domingo, 11 de agosto de 2013

TERESINHA

Maria Bethânia é e sempre foi uma das minhas cantoras brasileiras preferidas. Lembro-me de uma das poucas "discussões" que tive com o meu avô ser sobre ela: segundo ele, a artista era tão feia, que devia ser proibida de cantar. Por essa ocasião ele já era velhote e viúvo, estava mais amargo do que sempre o conheci. Bem o tentei convencer do disparate que estava a dizer, que a beleza não tem nada a ver com a voz e, apesar de tudo, nem considerava Bethânia esse expoente de fealdade que ele dizia. Teimoso, continuava a insistir e a "discussão" parou por ali. Só muitos anos depois percebi que tentar mudar a mentalidade de homens de uma determinada época (ele nasceu em 1905), não faz o menor sentido - cresceu numa família burguesa, com convicções religiosas, políticas e sociais muito marcadas, a que uma (grande) dose de machismo não era alheia. Nada do que eu dissesse iria mudar a sua opinião... 

Simultaneamente, esta música faz-me lembrar umas férias de verão num parque de campismo de Lagos, quando andava na faculdade. Creio que em 1982. O grupo era grande, quase todos aos pares, fui com uma amiga. O meu último namorado descartara-me umas semanas antes ou coisa, mas ela ainda estava pior: a recuperar de uma depressão, após um casamento "relâmpago" de 3 meses seguido de divórcio. E se bem que acompanhássemos normalmente o grupo, algumas vezes percorríamos a pé o caminho da praia ao parque. E ela cantava várias músicas da Bethânia no percurso, entre elas esta "Teresinha" (só soube mais tarde como se intitulava), que me parecia muito próxima dos meus últimos desaires amorosos (sendo que o "não" nem sempre foi meu) - longe que estava do "príncipe encantado" do liceu e de conhecer aquele que "só me chamasse de mulher"!


De alguma forma, a amizade com essa minha amiga dura até hoje, se bem que atualmente não sejamos muito próximas. Mas a lealdade e o apoio em momentos menos bons nunca falhou, aconteceu que os rumos foram diferentes. Cada uma de nós encontrou o compagnon de route que nos faltava, mas certo é que longe também vão os tempos dos contos de fadas da nossa infância, que invariavelmente terminavam com a frase "casaram e foram felizes para sempre"...

post-scriptum - não sei se dá como contributo para o desafio lançado pelo Carlos no blogue "crónicas on the rocks", sobre canções de amor, mas esta seria a minha escolha!

Imagem da net.

sábado, 10 de agosto de 2013

TECNOCRATAS EUROPEUS...

... ou serão políticos tugas?

Imagem do facebook.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

LAGOA DOS SALGADOS (2)

No ano passado visitámos a Lagoa dos Salgados, mas não se pode dizer que fôssemos minimamente preparados para a curta caminhada, debaixo de um Sol abrasador: não levámos chapéus, nem garrafas de água, a meio do caminho sentimo-nos como a fazer a travessia de um deserto. Aliado ao facto do zoom da máquina não dar para mais, pode-se dizer que o passeio se traduziu num fiasco.

Como tenho aquela ideia que vamos aprendendo com os erros que cometemos, este ano lá voltámos, supostamente com as devidas condições. Devia ter adivinhado que o passeio ia ser ainda mais curto, que já tinha sentido na pele o efeito da praga de mosquitos que se faz sentir na zona. Junto à lagoa, ainda mais! Ou seja, mal atravessámos a ponte e aventurámos os primeiros passos no passadiço, já o ataque da bicharada se fazia sentir. À grande! Portanto, foi meia volta volver...

Os escassos 15 minutos de passeio não deram azo a fotografar tudo o que pretendia, mesmo assim consegui captar várias aves diferentes que por ali nidificam, que suponho serem as seguintes (com a ajuda da net):

Galeirão comum

Garça branca pequena

Ambos a circular no mesmo espaço

Garça real

Caimão

Em suma, apesar do desapontamento e das múltiplas picadas, as fotos nem ficaram más de todo...

Agora não me venham com tretas: insetos há sempre, mas este ano a praga destes mosquitos brabos (na zona de Armação de Pêra, Salgados e Albufeira) determinou que fôssemos todos "mordidos" da cabeça aos pés, mesmo sem passarmos próximo da lagoa dos Salgados ou da ribeira de Alcantarilha; a questão é saber se estas águas paradas, tão importante segundo os ecologistas para conservar o habitat natural e a nidificação da passarada, não acarreta um problema bem mais grave para a saúde pública. E, consequentemente, para o turismo da região!

Com ou sem férias por aquelas bandas (não digam que não avisei para se protegerem com repelentes e afins, se bem que não funcionem inteiramente!), aproveitem e gozem um BOM FIM DE SEMANA! 

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

KAFKA À BEIRA-MAR


Este foi o livro que li nas férias, se bem que seja um pouco pesado para trazer na sacola de praia. Mesmo assim, não me arrependi. Embora seja apenas o sétimo título de Murakami que leio nos últimos quatro anos e tal, o "sabor" é sempre semelhante a um daqueles bombons Quality Street: desembrulha-se a capa de slofan colorido, a prata, trinca-se o chocolate, escorre um caramelo delicioso e ainda encontramos uma avelã no interior...

Difícil é dar uma ideia do enredo, onde mais uma vez se cruzam vidas paralelas do passado e do presente, por vezes no mesmo espaço, apontamentos musicais, breves passagens de literatura ou da mitologia grega, num mundo muito próprio, entre a fantasia, o sonho e a realidade. Para lá dos segredos e mistérios que envolvem personagens tão diferentes como Kafka Tamura, um rapaz de 15 anos que foge de casa, ou Nakata, um velhote que ficou tonto na infância após um "acidente", mas que é capaz de falar com gatos, para além de um escultor maquiavélico que tem a imagem do Johny Walker das garrafas de whisky, um chulo que se parece com o Coronel Sanders (fundador da Kentucky Fried Chickens), um simpático bibliotecário andrógino, um jovem camionista que guarda boas recordações do avô ou uma mulher de meia idade que perdeu o seu grande amor aos vinte anos. Em comum, parecem ter apenas uma enorme solidão, em que não falta uma espécie de "grilo falante" na forma de corvo, que também funciona como a voz da consciência do jovem rapaz. 

São 589 páginas onde constam algumas das questões que sempre atormentaram o ser humano, torneadas por um halo de misticismo, mas simultaneamente eivadas da ironia característica do escritor nipónico. Só o talento de Murakami contar histórias nos torna reféns da leitura, na vontade de saber o seguimento, de deslindar a imperceptível relação que une os vários capítulos e de finalmente explicar todos os elos de ligação. No entanto, creio que as conclusões dos leitores podem ser muito díspares...

Repito o que escrevi sobre o primeiro livro que li do escritor, em dezembro de 2008: Pura magia!

Citações:

"Devo confessar que nunca fui de ler muito depressa. Gosto de me debruçar sobre cada frase, pelo prazer de apreciar o estilo. Quando a escrita não me diz nada, interrompo a leitura."

"Ficar sentado e quieto era, por assim dizer, a sua especialidade."

"- Porque todo aquele que se apaixona está à procura da metade que lhe falta. Daí que todo e qualquer apaixonado se sinta triste ao pensar na pessoa amada. É como regressar passado muito tempo a um quarto onde se viveu bons momentos."

"Sentou-se ao lado da pedra e começou a afagá-la, ao mesmo tempo que se esforçava por encontrar assuntos que pudesse abordar com uma pedra. Era a primeira vez que se via à conversa com uma e estava com alguma dificuldade em achar tópicos apropriados."

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

SALADAS, PETISCOS E MARISCOS!

Como é óbvio não tirei fotografias a tudo o que provei ou comi em férias. Até porque a maior parte dos jantares foram em casa, com comida igual à que comemos todo o ano - não há orçamento que resista a 6/7 pessoas jantarem fora diariamente durante uma quinzena. Ou se há, não é o meu...

De qualquer das formas, ainda houve azo a uma mariscada caseira (com amêijoas à bulhão pato, gambas da costa, percebes e navalheiras, que há fregueses para todos os gostos) ou a uma petisqueira num dia em que três amigas foram ter connosco. Contudo, quase todos os registos fotográficos gastronómicos são de dias mais calmos e sobretudo em fins de tarde.

Um dos meus preferidos foi realmente aquela saladinha de mexilhão com molho vinagrete, na foto acima. Uma delícia!

A de frango também tem um aspeto saboroso, mas a de gambas reproduzi algumas vezes em casa: não fica tão bonita, nem é exatamente assim, mas também há que lhe dar um toque pessoal...

Coisa rara de comer em Lisboa são estes jaquinzinhos fritos, que encontrámos na praça de Armação de Pêra - aqui não vejo há bué! Um aperitivo que "marchou" num instante!

Outra noite, a minha sobrinha mais nova, que aos 14 anos já se interessa por culinária e tem muito jeitinho, serviu-nos esta entrada:

meloa, canónigos e salmão enrolado numa tira de pepino, polvilhado com ovas de salmão (no caso, creio que um sucedâneo, com gosto a caviar) e borrifado com vinagre balsâmico. Muito bom, se bem que a meloa deveria estar mais madura!

Enfim, mas na ronda das esplanadas também não faltaram uns caracolitos...

... nem na dos restaurantes a bela sardinha assada em cima no pão, acompanhada de salada algarvia.

Cerejinha no topo do bolo foi a descoberta deste Jardim da Cerveja, em Porches (isto de evitar a via do Infante também compensa!), com comida tradicional alemã, onde por acaso jantámos no Dia Internacional da Cerveja, nas vésperas do regresso a Lisboa. Do repasto, bem mais pesado, não há fotos, mas escolhemos umas salsichas com mostarda e salada de batata de entrada, um pernil de porco assado com salada de couve (tipo chucrute) e strudel de maçã de sobremesa. Gostei especialmente do pernil, da salada de batata e da sobremesa. E, claro, do ambiente muito agradável, mesmo que a música não fosse a típica alemã (a cargo de um brasileiro, como aliás em quase todo o Algarve onde passei). Desmoer a jantarada é que já foram outros 5 paus...

Bom apetite! 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

PELAS ESTRADAS DESTE PAÍS...

...  o lema é evitar as SCUT! Outrora sem custos para o utilizador (daí a sigla), já  há uns dois ou três anos que são pagas. Não que sejam particularmente onerosas para quem faz meia dúzia de viagens esporádicas, mas pelo sistema de pagamento em si, para quem não tem via verde. Aí a legislação já mudou desde aqui e o prazo foi alargado, mas a possibilidade de pagar via multibanco limita-se a 48 horas, sendo indiferente que calhe em dias úteis ou fins de semana.

Ou seja, à mínima distração lá vamos nós de charola para os CTT - que como todos sabem andam em remodelações muito sui generis e a funcionar com um "gás" ainda não identificado. Ainda não foi desta que revisitámos a Via do Infante sem via verde, mas em trabalho o maridão percorreu uma lá para o Norte, que obviamente tinha de pagar.

Assim, demos por nós numa estação dos CTT algarvia, cuja máquina "inteligente" nos deu uma senha a 24 de distância do número em atendimento, augurando 14 minutos de espera. 6 balcões só com 2 a funcionar - enquanto uma funcionária se entretinha a repôr os CD de Tony Carreira, Marco Paulo e Quim Barreiros nos escaparates, a par de uns livrecos infantis de grande interesse para os utentes presentes - adivinhavam uma espera mais longa...

Como faits divers, um dos funcionários ao balcão advertiu uma mulher com um vestido largo e uma ligeira barriga que ela tinha direito a tratamento prioritário. Ela declinou, mas o homem que foi chamado a seguir reiterou a mesma "delicadeza", ao que ela respondeu, numa espécie de resmungo: "Dava-me muito jeito, mas não sou prioritária!" Porque será que estas "confusões" só acontecem com homens? Nenhuma das mulheres sentadas lhe deu o lugar e não foi por desatenção!

Enfim, 46 minutos de espera, 2 de atendimento e 2,44 € depois (já com o acréscimo do "maravilhoso" serviço), lá regressámos às férias. Felizmente com bastantes desistentes pelo meio e com ainda maior vontade de preferir as outras estradas deste país... 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

SALTITANDO PELAS PRAIAS

Uma vez que este ano fiz mais piscina, os passeios pelas praias algarvias cingiram-se aos mais ou menos habituais, entre Albufeira e a Rocha, passando por Arrifes, Galé e Salgados. Eis algumas das fotos dos locais onde passámos e/ou mergulhámos:.

Diga-se de passagem que o tempo ajudou: um ou outro dia de vento e um nublado não alteraram em nada a temperatura da água, a rondar os 23, 24 e 25º. Ah, e sim, a minha mana tem um termómetro próprio para verificar...
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Mas o mistério deste rochedo está resolvido - afinal são (pelo menos) três gaivotas. Se já filhotes da mesma família ou apenas vizinhos é que não há certezas... claro! 

Agora se Albufeira ao final da tarde está assim, imaginam como está todo o dia? Bom, a Galé não lhe fica atrás, se bem que a extensão de areal seja bastante diferente.

Nem experimentei Armação de Pêra, que é aquela praia em que os banhistas costumam ir lá estender a toalha às 8 da manhã, se quiserem ter lugar umas horas mais tarde. Um suma - não é para mim!

Por isso a preferência recair sobre os Salgados (se bem que não goste dos poucos bares) ou sobre a Rocha, onde de vez em quando ainda se pode encontrar uma animação musical no passadiço que percorre a praia e junto aos bares, esses sim com excelentes condições para os veraneantes se poderem sentar na esplanada a fazer uma refeição, a petiscar e/ou a beber uma bebida fresca, enquanto leem um livrinho (ou até calhamaço)... 

Consta que alguns turistas aderiram à animação e foram dançar para o passadiço junto dos músicos: se férias não rima com alegria, devia rimar!

Por resolver ficaram ainda dois mistérios:
1 - Porque será que nunca ninguém me convidou para dar uma voltinha num "barquinho" destes?

2 - Como é que alguém tem coragem de fazer isto às próprias costas? E que raio de pensamento é este? Será que pretende ser filosófico?!?

E assim termina o capítulo praias algarvias 2013, petiscos e outros passeios ficarão para uma próxima postagem!

domingo, 4 de agosto de 2013

MÚSICAS DE SEMPRE - 3

"Vejam bem" que todos os dias são bons para recordar Zeca Afonso, mesmo que a data do seu aniversário já tenha passado. Teria comemorado 84 anos na sexta-feira, se a morte não o tivesse ceifado mais cedo.

Apesar desse pesar, não restam dúvidas que a sua voz e música ainda moram no coração e na memória de muitos de nós:


Imagem da net.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

QUATRO EFES: FÉRIAS, FESTIVAIS, FEIRAS E FOTOS!

As férias estão a chegar ao final, pelo menos para já! Mas no início do agosto algarvio não faltam festivais gastronómicos e regionais de sardinhas, mariscos e petiscos, sendo impossível ir a todos - por várias razões. Por outro lado, a Feira do Livro na zona ribeirinha de Portimão já está aberta ao público (e até dia 22 de agosto), mas desta vez resisti à tentação...

Contudo, antes do regresso a Lisboa não consigo organizar as fotografias: são bastantes, algumas parecem giras, mas num portátil alheio e sem programa adequado (Picasa ou outro) é quase uma aposta no escuro. Portanto, essas ficarão para outros dias... dentro em breve.

Até lá, tenham um MARAVILHOSO fim de semana, com ou sem férias no cardápio!

(Nota: a foto é minha, que ainda passei algumas das primeiras, mas não quis sobrecarregar com as restantes...)