos States, a lentidão continua), agora o YouTube só soluça e os programas só abrem quando lhes dá na veneta - e entre livros, quase só resta a TV como entretenimento.

Entre tantos filmes que tenho visto, ou mais ou menos, que por vezes o João Pestana prega-me a partida, escapam-me muitos dos seus títulos. Sei que vi "Os Cinco", "A Maldição da Pantera", "Sob o Sol da Toscânia" mas acaba por aí. À excepção deste "Através da Noite", escrito e realizado por Woody Allen, que "apanhei" uma noite lá para a uma da madrugada. Sem ser propriamente uma das suas obras-primas, gostei bastante. 

O filme é de 1999 e conta a história de um obscuro guitarrista de jazz na América dos anos 30 - Emmeth Ray. Dizem os entendidos (da net) que o homem realmente existiu e tinha imenso talento, mas a sua pouca fiabilidade em manter compromissos contratuais determinou que nunca obtivesse grande sucesso. Protagonizado por Sean Penn, Ray chega sistematicamente atrasado, bêbado ou nem sequer aparece nos palcos onde deve atuar, de modo que é invariavelmente despedido. Perdulário e vaidoso, gasta o que tem e não tem, principalmente no jogo. Sem igualmente querer compromissos com mulheres, mantém uma relação com Hattie (Samantha Morton), uma lavadeira muda, que um dia abandona, para mais tarde casar com Blanche (Uma Thurman), uma mulher da alta sociedade que está a recolher dados sobre as personagens do bas-fond noturno, para as incluir num livro que está a escrever. Mas também é Sol de pouca dura...

Woody Allen é um dos narradores, que nem sempre concordam entre si com o desenrolar dos acontecimentos. Pontuado com 7,3/10 na IMDb, foi dos poucos que valeu a pena!

Imagem da net.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

JARDIN D'HIVER

O tempo passa depressa: ainda há poucos dias o Inverno começou, o Natal já passou, caminhamos a passos rápidos para a passagem de ano. Está na hora de balanços anuais e de listar as boas intenções para 2014. Se se cumprem ou não, já é outra conversa...

Para fazer uma pausa neste ritmo acelerado em que vivemos, nada melhor que música. Desta vez a escolha recaiu na serena melodia "Jardin d'Hiver", na voz de Stacey Kent:

  

O tempo passa depressa. Demais. Mas... c'est la vie!

Imagem da net.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL 2013

Contava vir postar mais qualquer coisinha, mas os dias passaram a correr... e nada! OK, também foi preguiça, mas a blogosfera "às moscas" não incentiva. E será assim até ao final do ano, pois há bastante gente de férias. Como não é o meu caso, espero ainda passar por aqui, mas é melhor nem dizer nada...

Para já, resta-me desejar a todos um FELIZ NATAL 2013! Com tudo a que têm direito, pois está claro!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

NATAL: PASSADO E PRESENTE

Faltam poucos dias para o Natal e este ano ainda não escrevi sobre árvores, presépios, prendas, embrulhos, luzes natalícias na cidade, etc. e tal. Por acaso já fui ver estas, mas o fim de tarde foi mal escolhido: ao sábado não dá, especialmente no dia em que é inaugurado o espetáculo de luz no Terreiro do Paço (esse não vi, nem me parece que vá ver), de modo que foram duas horas presos no trânsito intenso. Gostei especialmente da decoração da rua Augusta, da árvore no Rossio e do colorido mutante dos "chupa-chupas" da avenida da Liberdade - OK, não é assim muito natalício, mas pelo menos é cheio de cor!

Bom, mas a razão porque não falei de nada disso, é que este ano a tarefa foi facilitada: o maridão fez a árvore e o presépio, e também tem feito as compras quase todas. Ele e a mana, conforme o presenteado. Assim, a minha "árdua" missão cinge-se a embrulhar umas poucas lembranças que não venham feitas das lojas, etiquetar todas (ainda faltam uns chocolates para a "miuçalha") e a acender diariamente as velas espalhadas pela casa... 

Enfim, como sempre adoro o Natal, mesmo que como mr. Scrooge vislumbre sempre o fantasma dos natais passados - essa melancolia também faz parte da época, se bem que sobressaiam as recordações de bons momentos. Mas há lá presente melhor do que passar a consoada rodeados daqueles que amamos? Pois é, é aproveitar bem o presente, com a alegria, a harmonia e a paz possível, que contrariedades e tristezas já temos q.b. o resto do ano.

Ah, e não, não me estou a despedir até ao Natal, que esse é só daqui a 7/8 dias, e com tamanha "trabalheira" ainda conto vir aqui postar mais qualquer coisinha até lá... 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

GRITOS DO PASSADO

Quando um rapazinho vai brincar numa manhã de verão e encontra um cadáver numa gruta conhecida como a Fenda do Rei, a polícia de Fjallbacka é chamada a intervir e o inspetor Patrick Hedstrom fica encarregue do caso. Caso esse que se complica, ao encontrarem no mesmo local dois esqueletos de duas raparigas desaparecidas há mais de 20 anos.

Todas as pistas parecem apontar para a família Hull - os descendentes de Ephraim, um antigo pregador/curandeiro - que estão de costas voltadas há duas décadas, desde o desaparecimento das raparigas, pois um irmão acusou o outro de ter dado boleia a uma delas, o que este sempre negou. Mas será que havia alguma verdade nessa acusação ou era apenas o ciúme do irmão a falar mais alto?

Não sendo exatamente uma saga, tenho lido os livros de Camilla Lackberg como se de uma se tratasse. Não só porque gosto da escritora e dos seus enredos policiais, aqui e ali a rondarem o terror, como porque entretanto me ofereceram os livros. Com tempo para ler e os policiais mesmo à mão de semear, não há maneira de resistir...

Tal como os anteriores, a leitura das 427 páginas foi absolutamente viciante!

Citação:
"Martin esforçou-se bastante para não sorver a sopa, mas não conseguiu evitá-lo. Esperava que ela tivesse lido Emil in Lonneberga, de Astrid Lindgren: «Têm de a sorver, caso contrário não saberão que é sopa...»" 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

HOME, AGAIN!

Tive alta, depois de mais 8 dias de internamento hospitalar. Isto após tratamento com doses maciças de antibióticos, claro está. Mas é sempre uma felicidade voltar para casa. Recuperada ainda mais...

Madiba, um dos três grandes homens do século XX que mudaram o curso da História, morreu e não tive ocasião de lhe prestar aqui a minha modesta homenagem. Aliás, só soube quase 24 horas depois. Resta-me portanto desejar que descanse em paz.

Entretanto, para tentar atualizar-me com as novidades da blogosfera, já dei uma espreitadinha em alguns blogues amigos, embora ainda não tenha deixado comentários - amanhã, que é como quem diz mais logo, também é dia! 

FIQUEM BEM! 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

"MANIFESTAÇÃO" CANINA...

O jardim do Campo Grande esteve parcialmente vedado durante vários meses, para obras de requalificação. Assim, quando recentemente reparei que já estava aberto ao público, não resisti a espreitar. 

Começando pelo que me pareceu menos bom, o antigo centro comercial Caleidoscópio continua vedado, bem como o relvado circundante: suponho que não será fácil encontrar solução para um espaço tão característico dos anos 70, sem as grandes superfícies hoje em voga, mas que dá dó ver o edifício degradar-se de ano para ano, lá isso...

Também por abrir, a bela esplanada sobre o lago...

De longe pareciam umas instalações sanitárias, mas temo que seja mais um mono... quer dizer... "monumento"!

Boa nova é que os barquinhos já voltaram a navegar e, apesar do frio que se fazia sentir, intrépidos navegantes não deixaram de dar o ar de sua graça!

Courts de ténis, espaços relvados e/ou betonados para propiciar a prática de vários desportos, mesas para animados piqueniques ou jogos de sueca e os proverbiais banquinhos para descansar do passeio fazem parte dos novos equipamentos do jardim.

Mas a novidade que me pareceu estar a fazer um enorme sucesso, é a que veem na foto: um parque de diversões para cães! Em que a única dúvida que me restou foi quem demonstrava mais animação: os bichos ou os donos?

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O TÍMIDO E AS MULHERES

Pelo tempo que levei a ler este romance de Pepetela, com apenas 301 páginas, poder-se-ia pensar que considerei o livro desinteressante: antes pelo contrário, achei um dos melhores do autor. Às vezes o problema não está no livro, mas no leitor... Aliás, suponho que se não tivesse o interesse que tem, tinha sido recambiado para a prateleira!

Um dos motivos porque a história nos prende até ao final é ela passar-se em Angola nos dias de hoje. Aí, ainda que de passagem, vamos verificando  a vivência de uma sociedade onde coabitam os maiores contrastes, aqui e ali sublinhados com o humor de Pepetela

"Heitor é nome de herói. Os nomes são importantes. Os heróis às vezes também." Assim começa o livro, que nos fala de um homem tímido e dos seus desaires amorosos, que por sinal se chama Heitor, mas sem nenhuma particularidade heróica. Quando julga ter encontrado a mulher da sua vida, ela troca-o por outro namorado, e ele larga tudo para se enfiar num casebre no meio do mato, cheio de auto-comiseração. E escreve uma novela de amor. Apesar de nem ter telefone, um dia um velho amigo aparece e promete ler o livro. Lucas gosta e passa-o a Antunes, amigo de ambos, que por sua vez gaba a novela a Marisa, a radialista mais na berra do momento. E ela também o quer ler, para isso o autor exige que ela o visite. Ela fica encantada com livro e autor, mas Heitor também não fica imune à beleza estonteante dela. Problema é que ela é mulher casada e fiel ao seu marido deficiente... Aos poucos Heitor vai saindo da redoma onde se encafuou, visitando os pais e amigos, arranja um cão, carro, telefone e até amigos na vizinhança: dona Luzitu, feirante (zungueira), e suas filhas com nomes de flores - Rosa, casada com Anselmo, e Orquídea, uma bela jovem estudante de História. Só Narciso, o filho caçula de dona Luzitu não parece simpatizar com o "herói"...

A escrita de Pepetela é saborosa, bem-humorada e aparentemente humilde: dá ideia que escrever assim até é fácil. Duvidem das aparências!

CITAÇÕES:

"Domingo é dia de missa para os fiéis e de acordar tarde e ir à praia para o resto dos mortais."

"Outro preconceito existente é o de ser possível  esconder o mal de amor. Tentativa inútil, ele parece estar escrito na nossa cara, nos olhos de cão abandonado, no verdor incrustado na pele, independentemente da cor original, por mais escura que seja. Nunca viram um negro verde? Então nunca viram um negro sofrendo do mal de amor."

"Acontecia  ele seguir um jogo de futebol, enquanto ela passava pelas brasas. Sem ser preciso pedir, Lucrécio baixava o som para não lhe incomodar a sesta. De qualquer modo, dizia ele, os comentários idiotas dos tipos da televisão eram perfeitamente dispensáveis, bastava ver o jogo."

"É sempre a ideia que se tem daquele país, lhe tinha contestado uma vez Lucas, gente simpática e boa comida. Um lugar comum, claro, mas eu tenho pena que agora estejam na maior merda, acrescentou Heitor, obrigados a emigrar para cá e outros sítios.  Triste país em que o seu símbolo maior, o poeta Camões, foi enterrado numa vala comum para pobres e sem-abrigo!"

(Obrigada, Paulinha e Fausto!)