quarta-feira, 10 de julho de 2013

REGRESSO À PRÉ-HISTÓRIA!

Há dias assim, que não correm tal como os programamos. As terças-feiras parecem predestinadas a isso, cá em casa. Já não bastava a caloraça - a temperatura baixou um pouco lá fora, mas aqui nem se notou - o que também se traduz em falta de inspiração e, de repente, tudo deixa de funcionar: o computador (a parte da net), a televisão e o telefone.

Vale que não faltou a eletricidade, porque para quem não tem ar condicionado, a ventoinha é essencial. E estive a ler. Tudo o resto desligado, porque uma hipótese era que os aparelhos MEO estivessem, também eles, a aquecer demais. Compras no supermercado, jantar, volta-se a ligar. E nada! Continuei a ler, enquanto o maridão lá falou com a assistência da MEO. E nem eles davam com o problema, até que a funcionária se lembrou de perguntar se estava ligado o cabo não-sei-das-quantas na "porta" tal. Não estava, estava noutra ao lado!

Resumindo: a auxiliar de ação doméstica ao passar com o aspirador no local, com a destreza que lhe é habitual (eufemismo para "à bruta"), reparou que caiu e toca de o enfiar num buraco que lá entendeu! Só lá para as onze e meia da noite regressámos ao presente, porque a sensação era a de termos voltado à pré-história...
  
Imagem da net.

terça-feira, 9 de julho de 2013

ALEGRIA...

... é indispensável! Nem que o mote seja só este...

Imagem do facebook, segundo BD "Peanuts", de Charles Schulz.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O GRANDE SALÃO

O facebook, (re)visitado numa noite muito caliente, teve mais piada do que é habitual, já que as conversas cruzadas decorreram... em palco! No Tivoli, onde estará em exibição até (quase ao) final do mês. Entrecortado por vários momentos musicais, que incluem temas como o da abertura de "Os Marretas", o  de "Cabaret" ou "A Casa da Mariquinhas", entre outros. No salão, como no facebook, cada um tem voz para falar o que lhe dá na gana, mas nem com toda essa liberdade e democracia as pessoas se entendem...

São 18 artistas em palco (quer dizer, um está fora dele, mas é criticado por ainda não ter aderido às conversas do "salão"), outro a um canto a dormitar ou a tentar silenciar os restantes e a roubar galinhas à excêntrica jogadora de farmville - no outro canto, que não faz mais nada e só desafina, para além de convidar toda a plateia a jogar com ela, "que ali sim, são produtos do melhor, todos da horta biológica"!

As personagens sucedem-se, enquanto uns debitam pensamentos filosóficos (?!?) ou opiniões sobre politiquices atuais, outros entretêm-se com banalidades e trivialidades, a contar a sua vidinha ou a elogiar os seus maravilhosos familiares e amigos. Há mascarados e disfarçados e pessoas que parecem muito reais, tentando aparentar o que não são. Uns gostam de tudo, outros não gostam de nada. Dias de grande animação e euforia, outros de tédio generalizado. Ou de zangas, histerismos ou alucinadas partilhas do mesmo acontecimento, notícia, cartoon ou foto do dia. Os que mal sabem escrever, os que tentam engatar, os sempre revoltados ou defensores de causas, os humoristas, poetas, escritores e sonhadores, os publicitários, saudosistas ou os que batem com a porta. E o pateta da praxe, que ninguém entende. No masculino ou no feminino, tanto faz. That's facebook, folks!  

A peça dirigida por Martim Pedroso já foi representada no teatro São Luís, agora está em cena no Tivoli. - que gostei de revisitar, tantos anos depois de ter encerrado como sala de cinema. Para quem puder e/ou quiser vê-la, deixo este link informativo sobre o espetáculo e respetivo elenco.

Sem grandes vedetas ou rasgos de genialidade, pessoalmente...



As duas últimas imagens são da net.

sábado, 6 de julho de 2013

RACHACUCA

Os brasileiros têm expressões giras, esta da "cuca" é uma delas, com o significado de "cabeça", "tola", "mente" ou qualquer outro do género.  Que tanto quanto me lembro ouvi pela primeira vez na telenovela "O Casarão", que havia lá uma fulana sempre muito "encucada" (protagonizada por Renata Sorrah), que por sinal me chateava à brava, sempre com crises existenciais, conjugais e não sei que mais.

Mas do que recordo melhor da telenovela (e a introdução delas deu-nos a conhecer muito boa música brasileira) é este tema que acompanhava o reencontro entre as personagens principais, cujo amor contrariado pelas famílias determinara o seu afastamento - "Fascinação", na voz de Elis Regina:


Bom, pelo meio do enredo também havia um velhote com Alzheimer ou demência (não me lembro se especificavam ao certo), doenças essas que segundo alguns  entendidos se podem precaver exercitando a mente com problemas de lógica, sudokus ou outros. Se é verdade ou mito não sei, mas como não quero que vos falte nada, é aqui que entra este site de "RachaCuca", que tem jogos desses para (quase) todos os gostos. Igualmente brasileiro - portanto há que ter em consideração algumas diferenças linguísticas - pelo menos proporciona algumas horas de boa diversão, para quem aprecia este tipo de passatempos....

DIVIRTAM-SE!

Imagem da net.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

ÁGUAS PASSADAS...

... não movem moinhos? Há ditados populares que entendo, mas que nem sempre aceito como verdade  absoluta e universal. Este é um deles, porque mal de nós que não aprendêssemos com o (nosso) passado...

E "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura"? Pois, até pode ser, mas quantos milénios dura esse processo?!? Para além de depender muito da pedra, que isto de "pedra e cal" tem dias que sim... e outros que não!

Como muito bem diz o Rui da Bica, a lógica não é uma batata! Mas desta vez nem é para decifrar a lógica da sequência fotográfica, em vários passeios domingueiros (e não só, eheheh!), com motivos e perspetivas diferentes. 

Por Lisboa, que o mar e as férias ainda me parecem muito longínquos... e a "marcação" está complicada. Mas para refrescar um bocadinho desta caloraça, há melhor do que "passear" junto de várias águas, passadas ou não?

Fontes de inspiração há por toda a cidade. Na blogosfera, também. No caso desta última foto, ela veio direta de uma foto publicada pela Afrodite que, não sendo tão talentosa em termos fotográficos, teve o condão de captar um laivo de arco-íris...

UM REFRESCANTE FIM DE SEMANA PARA TODOS!
(com ou sem férias incluídas...)

quinta-feira, 4 de julho de 2013

CINOFOBIA


Nunca tive medo de cães, não tenho qualquer fobia em relação a eles. Se desde pequena fui habituada a lidar com cães - a certa altura a minha avó tinha sete cães e um gato (e desse eu pelava-me de medo na época!) - depressa aprendi que cão que ladra também morde, num incidente a caminho da escola primária: ia com a minha irmã e uma amiga para as aulas da tarde, um cão da vizinhança desata a ladrar e a correr na nossa direção... até afinfar a bocarra na pernoca da nossa amiga. Sorte nossa, azar dela! Mas sem dúvida um episódio marcante...

Episódios com cães agressivos foram vários, uns mais caricatos que outros: lembro-me de um antigo namorado da faculdade, que sofria da fobia, a correr desvairado em volta de um carro com um minúsculo canídeo a tentar alcançar-lhe as canelas; da estúpida cadela de uma amiga me ter mordido o sapato durante um lanche, com receio que eu lhe roubar os ossos da refeição (explicação dos donos); de uma das minhas sobrinhas ter sido mordida pelo cão de outros miúdos conhecidos, enquanto brincavam; de outra amiga que mandou abater o cão, que um dia se virou a ela e lhe fez um lanho no braço, por ciúme da bebé que acabara de nascer (explicação da própria). Ou seja, são episódios esparsos, acumulados ao longo de anos, nenhum deles me faz ter receio destes animais. Embora costume estar atenta a cães desconhecidos.

Durante as mini-férias-algarvias-de-junho, assim que cheguei ao estacionamento da praia vi as alcachofras naquele tom lilás tão característico da primavera junina. Apesar de nem sequer estar muito virada para sessões fotográficas, lá saquei da máquina, tirei uma, cliquei no zoom para esta e ainda cliquei mais uma vez. Coisa de menos de um mínuto, acompanhado por um ruído estranho, depois transformado num nítido rosnar, acabou num cão a sair debaixo de uma auto-caravana próxima e a correr na direção das minhas pernas. OMG, mais do mesmo?!?

Nestas situações, grito que nem uma desalmada. É certo que os cães ficam mais excitados, mas se houver um dono por perto pode ser que os acalme. Mas do que me diz a experiência é que os donos consideram sempre o seu bicho de estimação tão querido, manso e fofinho, que raramente intervêm. A cena prolongou-se por vários minutos, comigo a gritar em stéreo e sem o deixar aproximar-se dos meus tornozelos - não, não era muito grande, o focinho dele apontava para aí - só o meu marido tentou acalmar-me, a uma certa distância. Como não parei com a gritaria (já tinha recuado vários passos, mas o raio do animal continuava a tentar morder-me), o dono acordou da sesta e lá disse da janela com imensa sabedoria, sem sair da auto-caravana: "Não mostre medo, que ele é manso!" "Muito!"- pensei vagamente no meio da confusão momentânea. Entretanto o meu marido já se estava a aproximar devagar, trazia o chapéu-de-sol ao ombro, aí o dono lembrou-se de chamar o amoroso canídeo: "Viens ici... VIENS ICI!" Obedeceu ao segundo chamamento.

Já vínhamos embora, quando o tanso dono de tão "mansa" criatura resolveu ainda dar-nos uma didática instrução sobre como lidar com cães: "É preciso calma e não mostrar medo!" Cansada de gritar, nem respondi. "Pois, mas o seu cão é que a tentou atacar, sem ela ter feito nada!" - respondeu o maridão.

Continuo sem a tal de cinofobia, mas ando a desenvolver outra em relação a donos de animalejos tão "estimáveis"...

quarta-feira, 3 de julho de 2013

741, 742, 743...

No meio de todo este imbróglio político em que mais uma vez somos mergulhados - em que provavelmente só os próprios protagonistas percebem tantas jogadas de bastidores (ou não?!?) - só tenho pena de Vasco Palmeirim, que pelo andar da carruagem ainda vai ter umas quantas noites em claro...

Locutor, animador e humorista das manhãs da Rádio Comercial, habituou os seus ouvintes a alterar as letras de temas musicais conhecidos, para dessa forma brincar com as politiquices nacionais (em parceria com Pedro Ribeiro, Vanda Miranda e Nuno Markl, note-se!). Ontem, dedicou esta a Vitor Gaspar, após este se ter demitido do governo:


E agora, quando é que ele vai conseguir dormir, se Paulo Portas se demitiu no 742º dia e, segundo consta, ao 743º ainda haverá mais duas demissões? E Pedro Passos Coelho também não tem direito a uma cançonetazinha, com o "não me demito" ou o "não aceito a demissão do parceiro da coligação"? E Cavaco Silva a empossar a nova ministra das Finanças - no que mais parecia uma cerimónia fúnebre - não merecia um novo versejar? Coitado! Não vai ter mãos a medir, que o governo está a cair em duodécimos... como já li por aí!

(por via das dúvidas, vou manter a garrafa de espumante no frigorífico! Ou fazer um swap com outra de vinho branco, já que adormeci enquanto Seguro estava a discursar...)

terça-feira, 2 de julho de 2013

A CIDADE DE ULISSES

Ao encontrar Teolinda Gersão na Feira do Livro de Lisboa 2013, ainda mais com um título tão sugestivo, pensei: "é desta que a vou ler!"

E foi! Simpática, autografou o meu livro com uma daquelas letras difíceis de entender, com as seguintes palavras: "Para a Teresa, esta história de amor passada em Lisboa, que é também uma história de amor por Lisboa."

Verdade: para além do romance, também é! E não me venham dizer que, sendo ou vivendo noutras cidades nacionais ou internacionais, não vibram com as ruas, fontes, lagos, pontes ou  jardins da terra que amam. Seja uma grande e cosmopolita urbe ou uma pequena aldeia (quase) desconhecida.

Paulo Vaz é um artista plástico já reconhecido internacionalmente quando o convidam para fazer uma exposição sobre Lisboa na Gulbenkian. A sua primeira reação é a de recusar o convite, pois mantivera esse projeto, muitos anos antes, com a mulher que amara profundamente, Cecília Branco, também ela artista plástica. Mas depois de uma serena e cúmplice  vivência de quatro anos em comum - em que as únicas discussões eram sobre o gato Leopoldo que ela recolhera e ele tivera dificuldade em aceitar - a relação acaba intempestiva e violentamente, quando ela lhe revela estar grávida. Durante a contenda ela cai na escada do apartamento (ele não sabe ao certo se a empurrou?!?) e acaba no hospital, apenas com umas mazelas, mas perdendo o feto que germinara no seu ventre. Paulo arrepende-se e acompanha-a no hospital e leva-a de volta para casa, mas poucos dias depois encontra-a vazia: Cecília partira, levando consigo Leopoldo e os esboços que criara durante esse período.

Apesar de a procurar incansavelmente junto de familiares, a recusa sistemática em voltar sequer a falar com ele evidenciam  que ela pusera um ponto final no relacionamento, de uma vez por todas. E também ele parte para outras partes do mundo, avançando com os projetos que acalentara, mas que adiara para ficar junto de Cecília. "Lisboa desapareceu contigo." - conclui. No entanto, 19 anos depois da sua errância pelo mundo, Paulo regressa  à sua terra natal, para encontrar outra companheira, Sara, que novamente o prende à cidade, embora exerça outra profissão - ele não é Ulisses, a regressar aos braços de Penélope, após tão longa ausência, mas de alguma forma aquela mulher está à espera dele. Mas o convite para a exposição traz memórias antigas, que finalmente ele parece ultrapassar ao aceitar...

Em suma: o romance pode ser banal, igual ou semelhante a tantos outros pelo mundo - as desilusões amorosas acontecem a (quase) todos e são um maná para romancistas! - mas gostei da escrita, de encontrar o reflexo da minha cidade em muitas destas 206 páginas, para além das lendas e teorias referentes a Ulisses, personagem de ficção e à qual Lisboa (talvez) deva o seu nome: "Ulisseum, transformado depois em Olisipo através de uma etimologia improvável."

Citações:

"De qualquer modo no meio da crise generalizada a nossa felicidade pessoal era um bem precioso, um pequeno milagre a defender ciosamente da enorme turbulência à nossa volta." [o ano referido é 1982...]

"Tinham-se passado muitos anos, mas os amigos mantinham-se. Esse foi sempre na minha vida um território particularmente estável, em que fui conservador e fiel: escolhemos os amigos e eles escolhem-nos, e tornamo-nos mais próximos à medida que a vida passa."

"Ulisses ama Penélope acima de tudo no mundo, se entre eles estiver o mar e ele puder amar todas as mulheres, dirias. Com a lucidez que sempre te conheci."

segunda-feira, 1 de julho de 2013

RÃ... ZINZICES!

Sentada numa esplanada, à beira de um lago, um estranho ruído interrompeu-me a leitura. O barulho parecia  vir daqui e fui saciar a minha curiosidade:

À primeira vista... nada!

Mas apurando a visão, lá estava o bicharoco pequenininho que tanto estrilho fazia. Quer dizer, ele/a e todos os parceiros que lhe respondiam com a mesma gana...

E encontrá-los, no meio de toda a vegetação?

Nenúfares e outras plantas e folhagens cobriam quase todo o meio aquático circundante.

Mais adiante, uma parceira mais silenciosa tecia a base da sua alimentação. Com relativo sucesso, note-se!

E, por fim, outra das coaxantes criaturas dava o ar da sua graça, se bem que igualmente bem camuflada naquelas águas calmas.

De costas e de frente:

Não sei se são rãs ou se são sapos (não beijei nenhum!), nem como tão pequeninos conseguem fazer tamanho chinfrim. Sei que compensou interromper a leitura...