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quinta-feira, 22 de agosto de 2013

MAIS DE MEIO SÉCULO DEPOIS!

Na sequência deste post, fica a imagem atual e recente de Vilar de Mouros. Sem novidade, já que as azenhas tinham desaparecido há muito e de ano para ano a ruína do edifício era cada vez mais visível. Não há dúvida que há um Portugal que desapareceu em nome da modernidade e ainda bem que assim é - ficar parado no tempo era alternativa bem pior!

De qualquer das formas, mesmo agora ao olhar para o que resta do edifício, vislumbro um pedaço da história da gente simples que ali trabalhou e viveu, como se aquelas paredes falassem das dificuldades de todo um povo subjugado por uma ditadura, tão comum na Europa do século passado e com ramificações que infelizmente crescem até hoje... 

Mas também é certo que a Natureza vai conquistando espaço, o arvoredo vai ganhando novas dimensões e o rio - de caudal mais exuberante, possivelmente devido às chuvadas deste inverno - continua a correr para o mar. Exigir mais para quê? A paisagem mantém toda a sua beleza natural.

(Obrigada pela foto, cunhadito!)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

ÁGUA É VIDA!

Há verdades inquestionáveis: sem água, ninguém sobrevive! Não foi em vão que ao longo dos tempos as populações se fixassem junto aos rios e, posteriormente, se canalizassem águas para fontes e chafarizes de modo a abastecer os povos locais. Atualmente - em Portugal e no mundo dito civilizado - praticamente toda a gente tem água canalizada na sua própria casa. Se conquista de abril ou ditame do progresso é difícil avaliar. Certo é que quando falta traduz-se num enorme transtorno!

Os recentes temporais determinaram que milhares de pessoas ficassem sem água (e sem eletricidade) durante vários dias, nomeadamente na região centro. A Graça foi uma das "vítimas", mas não foi a única. Ou seja, qualquer coisa que nos poderia acontecer a todos. "E se fosse comigo?" - matutei.  E tanto pensei que resolvi indagar onde me poderia abastecer de água, caso ela faltasse aqui na zona, sabendo de antemão  que mesmo uma falha de poucas horas resulta num açambarcamento de garrafas e garrafões nos estabelecimentos comerciais...

O panorama revelou-se desolador: no chafariz das Águas Boas ou de Santo António da Convalescença, junto a Sete Rios, os únicos resquícios de água são os da chuva. Na colagem fotográfica acima, a foto a preto e branco é do Arquivo Municipal de Lisboa, de 1968, de Armando Serôdio. Mas já houve tempos em que era assim:

(foto de 1967, gentilmente cedida por Luís Miguel Inês, do blogue LMIfotografia)

O chafariz de Benfica está igualmente seco há muitos anos, não tira a sede a ninguém. Adeus à rapaziada insolente, que se banhava no tanque nos dias quentes de verão, entre risotas dos próprios e reprovação de alguns transeuntes. A foto a preto e branco também é do Arquivo Municipal de Lisboa, de 1947, de Fernando Martinez Pozal.  

E a fonte do Calhariz?

Idem. Sem água e sem os habituais frequentadores, normalmente velhotes, que faziam fila e descansavam nos bancos para encher garrafas a garrafões de uma água proveniente da serra de Monsanto, que acreditavam piamente ser mais pura que a das torneiras e contribuir para melhorar a sua saúde. Crendices à parte, dali não sai nem gota e não é por falta de chuva...

O bebedouro mais próximo? Está assim:

Resultado: a minha pesquisa no terreno não me descansou minimamente e ainda me intriga como é que os sem-abrigo têm acesso ao precioso líquido, vital para a sua sobrevivência.

A preocupação só cresceu após ver este vídeo, bastante longo (7 minutos e 56 segundos), e o que os governantes europeus andam a tramar, para enriquecer ainda mais alguns empresários privados:

  .  

D. Maria I é que era denominada louca, mas fez por levar "agoas livres" à população - o fontanário inicial regista a data de construção em 1817.  Então o que serão estes governantes, completamente alucinados pelos lucros de negócios infalíveis, para si e para os seus amigalhaços? Estejamos atentos...