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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

UM FRIO DE RACHAR

Fotografia de Ian Britton

Está mesmo, mas para constatar isso basta pôr o nariz fora da janela, sem mais conversas. O que me intriga mesmo é a origem da expressão, que tentei pesquisar na net, em vão. O significado todos sabemos que é o de "muito frio", mas porquê rachar?
À partida associei ao rachar da lenha no Inverno e aos lenhadores (dos contos infantis e não só!) que tinham essa tarefa, para alimentarem fogões, fornos ou lareiras que permitiam aos povos sobreviver mesmo com baixas temperaturas, num tempo em que Edison ainda nem sonhava em nascer. Já os imaginava a sair de casa de machado ao ombro, enquanto avisavam a famelga que "está um frio de rachar (lenha)", que toda a vizinhança agradecia. Um cowboy também serve para a imagem, embora esses às vezes apareçam nos filmes em tronco nu, a exibir a musculatura, sem sombra de qualquer incómodo devido à temperatura ambiente. Adiante! Dessa explicação, que inicialmente me parecia tão óbvia, não encontrei nem vestígios...
Longe de não reconhecer a facilidade da informação via net (com todas as Wikis, incluídas), convenhamos que nem sempre é isenta e fiável. O que descobri é que uma frase tão comum na língua portuguesa - mesmo que de origem incerta - recebe título de regionalismo tanto numa aldeia recôndita de Portugal, como assume  foros de gíria gaúcha ou portoalegrense, no lado de lá do Atlântico. Se bem que aqui já tenham acrescentado (ou mantido) "os beiços" - faz sentido, mas será a fórmula original ou alterada pelo tempo?
Claro que ainda existe a vaga hipótese de ser um estrangeirismo qualquer, mas quem souber a resposta para esta questão faça-me o favor de esclarecer, sem "bairrismos", que estas saloíices de quem "inventou" a expressão tiram-me logo a vontade de investigar mais...
Resumindo: está um briol do caraças! 

domingo, 5 de setembro de 2010

FARNIENTE...

... é uma palavra italiana que gerou uma grande discussão entre amigas, em tempos! Sem dicionários ou internet para clarificar a diferença entre o "não fazer nada" ou momentos de "lazer", sendo que ninguém era realmente entendida na língua dos romanos...
Ultrapassada essa dúvida, só resta admitir que o "dolce farniente" acabou por estas bandas, agora é meter mãos à obra, embora ainda paire música no ar:


Por outras palavras: 
TENHAM UM BOM DOMINGO!

terça-feira, 25 de maio de 2010

EM AÇÃO!

Já está em ação uma formação obrigatória para jornalistas, que dentro em breve vão passar a escrever segundo as regras do acordo ortográfico de 1990. Outras se seguirão, em empresas públicas ou privadas, no ensino será mais tarde. Em 2015 entrará totalmente em vigor.

Nos "bons velhos tempos" - como alguns teimam em apelidar os primeiros 74 anos do século passado - foram aprovadas várias reformas neste domínio, para actualizar a língua viva, conforme os seus falantes se pronunciavam. A primeira em 1911, surgindo outras em 1931, 1945 e 1973. A de 1945 foi acordada com o Brasil, ninguém se indignou por isso. Apesar de sempre se levantarem algumas vozes discordantes, passaram a vigorar sem grande preocupação das populações em geral.

Actualmente, os "iluminados" da escrita são tantos como os treinadores de bancada ou da sofazada lá de casa. Podem não saber alinhavar duas linhas seguidas sem dar inúmeros erros ortográficos ou gramaticais, inventar novos léxicos, usar estrangeirismos, suprimir acentos ou hífens! Ah, foi erro de digitação, o teclado estava marado ou as pressas. Oh, pra mim, a acreditar... A liberdade e a democracia têm destas contradições, muitos dos grandes opositores ao "novo" acordo ortográfico (um acordo com 20 anos não é velhinho, quase a cair da tripeça?!), mal sabem escrever e nunca se deram ao trabalho de o ler. Mas são contra!

Ah e tal que estou armada em doutora?! Nada disso, também dou erros, tal como toda a gente. E vou ter várias dúvidas, mas nem por aí gostaria de voltar aos arcaísmos da escrita do século XIX. A língua é viva e sofre alterações constantes. E com tantos problemas mais prementes em Portugal e no mundo, não me parece que seja um C, que não se lê, que motive as minhas ações. (leia-se "causas", que das bancárias estou sem!)


Imagem da net.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

VOLTANDO AOS PATOS...

Aqui há uns dias escrevi que costumava "cair como uma pata" nas mentiras do 1º de Abril, mas que não conhecia a origem da expressão, agradecendo antecipadamente a quem soubesse que informasse.

A Teresa e o Rui da Bica avançaram com algumas hipóteses, mas recebi outra por mail, que reza mais ou menos o seguinte, presumindo que o brasileiríssimo "pagar o pato" tem o mesmo significado: "A expressão deriva de um antigo jogo praticado em Portugal, em que se amarrava um pato a um poste e o jogador, montado num cavalo, deveria passar rapidamente e arrancá-lo de uma só vez do poste. Quem perdia é que pagava pelo animal sacrificado. Assim passou-se a empregar a expressão para representar situações nas quais se paga por algo sem obter um benefício em troca." Conclusão saída deste link internético.

Não fiquei com nenhuma certeza, até porque parte da história do Rui sobre Renato Canini é verídica, ainda não consegui indagar até que ponto, porque existem outros floreados de permeio, gentilmente "apagados" por todos os que não desejam denegrir a simpática imagem de Walt Disney...

(Obrigada, Michel!)

quinta-feira, 1 de abril de 2010

CAIR COMO UMA PATA!

Fotografia de Ian Britton

Não conheço a origem da expressão "cair como um pato", que aliás deve ser algo burilada, como as de "estar fresca que nem uma alface" (porquê esse legume e não um outro qualquer?) ou "ser esperta que nem um alho" (não me parece grande esperteza acabar no tacho!), entre tantas em que a língua portuguesa é pródiga. Adiante!

Vem isto a propósito do dia das mentiras! Ora se ninguém mentisse, até teria piada tentar descobrir as alheias em jeito de comemoração anual. Como está longe de ser o caso, a sugestão óbvia seria a de que o calendário apontasse uma data fixa para só se ser sincero e verdadeiro. Talvez fosse duro de encaixar, mas pelo menos sempre era uma variante...

Traumatizada por cair sempre como uma pata nas mentirolas do 1 de Abril - já li algumas na blogosfera, ai, ai! - tentei concentrar-me para não duvidar de tudo e de todos. Enfim, depois logo se vê quem foram os brincalhões.

Mas se alguém souber a origem da expressão, que faça o favor de alvitrar!

(Ah, e não, não vou para fora de fim de semana prolongado, como alguns sortudos!!!)


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O CABRA!

Para além da Justiça da sentença, este palavrório dá alguma justificação do porquê de não assinar petições contra o "novo" acordo ortográfico...


Recebido por mail.
(obrigada, Michel!)

terça-feira, 20 de outubro de 2009

ATRAIÇOADA...

... é como me sinto após ler este livro, que nem sei como me veio parar às prateleiras! Em abono da verdade, não o li todo de "fio a pavio", porque alguns pontapés na gramática são sobejamente conhecidos.

Lauro Portugal - pseudónimo de um ex-seminarista, ex-bancário, músico, jornalista, escritor, poeta, professor e sei lá mais o quê (segundo a contracapa do livro e a net) - esmiúça as calinadas que vários jornalistas, escritores, políticos, professores universitários, humoristas, cantores e restantes artistas da nossa praça dão com maior frequência, na linguagem escrita ou oral. Mesmo que a pretensão seja digna e o tom irónico, convenhamos que é necessária uma certa arrogância para andar a corrigir palavras alheias...

A Gramática Portuguesa sempre foi uma velha inimiga figadal... ai ... fidagal (mais correcto, embora também me indisponha o fígado) desde os tempos de escola e a dor de cabeça com o que - integrante ou relativo? -, plurais que me punham aos papéis e outras regras que tais, mas tento escrever e falar o melhor que sei e posso! Mas lapsus linguae (um palavreado em latim, para referir 'lapsos da língua' dá sempre jeito, certo?) acontecem a todos, não é?

A partir do momento em que vislumbrei o nosso país mudo e quedo, em que só três ou quatro vozes impolutas de erros gramaticais se podiam fazer ouvir ou ler, desisti! Por muitos assuntos relevantes que Lauro Portugal, Agustina Bessa-Luis, Edite Estrela ou Inês Pedrosa, entre outros intelectuais não explicitados, pudessem ter, já viram o tédio?!

"Em boca fechada não entra mosca", mas é preferível engolir algumas... e manter a comunicação!!!

domingo, 20 de setembro de 2009

IR PRÒ MANETA

O ensaio de Vasco Pulido Valente baseia-se em inúmeros relatos de um período tenebroso da História de Portugal - daí 109 páginas contarem com 185 notas de rodapé - onde conclui que foi a revolta do povo que libertou "nove décimos do país" dos exércitos de Junot, "antes de Wellington (ainda Wellesley) pôr o pé em terra".

Quando as tropas napoleónicas invadiram Portugal em 1807, a família real, o governo e os elementos mais proeminentes da sociedade portuguesa zarparam para o Brasil, deixando a restante população à mercê de um invasor com fama de invencível, violento e ganancioso. Mas se, de início, Junot avançou pelo território sem entraves de maior, a revolta do povo - até por uma questão de sobrevivência - não tardou em surgir! Salvo raríssimas excepções, "as 'classes superiores à populaça' permaneceram prudentemente em casa. De porta fechada." Contudo, o general desvalorizou esta revolta pensando poder reprimi-la através de operações policiais. O que não se verificou!

Milhares de paisanos, "com paus e piques e a rara espingarda raramente nas mãos de vocações naturais" ou qualquer foice a jeito, fizeram retroceder as tropas de Loison numa guerrilha constante e eficaz, atacando os flancos e a retaguarda da sua coluna, que sofreu baixas significativas. Este general, que não tinha um braço, decidiu então retaliar na população civil, gabando-se das suas proezas militares, que consistiram em saquear, arrasar e incendiar "aldeias inteiras para punir actos de hostilidade", matando todos os homens, mulheres, crianças, velhos ou inválidos que encontrasse no caminho. A extraordinária crueldade dos seus métodos motivou que a "locução 'ir para o maneta' se [fixasse] perenemente na língua" portuguesa.

Durante três longos meses de chacinas, o povo (então já auxiliado por elementos de outras classes sociais) resistiu e perseguiu os invasores e todos os suspeitos de colaboracionismo - muitas vezes bastante injustamente, não isento de vinganças pessoais sobre os anteriores opressores (leia-se, "no senhor da terra, no rendeiro, no magistrado e no pequeno comerciante (e usurário).")

(Junot acabou por negociar com os generais ingleses a sua retirada do território nacional, na denominada "Convenção de Sintra", tendo-lhe sido permitido levar consigo grande parte do saque efectuado.)

CITAÇÃO:

"A nobreza colaborara com o invasor, o episcopado colaborara, o grande funcionalismo colaborara. Apenas o 'povo' nunca se tinha rendido, e aprendera à sua custa que a traição às vezes morava, ou quase sempre morava, em altos lugares."

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

QUEM ME DERA SER MOSCA!

Há frase mais estranha e estúpida do que esta? Quem me dera ser mosca?! Está bem que as pessoas não querem mesmo ser moscas ou qualquer outro insecto, a expressão refere o interesse em estar num local onde decorre um encontro entre duas ou mais pessoas, e ouvir todas as conversas relevantes, sem ser notado. Em suma, cusquisse pura e simples (e confessada), ao nível do velho voyeur de binóculos nas praias de nudismo. Ou curiosidade mórbida, posta em prática por todos os paparazzis deste mundo.

Mas mesmo que a malta se pudesse transformar em mosca, sempre que a curiosidade morde, a mutação poderia causar-lhe graves problemas, como por exemplo:

- é duvidoso que estes insectos tenham um sistema de audição semelhante aos humanos, de modo que mesmo se zanzasse por ali em redor dos seus focos de interesse, podia não perceber patavina da conversa; facto é que quando dizemos "vai-te embora, melga!", raramente ela nos entende e continua com o seu irritante zum-zum a massacrar-nos os ouvidos;

- os perigos seriam muitos: nunca se sabe quem podia dar uma dundunzada no ambiente ou brandir um mata-moscas; aliás, uma simples mão serve - como Obama já conseguiu provar; incauta, podia ainda enredar-se numa teia de aranha, até esta chegar para o jantar - ela própria; e que dizer daquele azul tão atraente dentro daquela mimosa gaiolinha? Uma espreitadela de perto e FRISCKSSSIXZ, lá vai ela para o "outro mundo" das moscas, fulminada! E depois, como é que a mosca morta volta atrás, preferindo afinal ser humana e viva? Ah, pois é, é preciso pensar em todas as consequências, antes de se desejar ser mosca só para saber das fofocas...

Mas voltando um pouco atrás, um dia destes enviaram-me um mail, que me parece o local ideal para as estrelas de cinema e todos os VIPs irem passar férias. Uma praia num paraíso oriental, muito tranquilo em relação à aparição de paparazzis, voyeurs, ou até moscas (que não cabem). Difícil é descobrir o Wally... quer dizer, o banheiro! Deixo a imagem deste mar paradisíaco, mas escusam de morrer de inveja, OK?

Fotografia de autor desconhecido, de uma praia da China
(Obrigada, Palicha!)

FIM DE SEMANA TRANQUILO PARA TODOS!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

VERGONHA NA CARA?

Fotografia (e composição) de Ian Britton

O jornalismo tem regras. Muitas. Quem, quando, o quê, onde, como e porquê são as básicas para escrever qualquer artigo. Para conseguir obter a notícia tem de se falar com todas as partes envolvidas, para manter a isenção necessária, mas nem todos concordam em prestar declarações. Adjectivação, opinião própria ou só uma "piadola" relacionada com o assunto não contribui em nada e o mais certo é algum chefe de redacção ou editor riscar com a caneta (de qualquer cor) esses (des)interessantes arroubos de jornalistas imaturos. Que não faz parte da "linha editorial" e está a andar! Eventualmente, podem-se acrescentar algumas informações adicionais, mas mainada!

Em Portugal, o jornalismo de isento passa a cinzento! Excepções existem algumas, em cronistas mais notáveis (ou notórios?), tal e qual verdadeiras estrelas neste circo. E esses têm liberdade para teclar o que lhes dá na real gana, mas por vezes estão vergados ao poder político, ao patrão, aos partidos, sem os quais não tinham sobrevivido na profissão. Murros na mesa? Nada! Uma criticazinha leve e é um pau!

Daí ser tão bom ver e ouvir indignações como esta, sem papas na língua, que os jornalistas não são iguais em todo o mundo...



Caso idêntico ao que chegou aos jornais portugueses, mas, sabe-se lá porquê, nunca teve desenvolvimento! Se alguém souber, que elucide...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

EXPRESSÕES CORRENTES...

Fotografia de Ian Britton

Anacleto abriu o coração a Belmira, confessando-lhe que ela era luz dos seus olhos, mas que de momento estava com uma pedra no sapato: Custódio, o seu chefe, mandara-o baixar a bola e, gritando a plenos pulmões, tinha-o recambiado para outro local de trabalho, lá para trás do Sol posto, onde Judas perdeu as botas.

A moça, gaiteira e lampeira, respondeu-lhe:

- Escusas de ficar com essa cara de caso, que o que ele quer sei eu! Ou julgas que não o vejo a lançar-me olhos de carneiro mal morto? Dor de cotovelo, é o que é! Nem que arranque todos os míseros cabelitos e me prometa mundos e fundos, já sabe que vai levar com um balde de água fria! Nem nunca dei troco áquele desgraçado!

- Mas agora o que fazemos? - perguntou ele, com a cabeça nas nuvens e batendo na mesma tecla - Ele tem a faca e o queijo na mão...

- Ora, não penses que tens as mãos atadas, ele é que vai ficar com as dele a abanar. Mais logo vou conversar com a minha amiga Daniela, ponho as cartas na mesa e os pontos nos is, vais ver que ela dá uma mãozinha e conta tudo à prima Emília, que já se sabe que gosta de dar com a língua nos dentes, rebeubéu, pardais ao ninho, chega aos ouvidos do Felismino, seu pai e vosso patrão. E sim, ele também não é flor que se cheire, parece que acorda todos os dias com os pés de fora, mas não confunde alhos com bugalhos. Aposto que sei quem sai com o rabo entre as pernas!

E, assim, Custódio tirou o cavalinho da chuva e foi pentear macacos!

quinta-feira, 12 de março de 2009

CRÓNICAS DA GUIDINHA

Fotografia de Ian Britton

"O Luis é um grande amigo meu que pôs as minhas redacções lá no jornal onde trabalhava mas a minha tia Hermengarda diz que não interessa nada ler as minhas redacções que são chatas e ninguém aprende nada com elas mas ela também é muito chata que passa a vida a queixar-se das dores nas cruzes que não sei bem o que é que é mas isso é que acho uma grande chatice com ela sempre aos ais nem sei se ela leu mas também tenho a certeza que não lia as redacções dela se fosse para falar lá nas tais cruzes que doem para caraças não sei porque não as tira das paredes de casa se lhe fazem doer tanto deve ser por ser muito católica e ir todos os domingos à missa ouvir o padre que diz sempre para sermos muito bons e gostar de toda a gente o que é muito difícil que eu não gosto nada da minha professora de português que também passa a vida a chatear-me com as virgulas e os pontos que diz que não sei pôr nas minhas redacções mas o Luis gostava mesmo assim e até as pôs lá no jornal para toda a gente ler ora toma lá que já almoçaste que os seus poemas os jornais não querem que a gente leia porque também devem ser muito chatos e se quer vírgulas e pontos tome lá uns para os espalhar nas minhas redacções,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,......................................
Guidinha"

Bom, OK, este não é um texto escrito por Luis de Sttau Monteiro, nas suas célebres crónicas da Guidinha publicadas no "Diário de Lisboa" entre 1969 e 1970 - segundo informação da Wikipédia. E não é que duvide desse facto, mas suponho que foram editadas mais tarde noutro jornal, porque me lembro de ter lido umas quantas e de constituirem uma risota pegada, pela crítica social e de costumes bastante incisiva que exibiam - do ponto de vista de uma miúda que escrevia conforme falava e da associação de ideias que mantinha ao longo do texto.

Trata-se apenas de um exemplo do estilo de escrita que reinava nessas crónicas, por sinal completamente ignoradas na dita Wiki, que refere que o autor foi advogado durante um curto período de tempo, dedicando-se posteriormente ao jornalismo e à escrita de ficção e de peças teatrais. A Guidinha, coitada, deve ter crescido...

Ah e tal que podia ter procurado melhor e encontrar uma crónica original para demonstrar a dita crítica corrosiva patente? Talvez! Mas fartei-me de ler cópias da Wiki (ou vice-versa?) e desconfiei da credibilidade de outros blogues ou sites. O livro que as compilou está esgotado desde o século passado!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

SUPIMPA

Fotografia de Ian Britton

Consta no dicionário que "supimpa" é palavra de origem brasileira, mas como não tenho malapatas contra acordos ortográficos assinados há quase duas décadas, e os purismos da língua em constante mutação também têm pouco significado no léxico que uso habitualmente, vou descrever alguns que utilizo à "tripa forra" (hummm... esta fica para outra postagem!), com ou sem entradas no calhamaço do século passado:

Berbicacho - dificuldade, embaraço
Bué - muito
Buereré - mais que muito
Chatice - é uma chatice, mas este berbicacho até consta no dito
Epá - que surpresa, pá!
Estucha - chatice (descrito no dicionário como excelente ou estupendo?)
Fartazana - à farta
Fuzué - barulheira, conflito
Giro - Brad Pitt
Mainada - contracção de "mais nada"
Malapata - azarito
Nananinaná - nada disso
- camarada, companheiro, amigo
Quiproquó - engano, equívoco, confusão de palavras (não digam que não avisei!)
Supimpa - muito bom, excelente
Tripa forra - à brava (acho?!)
Xi - credo!

Já o Eça dizia que se algumas palavras não figuravam no dicionário iriam passar a figurar. E com tanto português mal escrito que se lê por aí, em livros (traduções e revisões, mal feitas?), jornais, revistas, blogues, etc. e tal, para que serve tanto fundamentalismo linguístico?!

Escrever ou falar são formas de comunicar! O como é irrelevante, desde que as mensagens sejam compreendidas...

Um dia SUPIMPA para todos!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

CLARO COMO ÁGUA

Não sou adepta de teorias, muito menos do absurdo, mas há que pôr os pontos nos is, para ficar tudo claro como água. Ou crystal clear, que deve ser daí que advém a expressão pouco clara, que talvez devesse ser traduzida por límpido como o cristal ou cristalino como a água. Sim, porque a água não é clara, quando muito é incolor, transparente ou cristalina. Ou lamacenta e poluída, mas aí já não tem a ver com a tradução propriamente dita, mas com rios e riachos em que são despejados produtos tóxicos, ou porque as chuvadas descarregaram terras lá das suas margens. E convém não beber dessa, que dizem que faz mal. Mas quer dizer, hoje em dia tudo faz mal, o que é que sobra? Folhas de alface e frutos, desde que de hortas biológicas, sem utilização de adubos, conservantes e pesticidas. Claro que pode vir lá um bichinho dentro, e aí adeus regime vegetariano, porque ai do bicho que passa pela goela de outro bicho. E quem prova começa a gostar de sair da dieta e não quer outra coisa, mas toda a gente sabe que a carne e o peixe estão a preços proibitivos, pelo menos os de qualidade, que o chicharro ainda é barato e já não é só para o gato. Sim, que os bichanos hoje em dia comem rações caras para xuxu, chicharro é mesmo para humanos, que não queiram ser vegetarianos. Ah, e claro, os produtos biológicos também são ao triplo do preço dos outros, mas isso não interessa nada, se se quiser ter uma vida saudável. Gasta-se no tacho, para não gastar na farmácia como cantava e achava o Solnado. Clarividente, o homem: aquilo deve ser de família! Bom, mas onde é que eu ia? Ah, sim, que se tem de ganhar dinheiro, preferencialmente muito, para sustentar a gulodice de se comer do bom e do melhor, sem dietas, ou em dietas com todos os predicados. Aonde é que isso é possível, se não se quiser adoptar uma vida de lavrador, pescador ou criador de gado (quiçá, tudo em simultâneo)? Simples! Concorre-se ao "melhor emprego do mundo" e vai-se ser zelador de uma ilha australiana durante seis meses, com um opíparo ordenado de 75 mil euros, mais coisa menos coisa. É chato, porque já há muitos concorrentes à função de passear pela ilha, nem se percebe porquê!!! Talvez por as exigências para o cargo serem grandes: é necessário saber falar e escrever em inglês. Com 200 mil candidatos nas primeiras 24 horas, era bom que investigassem bem se realmente todos conseguem articular mais de três frases seguidas. E se, no caso de serem portugueses, traduzem crystal clear por claro como água...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

SMIRT

Smirt é a palavra que os ingleses usam para um novo convívio social: os fumadores que se juntam na rua em torno de um cinzeiro e acabam por meter conversa uns com os outros! Engraçado é que, especialmente nas empresas, conhecem-se colegas de cuja existência nem se suspeitava - cada um enfurnado no seu próprio gabinete, contactando apenas as pessoas com quem trabalha directamente - no Reino Unido como cá. Daí a origem da palavra fazer todo o sentido, numa mistura de smoke com flirt. Curioso ainda é que alguns não fumadores, de vez em quando, também se dirijam ao local, para dois dedos de conversa ou para o perigoso vício de lamber um chupa-chupa... (sabiam que também faz mal aos triglicéridos e coisas desse género?!)

Bom, tinha prometido a mim mesma não voltar ao tema do anti-tabagismo nos próximos meses - escrevi aqui sobre ele - mas já decorreu quase um ano.

Um ano em que se mudaram hábitos: não o de fumar, mas o dos locais que frequentava. Há que séculos que quase todas as sextas-feiras à noite ía com um grupo de amigos beber umas cervejas e petiscar qualquer coisa, enquanto tagarelávamos, a uma pequena cervejaria de bairro. O proprietário acatou a proibição, tivemos pena, mas obviamente deixámos de lá ir. Aliás, em Benfica existia apenas um único bar com etiqueta azul e esse nem tinha petiscos.

No Califa, uma das maiores e conceituadas pastelarias da zona, numa noite em que fui lá comprar tabaco, uma mulher comentava com um dos sócios: "Mas isto está às moscas! Será por causa da nova lei?" E ele, impante, em alto e bom som, suponho que propositadamente para eu ouvir, uma vez que não havia mais ninguém por perto: "Paciência! As pessoas têm de se habituar!" Pensei: "Hummm... este gajo não deve estar a ver bem o filme, que o café ao lado tem a esplanada cheia de gente, apesar do frio!" Até para o tabaquito deixei de ser cliente...

Claro que as "happy hours" de sexta-feira não terminaram, embora a organização já dependa de alguns telefonemas: em casa ou noutros sítios mais permissivos! À conta disso, conhecemos vários outros locais, bem mais aprazíveis (e baratos) do que o antigo poiso.

Para rematar, o Califa esteve fechado para obras durante meses (as "más-línguas" dizem que foi a ASAE, mas disso não tenho a certeza), ao fim de cerca de 40 anos de serviço de restauração. Reabriu na semana passada e, espanto dos espantos, até tem uma esplanadinha cá fora, para os fumadores inveterados... sem lugar vago, no dia em que cusquei, se quiserem saber!
(nem tinham alternativa, que entretanto abriram outros espaços que não discriminam tabagistas...)

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Foto da Kavewall.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

TU CÁ, TU LÁ!

"[...] As mulheres, depois de passarem por aqueles brevíssimos segundos em que são tratadas por 'Menina', passam de imediato - sejam casadas, solteiras, viúvas ou amigadas, sejam velhas ou novas, gordas ou magras, feias ou bonitas, ricas ou pobres - à categoria de 'Senhora Dona'."
Alice Vieira, na crónica "Senhoras donas, por favor!", publicada no Jornal de Notícias de 7 de Outubro de 2008.

A escritora explica, mais adiante, que "[...]uns estranhos ventos sopraram pelas cabeças das gerações mais novas que fizeram o 'Dona' ir pelos ares ou ficar no tinteiro". E, acrescento eu, quando não é o "Dona" a ficar e o "Senhora" a desaparecer. O que tem a sua piada, quando telefonam a perguntar se é de casa da Dona Maria, o que dá logo vontade de responder que já não vivemos em monarquia ou que a coitada da rainha já se finou. Quer dizer, daria, se telefonemas desses não chovessem diariamente.

Prossegue a crónica: "Quando recebo daqueles telefonemas que me querem impingir tudo o que se inventou à face da terra - desde 'produtos' bancários que me garantem vida farta, até prémios que supostamente ganhei por coisas a que nunca concorri - sou logo tratada por 'Senhora Alice'. Respondo sempre: 'Trate-me por tu, se quiser; ou só pelo meu nome, se lhe apetecer; mas nunca por Senhora Alice'."

Ora não podia estar mais de acordo! "Nuestros hermanos" não são dados a tratamentos pomposos e tratam-se todos por tu, sem que isso seja sinónimo de má educação. Aqui, qualquer borra-botas quer usar um título antes do nome, como se ele acrescentasse algo de ilustre à personagem. Assim, o que não falta cá nesta terrinha é gente que se intitula de doutor, engenheiro, etc., etc., sem sequer ter efectuado qualquer licenciatura - e sim, conheço até quem tenha cartões de visita, onde consta a habilitação académica inexistente.

Por outro lado, é necessário dizê-lo, tratar alguém só por Senhora A ou Dona B sempre foi considerado falta de educação. "Essa é a mulher da hortaliça!", costumavam ensinar aos putos antigamente, significando que essas designações só eram usuais em praças e mercados, com o seu linguajar tão próprio...

Fora do exercício da própria profissão, não vejo razão para as pessoas não se tratarem por tu, desde que educada e civilizadamente. Para acabar de uma vez por todas com salamaleques desnecessários!

BOM FIM DE SEMANA!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

MOITA-CARRASCO

Bom, na verdade não sabia a origem da expressão "moita-carrasco", mas sempre a ouvi desde criança.

Assim, lá fiz uma pesquisa na net para tentar localizar a sua proveniência, a pedido de centenas de comentadores... vários... bem, só um! Mas como a curiosidade sobre o linguajar em bom português nunca acaba por estas bandas, meti as mãos no teclado (e no dicionário) e toca a investigar.

Como palavra composta, há que conhecer o significado de cada uma, individualmente:

Moita - mata espessa de plantas de pouca altura; maciço de arbustos.

Carrasco - algoz; verdugo; executor; (em sentido figurado) homem cruel; desumano; tirano.

Crê-se que carrasco começou por ser um apelido, que acabou a ser atribuído aos indivíduos que executavam as penas de morte, devido a um deles usar esse nome.

Assim, a expressão popular de "moita-carrasco" pretende significar um silêncio absoluto ou teimosia em não falar, como podem constatar neste texto*:

"Ora teria sido esta figuração de impenetrabilidade [das moitas] que, há uns séculos atrás, deve ter servido para exemplificar o mutismo a que os carrascos estavam obrigados (há especialistas que explicam esse silêncio como necessário de forma a evitar que alguém pudesse descobrir quem estava debaixo da máscara, que os carrascos usavam durante as execuções)."

As coisas que (agora) eu sei...



... e todos os visitantes deste "canto" também!

*******
* O link do blog citado desapareceu, mas foi escrito por Tinta Permanente.

Fernando: adorei espiolhar estas "origens" e o resultado pareceu-me plausível.
Diferenças de linguagem existem entre norte e sul, mas aqui não é o caso! :)

terça-feira, 3 de junho de 2008

IMPRESSÕES DIGITAIS

Foto daqui.

As palavras são como impressões digitais. Portuguesas ou estrangeiras. Por quem faz gala de utilizar estrangeirismos, palavrões ou calão, já para não referir aquela "escrita sumária" de sms, cada vez mais extensiva a mails ou blogs. E sem sequer entrar em onomatopeias (palavra carota, oriunda da nossa gramática) do TRIM-TRIM do telefone ou do TOC-TOC do bater os nós dos dedos na madeira da porta - convenhamos que ambos os exemplos caíram em desuso... :) (ná, não vou falar de grafismos!)

Fica a 1ª impressão!

As imagens, fotos, músicas, clips, avatars, templates - mais, ou menos, viradas para o próprio umbigo - fornecem a:

2ª impressão!

A organização e a dinâmica de um blog depende da vida pessoal do seu autor: quando encontro um "novo", cheio de speed (chamar-lhe-ia "estrica", mas para não dizerem que invento palavras que não constam no dicionário...), com tudo muito estipuladinho, tipo à 2ª feira posto uma anedota, à 3ª um vídeo, à 4ª uma foto, etc. e tal, percebo logo que não vai bater certo...

3ª impressão!

O tom de brincadeira, agressivo, conflituoso, didáctico, amargurado, opinioso, cultural, saudoso, indignado, noticioso ou poético também é bastante revelador! Enquanto alguns gritam e ameaçam - dignos mentores de uma III, IV e V Guerra Mundial -, outros choram e desabafam, ideias disparatadas e preconceituosas há muitas. Manter o equilíbrio entre o humor, a crítica e a alegria ou a tristeza nem sempre é fácil, mas consegue-se...

4ª impressão!

A mensagem transmitida, para mim, é essencial! Mais do que tudo o resto!!!

Com a 5ª impressão, não vejo a palma da mão nem o destino de ninguém (não uso turbante na cabeça, nem sou ligada à quiromância), mas "adivinho" um pouco vivências semelhantes ou diferentes... As que prefiro, estão conformes e em sintonia com a razão e a emoção do que deve ser dito!

Last but not least (ai, ai, lá tinha de vir a inglesice a servir de muleta), leio muito mais blogs do que aqueles que comento. Para quem tem ideia que o seu blog é só uma converseta privada entre amigos, iluminados, o melhor é privatizar! Quando não, ou apanham uma curiosa, como eu, ou, de vez em quando, têm de se utilizar do balde e da esfregona e limpar as bostas (anónimas ou não) que por lá passam... :D

terça-feira, 6 de maio de 2008

QUAL ACORDO?

Já disse, e repito, que vou continuar a escrever como sempre escrevi!

Mas a verdade é que as línguas vivas estão em constante mutação, nas palavras mais utilizadas vulgarmente, como em todas aquelas que caem em desuso.

Li num jornal, há tantos anos que nem lhe (re)conheço o rasto (dai não saber o autor do artigo), que um dia o Eça foi abordado por um purista da língua, que lhe comunicou que uma determinada palavra, escrita num dos seus livros, não constava no dicionário. Ele riu-se, e acalmou o homem com um "não tem importância, se não consta, vai passar a constar!"

Bom, agora passo à parte difícil: não assino nenhuma petição on line, muito menos se provierem das vertentes Pacheco Pereira, Vasco Graça Moura, Zita Seabra, Lopo Xavier e afins. Não sei se são todos anti-Santana Lopes (o "brilhante" Secretário de Estado da Cultura, que aprovou o acordo há uma catrefa de anos atrás), mas que agora venham todos protestar em sintonia, é um coro que não se aguenta. Duvidoso, até, se não terá uns contornos políticos com outras subtilezas...

Concordo com o acordo? NÃO! Porque os diferentes rumos do linguajar não se alteram por decreto! Nem em Portugal, nem nos outros países lusófonos, francófonos, anglófonos...

Foto de Gustavo_Saulle, na net.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

CENSURAZITA!

Um dia destes comentei num blog uma opinião contrária à do autor, fundamentada, sem palavrões (que não é o meu género) e PUFFFSS... desapareceu! Epá, que giro, censurada na blogosfera???

Claro que cada um faz do seu canto (coral?) o que quiser, se a pretensão é só de elogios e galhardetes, pois, TOU, XIM? NÃO É PRA MIM!

Jornais e revistas cinzentonas (por mais que lhes chamem cor de rosa) é o que não falta neste país, à conta de censuras internas, panelinhas e amizades...

Preocupada com um (alguns) bloguista(s) de lápis azul na mão? Ó-Ó, é para o lado que durmo melhor!... Uuuuuh! (bocejo)... esta conversa em família deu-me sono, vou para o oooooh-ooo.... ZZZZZZZ