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segunda-feira, 23 de maio de 2016

AMESTERDÃO, A VENEZA DO NORTE (2)

Depois de visitarmos Keukenhof e do regresso a Amesterdão, fizemos uma refeição ligeira e descansámos um pouco no hotel. Como os museus, igrejas e outros monumentos fecham relativamente cedo (17 ou 18 horas) - e em abono da verdade nem apetecia por aí além, após a longa passeata da manhã - resolvemo-nos por uma volta pelas redondezas. No entanto, depressa descobrimos que o centro da cidade é relativamente pequeno, após uma curta caminhada e de repente já estávamos no mercado das flores - onde noutros tempos os comerciantes vendiam flores nas suas barcaças, mas hoje o comércio das plantas e bolbos já se efetua em bancas fixas.

Embora algumas bancas já tivessem encerrado, noutras ainda a mercadoria estava exposta. Novamente abundam flores em ramos ou envasadas e também muitos bolbos (principalmente de tulipas, mas não só). 

Tudo muito barato, senão fosse a chatice do transporte no avião toda a famelga receberia flores no nosso regresso. Assim, tiveram de se contentar com uns queijinhos...

Bom, enquanto deambulávamos por ali mais ou menos ao acaso - sem receio de nos perdermos, pois esta zona da cidade é constituída por ruas paralelas e perpendiculares, que diferem da baixa lisboeta por terem canais ao meio, que lhe desviam ligeiramente o traçado, formando uma espécie de taça - vimos algumas bandeirolas brancas com a data de 4 de maio, que era a única coisa que entendíamos do palavrório explicativo em holandês. Assim, foi com alguma surpresa que vislumbrámos ao longe um ajuntamento de pessoas que caminhava na nossa direção. Uma manifestação, na Holanda?!? Não era! Era "Dia da Lembrança", data em que se realiza anualmente uma marcha silenciosa em memória das vítimas civis e militares que pereceram na guerra e em missões de paz. Um carro da polícia seguia à frente, depois surgiam dois cavaleiros e mais atrás 4 militares ritmavam a passada dos marchantes que os seguiam com o rufar dos seus tambores: o único som que se ouvia, já que até  os barcos no canal pararam os motores em sinal de respeito. Dirigiam-se ao monumento nacional, onde iriam depositar flores (que na noite seguinte ainda lá estavam). Mais tarde, lá pelas 8 da noite, quando descansávamos num bar a beber uma cerveja, foi-nos pedido que observássemos dois minutos de silêncio, ainda no âmbito desta tradição.  A 5 de Maio é feriado nacional, em 2016 celebraram o 71º aniversário do fim da II Guerra Mundial - o "Dia da Libertação" - o que não coincide com a data celebrada nos países aliados, mas isso agora não interessa nada...

O facto de ser feriado não buliu em nada com os nossos planos, fomos visitar o museu Van Gogh logo pela manhã. Sem pretendermos um "banho de museus", este era dos poucos que desejávamos mesmo conhecer, uma vez que ambos somos fãs do pintor e é aqui que se encontra o maior espólio da sua obra. Os quadros não se podem fotografar com máquinas fotográficas, só com telelés e afins. Esta foto tem este ar meio desmaiado pois é de um placard electrónico, o que está longe ser a mesma coisa, né?

Lá fora a primavera estava ao rubro e os holandeses começavam a dar mostras da sua descontração em dias mais quentes...

Os moinhos são uma imagem de marca holandesa (em tempos serviram para drenar a terra que conquistaram ao mar e não exatamente para fazer pão), claro que não deixámos de espreitar o de Gooyer: mais para a fotografia, já que não está aberto ao público!

Magere Brug, uma das pontes móveis mais antigas da capital holandesa, nas margens do rio Amstel - onde em finais do século XII surgiu a pequena aldeia piscatória que daria origem à cidade - também foi local de paragem obrigatória. Nas imediações preparavam-se os festejos do dia, muita gente já se encontrava abancada na rua (com o mesmo nome, em ambas as margens) à espera do espectáculo. Em algumas janelas desfraldavam-se bandeiras holandesas.

À noite e depois da janta, ainda passámos pelo monumento nacional, onde as crianças da marcha da véspera tinham depositado as flores.

Oude Kerk - a mais antiga igreja protestante de Amesterdão (1306) - teria muitas histórias para contar, se as suas paredes, vitrais e túmulos falassem. A história da religião cristã passou por lá, nomeadamente no que respeita à cisão no seio da própria Igreja no século XVI: imagens de apóstolos e santos foram arrancadas e, posteriormente, os próprios vitrais foram "retocados" para retirar as auréolas... O chão da igreja é constituído por cerca de 2500 pedras tumulares, que encerram cerca de 12 mil sepulturas, pelo que a ideia de caminharmos em cima de um cemitério não deixou de nos causar uma estranha sensação. Ainda mais quando algumas sepulturas têm jarras de flores a pontuá-las. A mais visitada dizem ser a de Saskia van Uylenburgh (a primeira mulher de Rembrandt e a morta mais famosa da Holanda, depois de Anne Frank), falecida em 1642.

Pessoalmente, gostei bastante mais dos vitrais que retratam várias cenas bíblicas, com ou sem retoques feitos a posteriori.

Curiosamente esta igreja situa-se em pleno Red-Light District, o bairro mais famoso de Amesterdão pela prostituição, onde as mulheres se exibem em montras aos potenciais clientes. Nada de muito chocante, já que se apresentam em lingerie ou biquini, mas mesmo assim não querem ser fotografadas. Como explicava o papel à porta do sindicato destas trabalhadoras!

quinta-feira, 19 de maio de 2016

PASSEANDO POR AMESTERDÃO... (1)

A viagem foi planeada com vista a conhecer a capital holandesa - que ambos desconhecíamos - e, simultaneamente, para visitar o maior jardim da Europa - Keukenhof, em Lisse. Dispusemos de 6 dias, sendo que a manhã de um deles estava reservada à excursão e passeio pelo jardim.

Antes de iniciar qualquer viagem tenho por norma "navegar" pela net, verificar as localizações nos mapas e espreitar alguns blogues de viagens, que por vezes têm dicas bem práticas que facilitam a vida dos turistas ocasionais. Desta vez não foi exceção e, sem pretensões a imitá-los, espero também conseguir dar alguns conselhos úteis a outros potenciais visitantes. Outro apetrecho fundamental é um guia da cidade, que nomeia todos os museus, monumentos, igrejas, jardins e outros locais de interesse a visitar. Logo aí tem de se fazer uma escolha inicial, pois obviamente 6 dias não dão para tudo. E, nos tempos que correm, é avisado comprar bilhetes antecipadamente on line. Assim, quando entrámos no avião Grão Vasco rumo ao aeroporto de Schiphol, já levávamos na bagagem as reservas para a excursão na manhã seguinte e o papel para levantar o cartão I amsterdam, que dá direito a entradas gratuitas em vários museus e monumentos (e bons descontos noutros tantos), a um cruzeiro de barco pelos canais e a utilizar todos os transportes públicos citadinos durante o período contratado - no caso, comprámos o de 96 horas, já que nos dois primeiros dias não íamos utilizar.

Note-se que a aquisição de bilhetes on line não evita a fila onde terá de esperar a sua vez, quando muito ela é mais curta do que a outra de compra no local. Note-se também que para o esconderijo de Anne Frank os bilhetes on line têm de ser comprados com bastante antecedência, para os dias que queríamos já estavam esgotados. À porta, já se sabe, as bichas davam a volta ao quarteirão...

Enfim, chegados a Schiphol há uma caminhada de 10/15 minutos a fazer até ao local onde se pode efectuar o transfer ou apanhar um táxi, autocarro ou comboio. Optámos por este último meio, por ser o mais barato, rápido e prático - em cerca de um quarto de hora chegámos à Central Station de Amesterdão,

Fomos imediatamente buscar o cartão I amsterdam, pois um dos locais de levantamento situa-se mesmo em frente - aliás, foi onde tirei esta foto. Bom, a primeira impressão foi de grande confusão: uma multidão de gente a circular por ali, elétricos vindos de todo o lado, bicicletas também aos magotes, o que é estrada, passeio ou ciclovia mal definido. Um susto inicial. Facto é que depois a pessoa vai-se habituando a prestar muita atenção ao trânsito, aos carris e principalmente aos desvairados ciclistas, que não param perante sinais, semáforos ou pessoal que se atravessa à frente. Ainda por cima as bicicletas que conduzem parecem estar todas a cair de podres, não é garantido que, mesmo que queiram, os travões funcionem - às vezes, a chiadeira ouve-se à distância.


Seguimos a pé até ao hotel (só levávamos dois trolleys pequenos), que ficava apenas a cerca de dois quarteirões de distância, em frente à praça Dam, onde se situa o palácio real, a igreja Nieuwe Kerk, o museu de cera Madame Tussaud e o monumento nacional.  Mas esse foi passeio que guardámos para outro dia: almoçámos tardiamente no bar do hotel, arrumámos as malas e descansámos.O jantar também foi no restaurante do hotel: tínhamos de nos levantar cedo no dia seguinte, pois estava programada a excursão a Keukenhof, que partia às 9 da manhã, mas a reunião dos participantes era meia hora antes. Na rua Damrak 26 (operador turístico), bem perto da estação de comboios. E convinha ter os duches e os pequenos almoços tomados! Claro que há outros meios de transporte para Lisse, até mais baratos - de comboio ou de autocarro, por exemplo. Mas a ideia de viajar confortavelmente (quase) de porta a portão e, simultaneamente, apreciar a paisagem holandesa agradou-nos mais.

Sobre Keukenhof já falei o suficiente em posts anteriores, mas posso deixar uma montagem fotográfica do passeio:
5 horas e 347 fotografias depois, já com a bateria da máquina a gritar por carregamento, regressámos ao hotel. Vínhamos cansados, mas também encantados com a beleza do maior jardim da Europa...

segunda-feira, 9 de maio de 2016

RAZÕES (MUITO) COLORIDAS

Nos últimos dias tenho andado desaparecida da blogosfera, tanto aqui como nas vossas "casinhas" (que conto visitar em breve). Desta vez por boas razões: férias! E um dos locais por onde passeei foi por este belíssimo jardim, sobre o qual já aqui tinha falado em tempos idos -  posso agora garantir que ao vivo e a cores é ainda mais espetacular do que parece!

Por onde terei andado?

ADENDA a 10 de Maio de 2016:

E para que não surjam mais "confusões" com o jardim do Torel (não, não fui lá passar férias...), aqui ficam mais umas fotos do local:

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Nem é preciso ser excelente fotógrafo para captar boas fotos...

ADENDA a 15 de Maio de 2016:

Pois,como várias pessoas referiram, trata-se do jardim de Keukenhof, em Lisse, a poucos quilómetros de Amesterdão. Uma visita imperdível, para todos os que andarem por aquelas paragens na primavera. Em tempos já o tinha mencionado neste post de 2011. Agora que surgiu a oportunidade de uma visita,obviamente não a deixei escapar... Obrigada a todos pela participação.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

ALTOS E BAIXOS 2015

Todos os anos têm momentos melhores e piores, este não foi exceção. Claro que os meus amigos adivinham que os piores foram passados em internamento hospitalar e respetivos exames médicos, mas disso não quero nem falar, só quero esquecer o mais rapidamente possível, por muito queridos e simpáticos que tenham sido todos os enfermeiros. E alguns médicos também. 

Igualmente negativo mas mais geral, os cinemas que fecharam em Lisboa (e suponho que não só), que diminui tendencialmente a possibilidade de irmos ver um filme que nos agrade numa sala perto de nós. Bastante pior, as guerras e os ataques terroristas que grassaram por todo o lado e que ceifaram milhares de vidas. E que vão continuar a ceifar, enquanto não se arranjar uma solução viável e justa para outros tantos milhares de refugiados. O mundo tornou-se um local muito mal frequentado...

"Despachadas" as angústias de 2015, resta destacar os pontos positivos. Como não podia deixar de ser, a viagem a Roma foi o meu ponto alto do ano. Não só por ser a concretização de um sonho antigo, como por tudo o que se aprende numa cidade tão impregnada de vestígios da história da humanidade. Aí também para o melhor e para o pior.

Contudo, outros pequenos passeios foram igualmente memoráveis. Adorei conhecer alguns dos amigos que por aqui passam no almoço de convívio em Monte Real, foi com grande desgosto que não pude participar no de Lisboa. Mas, para que saibam, a tantos meses de distância, já tenho uma data marcada na agenda para o próximo no Porto, que certamente será divulgada atempadamente. Visitei ainda Óbidos e o Buda Parque (foi má ideia fazer tudo no mesmo dia) e, aqui mais próximo, o Parque dos Poetas, em Oeiras. Isto fora as voltinhas no Algarve durante os 15 dias de férias no verão. Claro que não contabilizo as passeatas por Lisboa, mas também foram variadas, embora quase todas pelos sítios do costume: jardins Gulbenkian, das Amoreiras, da Estrela, do Príncipe Real, etc.e tal.

De leituras estamos conversados, portanto faltam as previsões para 2016. O que sem bola de cristal é complicado mas, se tudo se proporcionar, lá mais para a primavera conto fazer uma viagem a outra capital europeia. Porque viajar é preciso... e sabe tão bem! Entretanto a 9 de fevereiro inicia-se o ano do macaco no calendário chinês, que substitui o da cabra, que não foi particularmente auspicioso ou pacífico. Porém, a estrelinha que mais brilha nessa bola de cristal que não possuo, chama-se esperança - em 366 dias melhores! Para mim, para os meus familiares e amigos, mas também para toda a gente de bem...

FELIZ 2016!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

IMPERIOSA SUPERSTIÇÃO!


Nos últimos dias tenho andado a compilar um álbum (fotográfico e não só!) sobre a visita a Roma. Antes que a memória se vá desvanecendo. Na altura disse aqui que a maior desilusão foi a Fonte de Trevi estar em obras e de assim não ter podido atirar a moedinha para as suas águas, como manda a tradição.

Como nós, muitos outros turistas ficaram desapontados. E, não sei se por teimosia ou se por serem mais supersticiosos, não desistiram da ideia. Tanto que no local puseram uma espécie de bacia, encimada por uma foto da estátua principal, para que os visitantes pudessem cumprir esse seu desejo. Acontece que a praça em si não é especialmente espaçosa, com os tapumes das obras, a multidão que por ali cirandava e a confusão geral, a maioria não terá dado conta da existência dessa bacia-substituta-da-fonte.

Assim, alguns (muitos) arremessavam a moeda por cima da vedação, com toda a força (qual de costas, qual carapuça? havia que ter a certeza que caía lá dentro!), acertando (ou não) nos operários que ali trabalhavam. Ainda nos rimos: se, por um lado, os coitados são constantemente bombardeados com moedas, por outro, levam um segundo "ordenado" para casa! Digam lá que este mundo não está cheio de gente estranha... 
  

quinta-feira, 2 de julho de 2015

O MELHOR DE ROMA (3)

Vitor Emanuel II foi o unificador de Itália e, como tal, tem direito a um majestoso monumento bem no centro de Roma, na praça Veneza. Consta que o dito monumento não agradou muito aos romanos na época em que foi edificado, tanto por aquela ser uma zona arqueológica, como por ser de um mármore branco que não se enquadra com os edifícios que o rodeiam, que têm maioritariamente um tom acastanhado. Mas quer dizer, Roma não é uma cidade de contrastes? Porque ao lado de palácios, igrejas, fontes, arcos e estátuas de grande porte e magnificência surgem ruínas milenares, que em qualquer outra parte do mundo já teriam desaparecido há séculos...

E não, não me estou a referir apenas ao Coliseu ou ao Fórum Romano, encontramos umas colunas, um arco, um teatro ou anfiteatro, um antigo mercado ou outras ruínas em praticamente todo o centro da cidade, cujo interesse histórico é inegável, mas a utilidade prática muito relativa, a não ser para aspectos turísticos. Aqui, nestas ruínas no largo da torre Argentina, por exemplo, supõe-se que existiam quatro templos, mas parte de um deles continua soterrado debaixo de uma estrada local.

Além de tudo o resto, é preciso não esquecer que Roma também é uma das principais capitais da moda mundial e é aqui, em plena praça de Espanha,  que se realizam os mediáticos desfiles, com as modelos a descerem a enorme escadaria no alto dos seus saltos de 12 ou 14 centímetros... (e sim, a igreja lá no topo também estava em obras, grrrrr!)

La Barcaccia, a fonte em forma de barco existente em frente aos degraus da praça de Espanha, cuja autoria se pensa ser de Bernini pai.

Mas bom, mesmo muito bom, são as múltiplas esplanadas floridas que surgem em cada canto e recanto da cidade e onde se fazem refeições ou se bebe um copo. Ristorantes, trattorias, osterias, pizzarias, caffés, gelatarias, há-as para todos os gostos, embora normalmente sejam carotas, se comparadas com as portuguesas - uma imperial pequena não custa menos de 4 euros, um café pode custar 2,50, um gelado 6 ou 8. As pizzas ainda são os pratos mais em conta e são... uma delícia!

Também fiquei fã das saladas, das brushetas e dos gelados, mas foram as pizzas que mais me surpreenderam pela positiva: além de massas muito bem feitas e estaladiças, os ingredientes tinham um sabor forte - o tomate a tomate, o fiambre a fiambre, o ananás a ananás e por aí adiante.

Surpresa não tão positiva foram as respetivas casas de banho: nem sempre correspondiam à finesse do restaurante (não, não fomos a nenhum de luxo), muitas delas só tinham uma sanita para homens e mulheres e mesmo assim a dar para o acanhado. O funcionamento dos lavatórios também está longe de ser linear, uns inteligentes, outros funcionam a pedal, outros nem percebi bem como. E os autoclismos vão pela mesma! Resumindo, um restaurante mais modesto pode ter umas instalações sanitárias melhores do que outro mais finório. Excetuando as do Vaticano, as melhores que vi foram as do metro, mas aí paga-se 1 euro para utilizar (embora quase metade delas estivessem fora de serviço). Isto pode parecer disparatado referir, mas facto é que saíamos cedo do hotel, passávamos o dia a andar seca e meca e a beber água por causa do calor e para não desidratar, obviamente que de vez em quando tínhamos de usar. E normalmente era nos cafés e restaurantes onde parávamos para beber, comer e descansar.

Claro que para tem tenha mais pedalada e queira continuar a caminhada (sem paragens) - estou em crer que a única maneira de "conhecer" Roma um pouco melhor - não faltam estas roulottes que vendem frutas, pão, sandes, gelados e bebidas frescas. Não sei a que horas abrem, mas só fecham lá pelas 10 da noite.

Dito isto, não sei até que ponto um passeio nestas caleches não será igualmente simpático (e romântico), mas por esta altura já estávamos com o tempo contado, não valia a pena indagar o custo.

Muito mais ficou por dizer ou revelar, numa visita de 5 dias e 4 noites e 1326 fotografias depois. Mas tanto o Coliseu como o Vaticano são vastíssimos e já deram azo a vários livros, não é resumo que se faça assim numa penada bloguista (se bem que 20 mil visitantes por dia neste último, nos façam sentir um pouco como carneirada encurralada num redil, a seguir em frente a "toque de caixa", o que faz com que se perca muito da história ali patente - não só do antigo império romano, do cristianismo e dos seus primórdios, como do Egipto ou da Grécia, dois bastiões da antiguidade).  Fica a paisagem romana, vista de uma das janelas cimeiras do museu.

Last but not least, o hotel também demonstrou ser outra surpresa (muito) agradável. Se bem que à chegada desconfiámos que tínhamos "enfiado o barrete" (no edifício do hotel de 3 estrelas funcionam vários hotéis, o que à partida parece esquisito), ficámos muito bem impressionados com o atendimento - o recepcionista, além de simpático, falava português - e o quarto que, embora pequeno, era limpo e estava bem decorado em tons de laranja, espelhos frente a frente que davam uma sensação de maior dimensão, uma pequena casa de banho com base de duche, tinha uma luz boa para poder ler à noite, televisão, um mini-frigorífico (sem nada lá dentro, só para pôr o que eventualmente comprássemos e que foram essencialmente águas), ar condicionado e, ainda melhor, dava para as traseiras. E aqui não estou a brincar: situando-se na zona do Termini, o trânsito é realmente diabólico nas principais vias ali em volta. Apesar da zona estar um bocado degradada e à noite a principal estação de metro, comboios e autocarros ser frequentada pelos sem abrigo, facto é que nos deu um jeitaço para nos orientarmos nas nossas incursões iniciais pela cidade - assim, depressa nos deslocámos a qualquer lado, pelo que não nos arrependemos da escolha internética. O pequeno almoço também era bom e, para lá do tradicional, oferecia bolos caseiros, para quem tivesse apetite suficiente logo de manhãzinha!

E pronto, foi este o relato possível das nossas deambulações pela cidade eterna, que tem um encanto muito próprio... apesar de todos os seus contrastes!

segunda-feira, 29 de junho de 2015

O MELHOR DE ROMA (2)

O Tibre é o rio que serpenteia ao longo de Roma, com este tom esverdeado que se observa na fotografia. É atravessado por várias pontes, sendo que a de Sant'Angelo (em frente ao castelo com o mesmo nome) é uma das mais bonitas, decorada por vários anjos e outras figuras bíblicas - que foram sendo adicionados por diferentes Papas. E a propósito de Papa, só o vi aqui:

Quer dizer, nos túneis da estação de metro da Praça de Espanha, com o ar bem disposto do costume: soubemos pelas notícias televisivas que ele tinha viajado para Turim. Mas pronto, verdade seja dita que não fui a Roma para o ver, por muito que até simpatize com o atual Papa Francisco...

Ponte de Sant'Angelo

Voltando ao Tibre, no meio do rio existe uma pequena ilha em forma de barco (Isola Tiberina), na qual funciona uma das maternidades da cidade.

Ilha Tiberina

Na pesquisa que fiz sobre Roma antes da viagem descobri que a cidade tem cerca de 150 museus e mais de 900 igrejas, pelo que estava fora de questão visitar nem que fosse só um décimo - 5 dias não dão para tudo! Os museus do Vaticano e a Capela Sistina eram um must, obviamente, mas de resto era mais ou menos o que calhasse em caminho. Por curiosidade, calhou que quase todas as igrejas que vimos se denominassem de Santa Maria (in Cosmedin, in Trastevere, Maggiore).

A Bocca della Veritá, na basílica de Santa Maria in Cosmedin, deve ser uma das imagens mais conhecidas, devido à lenda que reza que mordia a mão dos mentirosos que ousassem enfiá-la na sua boca.

No entanto, a igreja mais sumptuosa que visitámos foi a de Jesus (Chiesa de Gesú), que dos lustres às talhas douradas, das pinturas às estátuas, da maior pedra de lápis-lazuli do mundo a adornar o túmulo de santo Inácio, não poupa nada em grandiosidade.

Por outro lado e a nível exterior, a igreja a que achámos mais piada (e que nem sequer estava no nosso "mini-roteiro" de visitas) foi esta de Sant'Andrea della Valle, precisamente pela razão que levou o Papa da época a "reclamar" da obra do seu escultor, Cosimo Fancelli: a fachada é assimétrica, pois só tem um anjo do lado esquerdo. Porém, o artista recusou-se a esculpir o do lado direito, respondendo que "Se quer outro, que o faça ele!" Artistas são assim, até com Papas...

Igrejas à parte e por muito católica que seja a população romana, no final do século XIX também ergueu uma estátua ao filósofo Giordano Bruno, uma das vítimas da Inquisição, precisamente no Campo de' Fiori, local onde era habitual realizar as execuções. A estátua, de autoria de Ettore Ferrari, não deixa de ser sinistra... 

Para terminar este "capítulo" que já vai longo, no último dia ainda nos demos ao luxo de dar um pequeno passeio por um jardim romano - Villa Borghese, o segundo maior de Roma, onde também se situam dois museus (Galeria Borghese e a Galeria Nacional de Arte Moderna).

Contudo, o objetivo era verificar in loco como os romanos passam os seus domingos de manhã, a remar no lago ou sentados nos bancos do jardim.

Aqui também há fontes e arcos e o lago, onde pululam gaivotas, patos e tartarugas (ainda dei o gosto ao clique!), é enquadrado por mais um monumento tipicamente romano.

Um passeio muito agradável, devo dizer, que terminou a comermos um gelado no café local.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

O MELHOR DE ROMA (1)

Sem desdenhar a imponência do Coliseu e a história desse império romano que tantas ruínas e artefactos deixou precisamente no centro de Roma - a recordar também os primórdios do cristianismo e os espectáculos bárbaros levados a cabo nesse anfiteatro - o que mais me deslumbrou foram as belíssimas fontes que proliferam na cidade. E também as inúmeras bicas que encontramos ao longo das ruas ou praças, umas mais bonitas que outras, obviamente. De sede, os italianos não morrem, até porque quase todas elas funcionam (ao contrário do que acontece noutras cidades que bem conhecemos) - e eles usam-nas realmente, com a mão em concha, para encher garrafas vazias ou copos de plástico (como, providencialmente, vi sair de uma mala de senhora).

Entre essas fontes há a destacar as existentes na Piazza Navona: a dos Quatro Rios, ao centro, e a de Neptuno e a de Moro, uma em cada lado da praça.

A fonte dos Quatro Rios, como o nome indica, é constituída por um obelisco sustentado por quatro homens que representam quatro rios de quatro continentes:

o Ganges, na Ásia;

o Nilo, em África (de cabeça tapada, porque na época em que Bernini construiu a estátua ainda não se sabia onde se situava a sua origem);

o De la Plata, simbolizando as Américas; e o Danúbio, da Europa, simulando amparar o obelisco.

A fonte de Neptuno.

A fonte de Moro.

Contudo, a praça tem uma vida própria, onde se cruzam diversos pintores e outros artistas que pretendem vender as suas obras ou ganhar o seu sustento. 

Proliferam também vendedores ambulantes, alguns sem licença, como descobrimos quando os vimos fugir desesperados a uma rusga, um deles largando tudo de caminho, evitando assim ser preso em flagrante. Um momento algo assustador, para eles, evidentemente, mas também para os transeuntes que assistiram. Aliás, coisa que não falta em Roma é polícia, carabineri e tropa, sendo que estes últimos costumam estar armados de metralhadoras. Mas num país onde ainda existe Mafia e onde durante tantos anos atuaram grupos terroristas, suponho que é normal...

Ah, e claro, outra coisa que não falta são restaurantes, bares e esplanadas, para admirar calmamente o fantástico e ininterrupto movimento da praça. ADOREI!

(xi, para a próxima prometo resumir, que isto assim tão em pormenor dá para uns meses de posts...)