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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

AO ENCONTRO DE MR. BANKS

"Mary Poppins" foi o primeiro filme que me lembro de ir ver ao cinema. Em meados dos anos 60 filmes para crianças eram praticamente inexistentes e mesmo os desenhos animados eram escassos e já com "barbas" - não eram estreados vários por ano, como atualmente. Daí que o entusiasmo fosse grande, pois esse era um dia importante para uma rapariguinha de 6 anos. Suponho que a matiné, como então se designavam as sessões da tarde, teve lugar no Tivoli. Mas posso estar enganada, que o entusiasmo era com o filme, não com o local.

Assim, não é para admirar que tantos anos volvidos tenha igualmente desejado ver este "Saving Mr. Banks" - estas traduções estão cada vez mais patetas - que mais não é que a história de como Walt Disney convenceu a irritantemente teimosa e rabugenta escritora P.L. Travers a ceder os seus direitos de autor para fazer o filme. E provavelmente não teria convencido, se as finanças da escritora não estivessem nas lonas, mas tal facto não a coibiu de fazer inúmeras exigências. 

Mesmo descontando que este novo filme vem dos estúdios Disney e que provavelmente este é retratado de uma forma muito mais simpática do que a personagem original certamente seria (eu cá não sou de intrigas, mas há quem afirme que ele era um autêntico ditador), certo é que Travers também não era flor que se cheirasse, sem pitada de sentido de humor - ela própria fazia-se passar por 'very british', mas na verdade era australiana de nascimento, só tendo emigrado para Londres aos 24 anos. 

Embora baseando-se em factos verídicos, o argumento possivelmente foi um pouco aligeirado, pelo que consta que deixou bem claro no seu testamento que mais nenhum livro escrito por ela podia ser adaptado ao cinema por Disney e pela sua equipa. Mas o filme não deixa de ser divertido, sendo que protagonistas como Tom Hanks e Emma Thompson são sempre uma mais valia... Look at the trailer:


Curiosamente, este filme obtem a pontuação de 7.8/10 na IMDb e também só é candidato ao Oscar de Melhor Banda Sonora. Ou seja, ainda me faltam ver muitos dos filmes nomeados às principais estatuetas... Mas o que é que isso interessa, se pelo menos este filme dispõe bem?

(Tenho a certeza que a minha mãe também vai gostar de o ver, mas hoje não pode ir ao cinema, pois vai estar muito ocupada a festejar os seus 80 anos. Parabéns, mummy!)

Imagem da net.

domingo, 17 de novembro de 2013

SOL DE OUTONO...

Pelo (pouco) que entendo, a expressão francesa "l'été indien" significa qualquer coisa como aquilo que designamos de "verão de São Martinho": um tempo de verão em plena época outonal. Não se deixem portanto enganar pela foto - apesar dos tons alaranjados no horizonte, o mar aparentemente calmo e o céu quase límpido, o danado do frio já se fazia sentir. E bem!

Mas "L'Été Indien" vem a propósito de uma das minhas músicas favoritas de Joe Dassin, aquele cantor romântico dos anos 70, que nos tempos de liceu ninguém tinha coragem de confessar que gostava. O que estava a bombar era o rock, essas "lamechices" eram mal vistas. Era como dizer que se gostava de fado ou de Francisco José. Vinguei-me uns anos mais tarde: nada de rock na carripana, só jazz, música brasileira e... Joe Dassin. E ainda hoje gosto de ouvir, daí ser esta a música de sempre seleccionada hoje! Espero que também gostem...


BOA SEMANA!

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

QUANDO OS SONHOS MORREM...

Há 12 anos estava na praia de Islantilla, a apanhar conchas com o filhote e uma das sobrinhas, com o intuito de decorar uma sereia esculpida na areia. O dia estava cinzento e a praia praticamente deserta  e os miúdos já estavam sem paciência para os trabalhos manuais, resolveram ir dar uns mergulhos com a minha irmã. Mas já contei a história aqui, não vou repeti-la.

Há 40 anos não sei o que estava a fazer, mas provavelmente não soube imediatamente do que se estava a passar em Santiago do Chile - tanto porque o telejornal da RTP não me interessava minimamente, como porque essas notícias de golpes militares eram dadas com alguma contenção, cuidado e censura.

O que vou repetir - porque a história não se apaga com uma esponja e é importante não esquecer - é um dos relatos mais comoventes do que se passou antes, durante e depois das tropas de Pinochet, com o apoio dos EUA, bombardearem o palácio presidencial e assassinarem Salvador Allende, presidente eleito pelo povo chileno. Na versão de Pablo, porque obviamente existirão outras políticas e económicas para explicar as razões que levaram os EUA a apoiar esse regime ditatorial. Aviso que o vídeo, com a duração de quase 11 minutos, é impróprio para pessoas mais sensíveis:


Passado é passado, mas é importante também não esquecer as muitas vítimas inocentes que pereceram e todas as famílias que enlutaram - quer no ataque às Twin Towers de Nova York, quer ao palácio de La Moneda em Santiago do Chile (e todas as outras, nos anos seguintes). Resta a ténue esperança que estas histórias não se repitam, que tanta gente morra devido à vingança de uns e à ganância de outros, que, enfim, o passado sirva de aprendizagem para o futuro... Será que é pedir muito?

§ - A foto é a da própria "sereia" inacabada há 12 anos, que encontrei no álbum fotográfico de 2001. 

domingo, 25 de agosto de 2013

CHIADO - 25 ANOS DEPOIS!

Não há imagens que apaguem da minha memória o horror e a emoção que senti ao ver o Chiado a arder, faz hoje 25 anos. Via televisão, já que eu e a minha mãe nos encontrávamos de férias em Caminha. Sabíamos que o dia não ia ser fácil para ambas, pois exatamente 4 anos antes o meu pai morrera na praia, sem que nada o fizesse prever e o desgosto estava longe de "amenizado". Assim, as lágrimas correram-nos cara abaixo e chorámos abraçadas: era a nossa cidade que estava a arder e a sensação de impotência oprimia-nos o peito. 

À exceção das imagens televisivas do incêndio, pouco mais recordo desse dia.

Durante os anos que se seguiram, raras vezes fui à baixa pombalina - as obras de recuperação de todo o espaço carbonizado pelas chamas ficaram a cargo do arquiteto Siza Vieira, mas demoraram cerca de uma década a voltar a uma forma parecida à original. E vontade de ver edifícios esventrados, enegrecidos ou estaleiros de obras  nunca tive nenhuma...

Atualmente passeio de vez em quando pelo Chiado - como qualquer lisboeta ou turista - literalmente renascido das cinzas. Não se pode dizer que a reconstrução não beneficiou a zona, antes pelo contrário, tornou-se mais moderna e aprazível para qualquer visitante. Contudo, para lá das estátuas de Camões, de António Ribeiro "o Chiado" e de Fernando Pessoa permanecerem como ícones locais, do esforço camarário em dinamizar a zona e de novas atrações turísticas, há todo um ambiente de outrora que se perdeu. A começar pela música que pairava no ar na rua do Carmo, mas também nos cheiros e sabores locais, como nas lojas mais frequentadas e populares. Certeza, só a que esse "espírito" e ambiência não se recuperam... Jamais!

sábado, 24 de agosto de 2013

WHEN I FALL IN LOVE

Excecionalmente antecipada para sábado, a rúbrica "Músicas de sempre" de hoje é um dois em um: por um lado Nat King Cole, por outro a artista auto-didata (ou mais ou menos) Julie Doornbos, que aprendeu a desenhar e a pintar... lendo - o desenho a carvão da imagem é da sua autoria e realmente fantástico, no meu entender. Segundo ela, a avó resolveu aprender a esquiar aos 16 anos através da leitura, pelo que gosta de pensar que saiu a ela. Mas podem ver mais sobre Julie Doornbos no seu site, que também indica o blogue onde divulga os seus últimos trabalhos, se eventualmente estiverem interessados em espreitar...

Quanto a Nat King Cole é uma paixão já pós-adolescência, no início da idade adulta - o último disco em vinil que comprei continha os seus maiores sucessos, numa época em que já começavam a aparecer os CD. Nem me recordo exatamente o porquê, mas uma tarde um amigo fascinado por músicas ditas alternativas (nunca me faltaram amigos melómanos, mas nem sempre com gostos coincidentes com os meus) arrastou-me para uma pequena loja de discos no Bairro Azul, onde se entreteve um bom bocado a falar com o empregado. Enquanto isso, descobri aquele álbum duplo a um preço muito convidativo, e comprei na esperança de o conseguir passar para cassette - outra "relíquia" do passado - para ouvir no carro. O que nunca chegou a acontecer, mas o disco ouvi-o de fio a pavio muitas vezes, nos anos que se seguiram. O meu amigo saiu da loja de mãos a abanar, depois de encomendar uma das suas "pérolas".

"When I fall in love", na melodiosa voz de Nat King Cole, aqui numa cena do filme "Istambul" (1957), onde também contracenam Errol Flynn e Cornell Borchers (confesso que desta atriz alemã nem me lembro, mas a carreira dela foi breve, retirou-se no ano em que nasci...):


UM EXCELENTE FIM DE SEMANA PARA TODOS!

domingo, 11 de agosto de 2013

TERESINHA

Maria Bethânia é e sempre foi uma das minhas cantoras brasileiras preferidas. Lembro-me de uma das poucas "discussões" que tive com o meu avô ser sobre ela: segundo ele, a artista era tão feia, que devia ser proibida de cantar. Por essa ocasião ele já era velhote e viúvo, estava mais amargo do que sempre o conheci. Bem o tentei convencer do disparate que estava a dizer, que a beleza não tem nada a ver com a voz e, apesar de tudo, nem considerava Bethânia esse expoente de fealdade que ele dizia. Teimoso, continuava a insistir e a "discussão" parou por ali. Só muitos anos depois percebi que tentar mudar a mentalidade de homens de uma determinada época (ele nasceu em 1905), não faz o menor sentido - cresceu numa família burguesa, com convicções religiosas, políticas e sociais muito marcadas, a que uma (grande) dose de machismo não era alheia. Nada do que eu dissesse iria mudar a sua opinião... 

Simultaneamente, esta música faz-me lembrar umas férias de verão num parque de campismo de Lagos, quando andava na faculdade. Creio que em 1982. O grupo era grande, quase todos aos pares, fui com uma amiga. O meu último namorado descartara-me umas semanas antes ou coisa, mas ela ainda estava pior: a recuperar de uma depressão, após um casamento "relâmpago" de 3 meses seguido de divórcio. E se bem que acompanhássemos normalmente o grupo, algumas vezes percorríamos a pé o caminho da praia ao parque. E ela cantava várias músicas da Bethânia no percurso, entre elas esta "Teresinha" (só soube mais tarde como se intitulava), que me parecia muito próxima dos meus últimos desaires amorosos (sendo que o "não" nem sempre foi meu) - longe que estava do "príncipe encantado" do liceu e de conhecer aquele que "só me chamasse de mulher"!


De alguma forma, a amizade com essa minha amiga dura até hoje, se bem que atualmente não sejamos muito próximas. Mas a lealdade e o apoio em momentos menos bons nunca falhou, aconteceu que os rumos foram diferentes. Cada uma de nós encontrou o compagnon de route que nos faltava, mas certo é que longe também vão os tempos dos contos de fadas da nossa infância, que invariavelmente terminavam com a frase "casaram e foram felizes para sempre"...

post-scriptum - não sei se dá como contributo para o desafio lançado pelo Carlos no blogue "crónicas on the rocks", sobre canções de amor, mas esta seria a minha escolha!

Imagem da net.

terça-feira, 30 de julho de 2013

EM FÉRIAS DOUTROS TEMPOS...


... à séria, nunca prescindíamos de uma visita a este local. A foto é antiga (meados do século passado, segundo a legenda) e da net - há muito que desapareceram as azenhas. Mesmo assim - excetuando em dias particularmente movimentados e previamente estabelecidos - uma paisagem que sempre nos transmitia uma sensação de serenidade e descanso, para lá da própria beleza e do convite a uns mergulhos, quando as temperaturas estavam mais amenas...

Muitos banhos tomei neste rio, nem todos exatamente aqui: numa água sempre gelada, mas de uma transparência que nos permitia contar os seixos no leito do rio, se porventura o desejássemos.  Já em adulta e num fim de tarde com um grupo de amigos, resolveram ir todos ao banho. Friorenta, não fui. E foi a melhor opção, já que eles saíram da água refrescados, mas completamente picados por uns insetos que pairavam à tona d'água naquela hora.

A minha irmã está a programar uma visita àquelas bandas ainda este verão, já lhe "encomendei" uma fotografia atual do local onde fomos tão felizes noutros tempos. Sem recurso às técnicas de pesquisa da net, alguém sabe identificar o local?

post-scriptum -  se há "população" unida nesta terra, a das melgas, mosquitos ou insetos quejandos é uma delas: atacam tudo e todos de norte a sul, ontem como hoje, e são de uma ignorância tão crassa, que nem sequer sabem ler os rótulos de "repelente"!

ADENDA a 1 de agosto de 2013: Trata-se de Vilar de Mouros, nas margens do rio Coura, onde durante vários anos decorreu um festival de música com o mesmo nome, que tornou o local bastante conhecido dos portugueses mais jovens. Entre 1971 (1ª edição) e 2006 (última edição) foi palco de 11 festivais que reuniram artistas nacionais e estrangeiros. Nunca assisti a nenhum, mas a beleza do rio e daquela paisagem sempre me encantou. O primeiro a acertar foi o JP, via mail, logo seguido pela Rosa dos Ventos. Parabéns a ambos e obrigada a todos pela participação.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

POLICIAIS, EM SÉRIE...

Em criança e adolescente era vidrada em televisão: via tudo o que me deixavam ver! De desenhos animados a filmes ou séries, aos programas de culinária da Maria de Lurdes Modesto ou de decoração de France de Vasconcellos, ao cartaz TV de Jorge Alves, tudo o que viesse à rede era peixe. E os pontos altos do ano eram sempre o Festival RTP da Canção, o da Eurovisão ou os concursos de misses. Jogos Olímpicos, campeonatos internacionais de ginástica ou de futebol, patinagem artística, bailado, danças de salão, enfim,(quase) tudo marchava. 

Depois veio o 25 de abril e chateei-me da televisão... durante o período do PREC. Via uma coisa ou outra, mas a programação estava sempre a mudar, devido a debates, discussões políticas e mesas redondas que se prolongavam horas a fio, até fartar. Se lá para o final dos anos 70 e inícios de 80 me reconciliei com a TV, com as telenovelas brasileiras, "A Visita da Cornélia" de Raul Solnado e Fialho Gouveia ou, posteriormente, "O Passeio dos Alegres" de Júlio Isidro, também é certo que me tornei mais seletiva e o vício televisivo evaporou-se... 

Atualmente, quase não vejo! Um filme, se o apanho no início, o "Masterchef" australiano (que gravo, para quando tiver disponibilidade), "E Depois do Adeus" se estou em casa, um ou outro programa quando calha. Mas as séries chateiam-me à brava: umas já têm barbas, outras até parecem giras, mas continuam na semana seguinte?!? E lembrar-me do horário e canal? 

Vai daí que, se o verão não é grande espiga para cinema, para as séries policiais o AXN até teve uma boa ideia: repetir compactos de 5 episódios seguidos. É evidente que não há tempo nem pachorra para passar a tarde ou a noite a papar todos de enfiada, mas sempre se grava. Não é a falha de um que interessa muito - de "Castle" não perdi o fio à meada - mas pode ser que finalmente perceba o seguimento de "O Mentalista"...


Imagem da net.

sábado, 6 de julho de 2013

RACHACUCA

Os brasileiros têm expressões giras, esta da "cuca" é uma delas, com o significado de "cabeça", "tola", "mente" ou qualquer outro do género.  Que tanto quanto me lembro ouvi pela primeira vez na telenovela "O Casarão", que havia lá uma fulana sempre muito "encucada" (protagonizada por Renata Sorrah), que por sinal me chateava à brava, sempre com crises existenciais, conjugais e não sei que mais.

Mas do que recordo melhor da telenovela (e a introdução delas deu-nos a conhecer muito boa música brasileira) é este tema que acompanhava o reencontro entre as personagens principais, cujo amor contrariado pelas famílias determinara o seu afastamento - "Fascinação", na voz de Elis Regina:


Bom, pelo meio do enredo também havia um velhote com Alzheimer ou demência (não me lembro se especificavam ao certo), doenças essas que segundo alguns  entendidos se podem precaver exercitando a mente com problemas de lógica, sudokus ou outros. Se é verdade ou mito não sei, mas como não quero que vos falte nada, é aqui que entra este site de "RachaCuca", que tem jogos desses para (quase) todos os gostos. Igualmente brasileiro - portanto há que ter em consideração algumas diferenças linguísticas - pelo menos proporciona algumas horas de boa diversão, para quem aprecia este tipo de passatempos....

DIVIRTAM-SE!

Imagem da net.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

CINOFOBIA


Nunca tive medo de cães, não tenho qualquer fobia em relação a eles. Se desde pequena fui habituada a lidar com cães - a certa altura a minha avó tinha sete cães e um gato (e desse eu pelava-me de medo na época!) - depressa aprendi que cão que ladra também morde, num incidente a caminho da escola primária: ia com a minha irmã e uma amiga para as aulas da tarde, um cão da vizinhança desata a ladrar e a correr na nossa direção... até afinfar a bocarra na pernoca da nossa amiga. Sorte nossa, azar dela! Mas sem dúvida um episódio marcante...

Episódios com cães agressivos foram vários, uns mais caricatos que outros: lembro-me de um antigo namorado da faculdade, que sofria da fobia, a correr desvairado em volta de um carro com um minúsculo canídeo a tentar alcançar-lhe as canelas; da estúpida cadela de uma amiga me ter mordido o sapato durante um lanche, com receio que eu lhe roubar os ossos da refeição (explicação dos donos); de uma das minhas sobrinhas ter sido mordida pelo cão de outros miúdos conhecidos, enquanto brincavam; de outra amiga que mandou abater o cão, que um dia se virou a ela e lhe fez um lanho no braço, por ciúme da bebé que acabara de nascer (explicação da própria). Ou seja, são episódios esparsos, acumulados ao longo de anos, nenhum deles me faz ter receio destes animais. Embora costume estar atenta a cães desconhecidos.

Durante as mini-férias-algarvias-de-junho, assim que cheguei ao estacionamento da praia vi as alcachofras naquele tom lilás tão característico da primavera junina. Apesar de nem sequer estar muito virada para sessões fotográficas, lá saquei da máquina, tirei uma, cliquei no zoom para esta e ainda cliquei mais uma vez. Coisa de menos de um mínuto, acompanhado por um ruído estranho, depois transformado num nítido rosnar, acabou num cão a sair debaixo de uma auto-caravana próxima e a correr na direção das minhas pernas. OMG, mais do mesmo?!?

Nestas situações, grito que nem uma desalmada. É certo que os cães ficam mais excitados, mas se houver um dono por perto pode ser que os acalme. Mas do que me diz a experiência é que os donos consideram sempre o seu bicho de estimação tão querido, manso e fofinho, que raramente intervêm. A cena prolongou-se por vários minutos, comigo a gritar em stéreo e sem o deixar aproximar-se dos meus tornozelos - não, não era muito grande, o focinho dele apontava para aí - só o meu marido tentou acalmar-me, a uma certa distância. Como não parei com a gritaria (já tinha recuado vários passos, mas o raio do animal continuava a tentar morder-me), o dono acordou da sesta e lá disse da janela com imensa sabedoria, sem sair da auto-caravana: "Não mostre medo, que ele é manso!" "Muito!"- pensei vagamente no meio da confusão momentânea. Entretanto o meu marido já se estava a aproximar devagar, trazia o chapéu-de-sol ao ombro, aí o dono lembrou-se de chamar o amoroso canídeo: "Viens ici... VIENS ICI!" Obedeceu ao segundo chamamento.

Já vínhamos embora, quando o tanso dono de tão "mansa" criatura resolveu ainda dar-nos uma didática instrução sobre como lidar com cães: "É preciso calma e não mostrar medo!" Cansada de gritar, nem respondi. "Pois, mas o seu cão é que a tentou atacar, sem ela ter feito nada!" - respondeu o maridão.

Continuo sem a tal de cinofobia, mas ando a desenvolver outra em relação a donos de animalejos tão "estimáveis"...

terça-feira, 18 de junho de 2013

PODIA LÁ RESISTIR?

Embora nos últimos três meses e picos tenha tirado mais de 2500 fotografias - para experimentar a máquina, o zoom, os ambientes noturnos (ainda não acertei nestes) e tudo o resto - em que cerca de 20% ficaram muito aquém do efeito pretendido (para não dizer beruchas!), nesta breve passeata por terras algarvias decidi também dar algum descanso à máquina. E a mim própria, de caminho...

Claro que mesmo assim tirei algumas. Ia lá resistir à praia mais fotogénica de todo o Algarve? Ainda por cima naquele breve momento mágico e cor-de-rosa do crepúsculo?

Ou às alcachofras silvestres que crescem nas suas arribas e que tão bem contrastam com a vegetação em volta, com o azul do mar ou do céu ou a cor de areia dos rochedos? À conta destas ainda ia sendo mordida por um cão, mas essa já é outra história...

Noutro fim de tarde, também passámos pela praia de Albufeira, que me recorda sempre férias da minha adolescência. Se bem que esteja muito diferente do que era em tudo, exceto no recorte do penedo e das arribas.

As ruas de Albufeira continuam a parecer uma feira, pejadas de roupagem própria para a época balnear, óculos de sol, bronzeadores e havaianas, postais e outros recuerdos para turistas, a par de muito bricabraque. Para todas as bolsas, diga-se. E um número incontável de restaurantes, bares e esplanadas, estes habitualmente mais carotes.

Já alguém visitou o Algarve sem topar com o colorido das múltiplas buganvílias? Pois, embora as plantas também existam noutros locais do país, associamos sempre à zona.

A piscina estava longe da frequência dos meses de verão, de modo que os mais pequenos deixavam os seus brinquedos aquáticos espalhados por ali, era só ir usando quando desse vontade. Nesse aspecto os putos são muito democráticos, não se importam de partilhar os seus pertences com os outros, quando preveem que envolva brincadeira. Nem faltou lá o puto inlgês, loirinho e todo nu, com os braços e as costas a denotarem já um escaldãozito. Que "conversou" animadamente com outro português, mais moreno e bronzeado, mas de calção. Não sei como eles se entendiam, que a alguma distância só lhes via o acenar das cabeças e alguma gesticulação. Pior é que quando crescem são capazes de andar à guerra - por tudo ou por nada -  esquecendo esse entendimento e simpatia mútua...

Nesta curta estadia não deu para ir à "caça" da passarada nos seus habitats costumeiros ou migratórios, mas  este  melro andou a saltitar por perto. Uns cinco cliques depois, lá o "cacei"!

Bom, também não faltaram gaivotas nos arrifes, quer ao anoitecer...

... quer durante o dia. O rochedo é o mesmo embora possa não parecer, a gaivota suponho que não. Certo é que elas poisam muito naquele topo, que deve ter uma vista fantástica da paisagem que o rodeia.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

CAMÕES SAIU À RUA!

"Os Lusíadas - para toda a família" é uma obra concebida e executada por artistas de rua, vulgo graffiters, num extenso muro da avenida da Índia, em frente ao museu da Eletricidade.

A visibilidade do trabalho é reduzida para quem lá passa de carro, semi-camuflado por algumas árvores e arbustos, e suponho que igualmente para os residentes nas imediações, já que sendo via rápida só se atravessa para o outro lado em locais específicos.

Como a curiosidade mora aqui todos os dias, lá fomos espreitar. E fotografar. O dia estava cinzentão, mas não deixou de contrastar com o mural, como bem se nota.

Em pequena li "Os Lusíadas - contados às crianças", mas o texto original - por sorte ou azar? - nunca foi de leitura obrigatória no meu tempo de liceu. Quer dizer, foi para os alunos do ano anterior, no ano seguinte não sei, mas voltou a ser pouco depois.

Pessoalmente considero uma sorte, não só por ser avessa a leituras obrigatórias de textos de antanho, mas porque na época os professores o escolhiam sempre para exercícios, testes e exames gramaticais. Do ponto de vista de um aluno adolescente, há lá coisa mais chata que dividir orações n' "Os Lusíadas"?

Com a grande vantagem de ter apreciado os sonetos de Camões com muito mais gosto e vontade. Há "amores que ardem sem se ver"...

Apesar do parco conhecimento do grande feito de Camões - em miúda julgava que ele tinha vindo a nado da Índia até Lisboa, com um braço no ar para salvaguardar o seu livro - deu para perceber que o mural regista os episódios mais marcantes.

Imagino que seguindo cronologicamente o ritmo do livro, mas suponho que não exatamente correspondente a cada canto.  

Ah e tal, mas assim não é muito didático? Pois não será, mas os artistas de rua não têm de se substituir aos professores... O que não quer dizer que não incentivem mais a curiosidade dos moçoilos, do que professores  antiquados a insistirem na divisão de orações nos seus X cantos (se ainda os há!).


O mundo é assim sempre composto de mudança. mudando-se os tempos e as vontades, o ser e a confiança, tomando sempre novas qualidades, já referia o poeta nos seus versos. 

MAR e RAM foram os autores deste mural coletivo, que optaram por assinar com o tag ARM Colective 2013. Um modo original de dar a conhecer a grande obra de Camões, mais próxima dos jovens e do imediatismo dos dias que correm. Mas sem dúvida também um graffiti de grande fôlego, que considerei adequado para marcar o dia de Camões e de Portugal, que hoje se celebra.

BOM FERIADO E DIVIRTAM-SE!

sábado, 8 de junho de 2013

PASSEIO NO ELEVADOR DA GLÓRIA...

... sai caro, como a São evidenciou em comentário ao post onde o referi: 3,60 €, ida e volta por pessoa. Porque não dá hipótese de ser só subir ou descer, tem de se comprar logo o conjunto. Isto para quem não tem passe, quanto aos módulos não sei se tornam a viagem mais barata. Mas adiante: fomos à mesma, que nenhum de nós se lembrava qual foi a última vez que entrámos lá. Neste ou noutros - no de Santa Justa tenho apenas a vaga noção de ter andado uma vez, em miúda. E a esse também está programado ir, já que funciona simultaneamente como um dos miradouros da cidade, em geral, e da baixa pombalina, em particular.

A ideia de os vestir a condizer com as festas lisboetas foi brilhante: por um lado, porque os vândalos dos gatafunhos os têm como um dos seus alvos preferidos, que lhes deixaram muitas mossas e "cicatrizes" pavorosas; por outro, porque o projeto vencedor do concurso camarário, da autoria de Mariana Cidade, tem tudo a ver com a emblemática da cidade - azulejos e calçada portuguesa. A bem dizer, nunca vi tanto frenesim a fotografar elétricos e afins. E não era a única tuga  entusiasmada com os 'cliques', no meio dos turistas... 

Refira-se que o passeio em si é bastante curto, mesmo que o funicular circule a passo de caracol - nos dois sentidos. Certo é que, pelo que pude observar, vem muito mais carregado na subida do que na descida. O que tem toda a razão de ser, basta um pequeno tropeção numa pedrinha da calçada e é rebolar por ali fora, num instante se chega lá abaixo, sem ajuda de santo nenhum. Mais rápido, inclusive. E se o pavimento fosse menos irregular, até se podia fazer como nas pistas de neve: pôr um saco de plástico no chão, sentar o rabiosque em cima e, ala que se faz tarde, escorregar até aos Restauradores. (num desporto radical, ainda não suficientemente explorado!)

Voltando aos trajetos nos dois funiculares, mesmo com a mesmíssima "velocidade", na descida a viagem foi aprazível e à vontade, se bem que estivesse perto da lotação escarrapachada no interior (salvo erro, 22  lugares sentados e 11 de pé). Na subida já foi encher até fartar, não sei se pelo volume dos turistas (alguns bem grandes e fortes, para não dizer gordos!), mas de certeza que os viajantes duplicavam a lotação. Tanto que quando chegou lá acima o motor ficou a roncar um bom bocado... não sei se em protesto!

(embora ainda não tenha visto ao vivo, as "fatiotas" no elevador da Bica são estas, numa fotografia do facebook.) 
Lindas, também! 
  

quarta-feira, 5 de junho de 2013

RESPEITINHO...

Que o respeitinho é bonito e toda a gente gosta, não há dúvida! Mas então o que fazer quando a noção não é igual para toda a gente?

Em miúda ensinaram-me - de uma forma bastante elitista, diga-se! - que as mulheres da média e alta  sociedade deviam ser tratadas por "senhora dona" não sei das quantas. E se por acaso tinham algum grau académico, o doutora ou engenheira também deviam figurar no tratamento cerimonioso. Às mulheres do povo ficava reservado só o "senhora" ou só o "dona". Distinção difícil para qualquer criança, se bem que com exemplos práticos, do tipo a professora primária faz parte da "elite", a leiteira ou a mulher que vende hortaliça na praça não. 

Nunca percebi bem o ensinamento, até porque duas das minhas avós (fui uma sortuda, porque tive três!) eram mulheres do povo. Mas acatei! Vale que não as tinha de tratar por nada para além de avó, a vovó era só uma - e da qual tenho uma imensa saudade...

Facto é que à medida que os tempos evoluem, essas "regras" de tratamento vão mudando. Já houve uma época de "tias" postiças e tudo! Pessoalmente, prefiro que me chamem pelo nome próprio ou por Teté (para quem conhece o diminutivo), sem "encavalitar" mais nada. Mas também ainda existem mulheres que se enxofram se não o acham adequado. E para os dois lados: umas porque faltaram os substantivos, outras porque os consideraram a mais!

Uma amiga defrontou recentemente uma cena caricata, ao falar com uma mulher desconhecida e uns 20 mais idosa, sem esquecer a forma "educada". E a conversa esfriou logo ali, que a fulana julgou que a estava a chamar de VELHA! E então, como se consegue não ofender ninguém?!?

terça-feira, 4 de junho de 2013

E A NOSSA FEIRA POPULAR?

Todos os anos, sem exceção, uma ou duas visitas à Feira Popular de Lisboa estavam garantidas, normalmente à noite, para jantar umas sardinhas assadas. Não era prato que eu e a minha irmã em miúdas apreciássemos (os gostos mudam com o tempo!), mas ficávamos sempre entusiasmadas com a saída noturna raríssima - e a perspetiva de darmos uma voltinha nos diversos divertimentos.

Note-se que não íamos a todos, tínhamos de escolher entre "A Selva"" ou o "Comboio Fantasma", posteriormente entre a "Roda Gigante" ou a "Montanha Russa", mas a volta no carrossel das bolas nunca faltava. Nem o algodão doce ou as farturas. Nesses tempos de criança e adolescente transformava-se numa noite mágica, cheia de luz, cor, música e animação. Era o arrepio daquelas "teias de aranha" que nos  roçavam a cara na escuridão de um dos comboios, as "bruxas" já automáticas que nos prediziam o futuro, a vertigem de ver lá do alto as luzes cintilantes da nossa cidade e a tentativa (por vezes falhada!) de acertar um soco nas bolas do carrossel, entre tantas outras aventuras.

Nos anos que se seguiram passeei, namorei, almocei, jantei, petisquei e convivi com amigos e familiares naquele espaço tão popular. Aprazível, apesar de alguns problemas logísticos notórios. De igual modo, o filhote e três das quatro sobrinhas partilharam o nosso entusiasmo de outrora pelas várias diversões - até andei na "Lagarta", a acompanhar! A sobrinha mais nova já não teve tanta sorte...   

A nossa Feira Popular encerrou portas há 10 anos - numa negociata camarária pelo terreno de Santana Lopes e de Carmona Rodrigues com um indivíduo de Braga, que tinha um projeto para construção de edifícios no local, mas o dito fulano foi suspeito num processo de corrupção (quer dizer, mais que suspeito, foi condenado a pagar uma multa irrisória para o seu bolso, que a justiça portuguesa é branda nestes casos!)  - e até hoje estão por cumprir as promessas de reabertura de uma nova Feira noutro local. 

Consta que o terreno vale milhões, mas excetuando breves incursões de circos natalícios, está abandonado e ao deus-dará  desde 2003. Assim... não vale nada! E em ano de eleições autárquicas era bom que os candidatos à presidência da CML pensassem na solução para o problema. Sem promessas vagas e falsas...

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H A P P Y   B I R T H D A !
Para a minha mana (quase sempre acompanhante nessas "noitadas" da Feira Popular) 
e para a  Ana, aka Vani, amiga destas lides blogosféricas. 


Imagem da net.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

FLORES VERMELHAS TAMBÉM TÊM ESPINHOS...

A 29 de abril de 1974 regressei ao liceu, depois de ter passado o dia 25 e 26 de cama com febre, devido a uma otite. Ainda hoje a coincidência de ter adoecido naqueles dias me chateia: o pais em revolução e a totó aqui sem suportar ouvir o mínimo ruído, já que os que lhe latejavam no ouvido pareciam a caminhada de um elefante dentro da tola? Enfim, a minha mãe lá me medicou com os remédios do costume (longe de ser a primeira vez que padecia do mesmo mal), na segunda-feira seguinte voltei às aulas.

Estava entusiasmada com o regresso! A minha irmã já me tinha contado que a malta estava em festa, especialmente porque o horroroso contínuo da PIDE (um tal de Esteves) desaparecera dos pátios, para alívio de todos: já não havia lá ninguém para estraçalhar as bolas de futebol dos putos com o seu canivete, enquanto acompanhava a "façanha" com um risinho sádico estampado no rosto.

Certo é que a alegria continuava a pairar no ar, alguns alunos e professores ainda ostentavam os cravos vermelhos ao peito. Mas como a vida nunca acontece tal como a prevemos, o primeiro impacto não foi o mais agradável - um dos meus colegas de turma, que dava pela bela alcunha de "Salsicha", com um cravo meio murcho dependurado na lapela, atirou-me logo à queima-roupa e perante um grupo de outros curiosos: "Porque é que não vieste às aulas?"  Lá balbuciei que tinha estado doente. E o parvalhão riu-se, acrescentando: "Ah, julgávamos que tinhas fugido para o Brasil, como os fascistas!" A que propósito é que tinha(m) tirado aquela conclusão precipitada, se ainda por cima a minha irmã - que não era da mesma turma, mas tinha aulas no mesmo pavilhão e turno - andara por lá como sempre? Claro que os meus amigos não ligaram nenhuma ao excesso revolucionário do "Salsicha", mas eu detestei aquele preâmbulo.

Contudo, as más surpresas ainda não tinham terminado. Nesse ano calhou-nos em sorte (ou melhor dizendo, azar!) o pior professor de História que tive na vida. Tinha um bigode farfalhudo e os seus trinta e muitos anos, nunca olhava os alunos nos olhos preferindo olhar para o teto e as aulas eram passadas a ler o livro da disciplina. Perguntava no início de cada aula: "Que dia é hoje? 29? Então o nº 29 que comece a ler o livro na página 70." Quando o aluno denotava na voz o cansaço da leitura em voz alta, chamava o 9, depois o 19 e o 39 (sim, éramos cerca de 40 alunos), até soar a campainha. Nesse dia foi diferente: fez um longo discurso sobre "a longa noite fascista", de quem ele próprio tinha sido um feroz adversário e blablablá. E qual não foi o meu espanto quando os meus colegas se levantaram para aplaudir o homem, como se ele fosse o herói que desejava protagonizar. Quer dizer, mesmo que fosse verdade, isso dava direito ao professor não ensinar rigorosamente nada? Como é óbvio, nas aulas seguintes voltou ao seu  "maravilhoso" método, mesmo que a dita "longa noite" já tivesse passado...

Para rir só o facto de, muitos anos volvidos, o dito "Salsicha" comentar na página do liceu do facebook  - num dia 25 de abril - que aderira à revolução desde a primeira hora e que ele e os outros elementos do movimento que integrara (se bem me lembro, não referiu que eram os "camaradas" do MRPP), terem tido um papel fundamental na luta contra fascistas e comunistas. Epá, aos 14/15 anos ainda se percebe aquele súbito entusiasmo revolucionário, agora aos 50 e tais gabar-se desse seu "precioso contributo" raiou o anedótico. Oops... será que na volta até fui uma das suspeitas que confrontou "heroicamente"?

quinta-feira, 11 de abril de 2013

PERNAS DE PERU ASSADAS NO FORNO

Nunca gostei muito de peru, possivelmente por rescaldo de outras eras, em que ele comparecia anual e pontualmente à mesa do almoço do dia de Natal, para repasto dos poucos convivas familiares - a família que residia em Lisboa era reduzida. E o peru grande. E recheado com castanhas ou outros ingredientes e temperos. Em suma, sobrava sempre imenso e a semana seguinte era passada a comer os "restos" do bicho, de várias formas e feitios, mas mesmo assim de no final já não suportarmos o seu paladar, por mais disfarçado que fosse. 

À exceção de uns bifinhos de peru panados, comprados no "pronto-a-comer" em dias que escasseava tempo para cozinhar, nunca mais o bicho entrou cá em casa. Mas mais recentemente provei e gostei de um bom pernil, resolvi experimentar. A minha amiga não tinha a receita - a empregada é que costuma temperar - mas o facto não acanha ninguém que esteja habituado a cozinhar. Ainda por cima quando os livros de culinária abundam e a "maior enciclopédia do mundo" está à distância de um clique. Mas cá vai a receita experimental, à la Teté:

Ingredientes (3 pessoas):
2 pernas de peru (com cerca de 450 gramas cada)
1 cebola grande
3 dentes de alho
1 chávena de chá de vinho branco
1 folha de louro
Azeite, sal, pimenta, colorau e piri-piri em pó q.b.

Lavam-se as pernas de peru e faz-se uma vinha d'alho com vinho branco, alhos, sal, pimenta, colorau e  piri-piri, barrando-as bem de ambos os lados e deixando-as marinar um bocado.
Cortam-se as cebolas em tiras de meia-lua e forra-se o fundo de um pirex (ou tabuleiro) de ir ao forno. Depositam-se as pernas nessa "cama" de cebola, dá-se-lhes um corte (esqueci-me, mas emendei posteriormente), regando com a vinha d'alho e com o azeite, juntando a folha de louro.
Vai ao forno a 200º. Ir espreitando, mas virar as pernocas uns 25/30 minutos depois. Se necessário, juntar um pouco mais de vinho e/ou água, para o molho não secar. Deverão estar prontas a comer cerca de uma hora depois, dependendo de se preferir a carne mais cozinhada ou mais rosada. O acompanhamento é à vontade do freguês - arroz, esparguete, esparregado, legumes, batatas fritas, cozidas, assadas ou whatever.

Fácil, barato e uma delícia para o paladar! Bom apetite... para o jantar!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

SÉRIES INTEMPORAIS?

Na sua edição de 23 de março, o semanário "Expresso" publicou um artigo intitulado "50 séries que toda a gente deve ver", numa seleção realizada pelo críticos da "casa", declaradamente subjetiva (como só pode ser), seguindo critérios que "deram ênfase à qualidade cinematográfica, à originalidade dos argumentos, ao brilhantismo das interpretações, à capacidade de mudar a forma como se vê televisão e ao impacto provocado junto ao público".

Embora nos últimos anos não siga muito a programação televisiva - uma vez que não há tempo para tudo, tornei-me mais seletiva - na minha modesta opinião, e em relação às séries de comédia, a memória dos críticos foi fracota. OK, é possível que não seja coincidente e atualmente  algumas estejam um pouco "datadas", mas ninguém me tira as gargalhadas que dei com estas (em que só uma consta na lista do jornal):  

Seinfeld

Allô, Allô!

Viver no campo

Fawlty Towers

Cheers - Aquele bar

Black Adder

Soap

Alguém se lembra de cada uma delas ou é só o meu sentido de humor que está desfasado com o dos críticos do semanário? E já agora, quais foram as vossas séries de comédia preferidas?

ADENDA a 5 de abril de 3013  - todas as legendas a azul; obrigada a todos pela participação, e parabéns à Papoila, que identificou e nomeou todas as séries.

Imagens da net. (o que logicamente dá lugar a pesquisas, mas não é essa a questão...)

quinta-feira, 21 de março de 2013

JÁ PLANTARAM UMA ÁRVORE?

Eu já! Há muitos anos, com a ajuda do meu pai, eu e a minha tornámo-nos "jovens agricultoras" e semeámos uns pinhões num vaso do jardim da minha avó. Todos os domingos íamos visitar os meus avós e regávamos o vaso, não sei se ela também o fazia ocasionalmente quando o tempo estava mais seco. Certo é que três germinaram e foram crescendo no vasinho, até ser necessário passá-los para a terra. Essa foi decisão do meu pai, porque obviamente duas catraias de 7, 8 ou 9 anos de idade não percebiam patavina do assunto. 

A casa e o jardim eram arrendados ao ano, primeiro para passar as férias de verão e alguns fins de semana - desde que a minha mãe era miúda - depois do meu avô se reformar passou a ser residência definitiva de ambos. Mesmo após a enorme aflição das cheias de 1967, pois a casa situava-se na região mais afetada e nesse fim de semana eles estavam lá - para quem não sabe ou se lembra do dramático acontecimento, podem ler uma breve resenha neste post da São. (desculpa não ter pedido autorização atempadamente para  linkar)

Facto é que eles adoravam viver no campo e prevendo a possibilidade de algum dia a senhoria precisar da casa para outros fins, o meu avô comprou um pequeno terreno ao lado, na intenção de um dia mandar construir a sua própria moradia, igualmente com jardim. Como este país sempre teve os mesmos problemas de burocracia e planos diretores municipais pouco transparentes e incompreensíveis, a câmara de Loures não permitiu a edificação, porque o terreno era considerado rural. Como é que a outra paredes meias foi construída? Mistério! (ou talvez não, que autarcas pouco escrupulosos também não são só os atuais!)

Entretanto, para não desaproveitar de todo o terreno, mandaram plantar lá umas oliveiras, umas poucas árvores de frutos e umas vinhas, ainda sobrava espaço para o meu pai se dedicar a uma pequena horta onde plantava batatas, abóboras, morangos, couves, enfim, o que ele lá ia tentando ver se dava (nada a ver com a sua profissão, mas suponho que servia de escape ao seu dia a dia de escritório, reuniões e tal). E claro que foi nesse terreno que os ainda incipientes pinheiros foram plantados, mais ou menos distantes uns dos outros, porque na sua modesta auto-aprendizagem de agricultura já percebera que as plantas não se desenvolvem igualmente no mesmo solo.

O resultado foi espantoso: o pinheirinho mais desenvolvido cresceu bastante até certo ponto, mas estava num local bastante soalheiro, às tantas as carumas começaram a ficar queimadas e acabou por fenecer; o que já tinha acontecido ao segundo, parcialmente à sombra de uma das oliveiras; o terceiro, aquele que à partida nos parecera o menos resistente, plantado lá mais para o meio do terreno semi-baldio, sem sombra e com o mesmo Sol, resistiu e cresceu, sendo mais tarde replantado no jardim da minha avó, até se tornar uma árvore possante e frondosa, que deu pinhões durante muitos anos e bons. (chato era parti-los um a um, evidentemente!) 

Moral da história? Não tem nenhuma, a história é verídica, tanto quanto me recordo. Mas como na altura ainda ia à missa, sempre que o padre contava a parábola das sementes lançadas à terra, lembrava-me dos nossos pinheirinhos...

§ - Não sei o que aconteceu ao pinheiro, à casa ou ao jardim (só que mudaram de proprietário), o terreno sei que foi vendido por "tuta e meia" depois da morte dos meus avós. Como a urbanização (clandestina) em redor cresceu brutalmente, a câmara de Loures posteriormente requalificou a zona e decidiu que afinal era urbanizável, mas seria destinado a um parque infantil. O que creio que nunca se chegou a verificar...

Imagem do facebook.

segunda-feira, 18 de março de 2013

REPUTAÇÃO MANCHADA....

Recentemente reencontrei a Guida, uma antiga colega, no cabeleireiro. E por antiga entenda-se que foi das primeiras amigas que tive na vida, ainda nos tempos da pré-primária. Mais tarde também frequentámos o mesmo ciclo preparatório e liceu, por coincidência a minha irmã também foi colega de turma da irmã dela. Enfim, mas amigas fomos nesses primórdios, porque sendo ela muito mais sossegada do que eu, um pouco mais crescidinhas já não tínhamos as mesmas brincadeiras -  maria-rapaz não combina com menina-que-brinca-com-bonecas.

Já não nos víamos há alguns anos, cumprimentámo-nos como habitualmente. Ia perguntar como estava a mãe, a irmã e a filha (que não conheço), na sequência de semelhante interesse dela em relação à minha família, quando indicou a mãe, de cabeça toda branca, lá sentada numa cadeira enquanto a cabeleireira a pulverizava de laca e a irmã, na cadeira ao lado, a quem a manicure dava os últimos retoques nas unhas. Ora a irmã já não reencontrava desde que acabei o liceu, ou por aí! Foi uma segunda "festa", com breves recordações da viagem de finalistas dessa época e da malta que nos tinha acompanhado.

Depois, educadamente, dirigi-me à mãe, para a cumprimentar também. E a Guida, solícita, pergunta-lhe: "Oh, mãe, lembra-se da Teté?" A senhora, sorridente, acenou que sim e sai-se com esta: "Ah, a Teté, aquela que obrigou a tua irmã a trepar a uma árvore... sim... lembro-me!"

Ficámos as três estáticas, a olhar umas para as outras. Recordei vagamente o episódio, que me foi relatado mais tarde, que aconteceu realmente, mas com a Guida, quando ambas tínhamos 4 ou 5 anos de idade... Bom, elas lá tentaram (e conseguiram) mudar o rumo das memórias da mãe, que não tinha sido exatamente assim. Facto é que a recordação mais marcante que deixei na senhora continua essa, o que não admira muito, já que a minha tropelia determinou que a filha não quisesse voltar mais à escola. O que também se resolveu a contento de todos na época: um raspanete e a proibição que me foi dirigida de voltar a "obrigar" outros alunos a trepar à árvore do recreio, foi suficiente... 

Devo esclarecer que o "obrigar" era muito relativo, já que a Guida era (e continua a ser) bastante mais alta que eu: inventei uma história qualquer - imagino que com bruxas ou varinhas de condão - que exerceu nela a poderosa "vontade" de trepar árvore acima... Mas agora, como volto ao cabeleireiro com a reputação manchada desta maneira?    

Imagem do facebook.