Em tempos idos, segui (mais ou menos) uma telenovela mexicana, que era um dramalhão pegado... mas que me fazia rir à gargalhada! Não eram só os atores que pareciam apatetados, o argumento não tinha ponta por onde se lhe pegasse: uma jovem pobre, mas muito trabalhadora e estudiosa, apaixonava-se pelo professor que por acaso era da fina nata da sociedade e rico até mais não, ele por ela, mas depois mete-se pelo meio uma megera que queria casar com o ricaço e a relação complica. Uma amnésia, um paraplégico e, salvo erro, até um ceguinho depois, a rapariga permanentemente chorosa casa com o paraplégico, por julgar ser a sua obrigação moral (ou coisa do género!), por ter sido um soco do namorado que colocou o amigo naquela situação. Mudam de cidade (e de cenários) e vão viver para uma zona rural (que por acaso parecia um estúdio, mas pronto!), metade do elenco desapareceu como por artes mágicas, mas claro que o bonzão do ex-namorado tinha uma fazenda naquela zona, acabam por se encontrar e, ainda por cima, descobrir que o paraplégico só estava a fingir, para casar com ela...
Li agora que essa telenovela, intitulada "Maria José", era um remake de outra chilena, de uns 20 anos antes, que é sempre coisa que me custa a entender - não há ninguém para escrever mais, melhor e com maior atualidade do que aquilo? E as indumentárias e penteados, mesmo há 20 anos, não eram de cair pró lado?
Julgava já ter visto o pior do que se pode exibir em telenovela (e sim, cenas mais-que-parvas também já vi em brasileiras, até recentemente, mas agora não vem ao caso!), quando ontem tive a ocasião única de perceber que estava redondamente enganada! Com o capítulo final de "Rosa Fogo", transmitido pela SIC. O único que vi, diga-se!
Não conhecendo as personagens ou o enredo, pasmei com várias cenas: numa há um bolo "milagroso" cheio de luz que esvoaça para as mãos de uma fulana e ficam todos muito contentes; noutra, uma mulher grávida que tinha aprisionado um latagão, que afinal conseguiu fugir para se encontrar com a sua amada, consegue algemar esta numa velha casa a que deita fogo, mas, coincidência das coincidências, chegam-lhe as dores de parto e ficam para lá as duas até que o herói de ambas as salva, com uma indolência que não lembra, ela tem o filho logo ali e morre; entretanto, outro mau da fita rapta uma miúda que afinal é filha dele, deixa-a ir embora para depois ir para a campa da mãe desta com insultos e cuspidelas, a menina assiste e insurge-se, chegam lá uns outros "heróis" que dão um tiro nas costas do gajo, este agarra a criança, clímax, um súbito tremor de terra, abre-se uma brecha no chão e o mau... é "engolido"! Quer dizer, parece que é, porque mesmo no final ele volta a aparecer, para vislumbrar de longe o tal casal que está num piquenique (no mesmo local?), com a filha dele e o filho da outra megera, já mais crescidinhos.
Desculpem lá, estes guionistas drogam-se, ou quê?!? Como é que um ator/atriz, por muito bom que seja, pode dar credibilidade a cenas destas? Coitados...
Imagem da net, da telenovela "Maria José", com Cláudia Ramirez e Arturo Peniche.