segunda-feira, 30 de julho de 2012

TANTO BATE, ATÉ QUE FURA!


A fotografia não é de agora, mas do "treino" de junho. Mais ou menos como a idealizara, ao verificar o efeito dos salpicos de água e espuma das ondas ao embater nas rochas. Como a máquina não é lá essas coisas e a fotógrafa também não, foram necessárias uma ou duas dezenas de cliques para obter um resultado próximo do pretendido...

Por muita admiração que tenha por fotógrafos profissionais - paparazzi não incluídos! - penso que um fotógrafo amador não depende de uma câmara XPTO, último modelo-não-sei-das-quantas, mas essencialmente da sua vontade e perseverança em conseguir a imagem desejada.

Já têm aí uma máquina, um telelé ou outro equipamento fotográfico à mão que vos permita partilhar uma fotografia? Se não têm, preparem-se! E quem avisa...

domingo, 29 de julho de 2012

VÃO ROUBAR PARA A ESTRADA!

A notícia é do "Diário de Notícias" de junho e refere-se apenas ao primeiro trimestre de 2012: "Via do Infante perdeu 56% do tráfego", após a introdução das portagens.

Já em julho, o "Público" noticiava que o sistema de cobrança das portagens na via do Infante tinha gerado confusão e incompreensão entre os turistas estrangeiros, maioritariamente espanhóis, que nos visitam no verão, como podem ler aqui.

Independentemente de se concordar ou não com as portagens (será que alguém concorda?) numa via rápida que foi construída para tentar aliviar o trânsito da estrada nacional 125 - considerada uma das mais perigosas do país, com múltiplos acidentes mortais todos os anos - não restam dúvidas que o sistema de cobrança eletrónico da via do Infante é simplesmente anedótico, para não dizer aberrante. Para estrangeiros e nacionais!

Senão, vejamos: quem tem via verde (ou um outro dispositivo específico), passa no pórtico eletrónico e depois o pagamento é retirado da sua conta bancária. Mas quem não tem, como faz? O tal sistema regista a matrícula do veículo e depois o condutor tem um prazo de 5 dias úteis para se dirigir aos correios e pagar, mas já acrescidos de "custos administrativos" - quando não, recebe a multa posteriormente, podendo esta atingir os 75 euros...

Acontece que as estações de CTT algarvias têm um horário de funcionamento muito sui generis: umas só estão abertas de manhã, outras fecham às 16 horas e/ou para almoço, suponho que só as das maiores cidades têm um horário completo. Na única onde entrei, a bicha chegava até à porta, com um único funcionário no atendimento ao público. Dei meia volta e saí, que felizmente não ia pagar nenhuma portagem!

Aliás, não faço a menor ideia se a antiga SCUT (Sem Custos para o UTilizador) está muito movimentada ou "às moscas", que ainda não passei por lá. Nem tenho intenção de passar, a não ser no caso de uma eventual urgência. Sovinice?! Nem por isso! Se os governantes decidem ir roubar para a estrada, prefiro seguir por outros caminhos... 

Imagem do "Diário de Notícias", via net.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

NOVO(S) CONVIVA(S)...

Apesar do tempo não estar muito convidativo para prolongadas sessões de mergulhos nas águas do mar (ou da piscina) - acordando meio nublado para ir recuperando algum calor ao longo do dia, mas sem ultrapassar temperaturas amenas - por aqui  não têm faltado novos convivas, bem animados.

O Cookie, o porquinho da Índia da foto, que muitas vezes apelidamos simplesmente de rato, tem sido um deles e feito um enorme sucesso junto da  miuçalha, que o adora de paixão, querendo pegar, afagar ou brincar. O bicho anima-se mais sempre que alguém abre a porta do frigorífico, o que tem um efeito de Pavlov sobre ele - julga que lhe vão dar uma folhinha de alface de guloseima, o que nem sempre é o caso...

Por outro lado, aqui há uns anos seria quase inacreditável verificar a dependência de miúdos e graúdos da net, agora os internautas não prescindem de alguns momentos quase diários na rede. Como nem todos os apartamentos aqui têm acesso, alguns amigos ou vizinhos estivais pedem aos donos da casa se podem vir cá dar uma "voltinha". E vêm! Uma noite destas apareceu aí uma avó com quatro netos, para dois deles conversarem uns minutos com os pais, que vivem nos EUA. Os miúdos já vieram de férias para Portugal há quase um mês, vivem o ano inteiro sem mais família para lá dos pais, obviamente estavam cheios de saudades!

E a agitação da menina de 8 anos, por não conseguir ver o pai do outro lado do skype, devido àquelas incompreensíveis falhas informáticas? O rapaz de 5 estava mais sereno, ouvir a voz paterna chegava-lhe. Mas a questão lá foi solucionada e quando o pai surgiu finalmente no ecrã, a rapariguinha até bateu palmas, emocionada! Claro que a conversa não passou de trivialidades, sobre os banhos de mar e piscina ou a nova bandolete que tinha no cabelo, numa algaraviada  de português e inglês, recheada com uns "I love you" de permeio. E dizia a avó (babada) que, excetuando essa expressão universal, os dois pequenotes só utilizam o português para as mais doces - começando pelos pastéis de nata e as bolas de Berlim e seguindo para colinho, fofinho e outras que tais...

Claro que a menina também brincou um bocadinho com o Cookie, com a felicidade estampada no rosto, agendada que estava uma nova visita para finalmente ver a mãe, nesta facilitada relação virtual entre continentes distantes. Quem diria que o futuro das comunicações passaria por estas nuances?  

BOM FIM DE SEMANA PARA TODOS!
(ou férias, para quem já está ou vai entrar nelas!)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

PODER!

Se houver poder maior ou melhor que este avisem, porque desconheço completamente!
(há quem não pense assim...)

Imagem do facebook, baseada nas personagens de "Peanuts", de Charles Schulz.

terça-feira, 24 de julho de 2012

LOIRO ESCURO?!?

Há muitos anos que uso madeixas, em duas tonalidades: loiro e cor de avelã. Como o cabelo com que nasci é castanho escuro, gosto de ver um contraste um pouco mais claro e sempre dá para disfarçar os poucos brancos. 

Quer dizer... dava! Este ano os brancos têm proliferado - nem me posso queixar muito, que a maior parte dos meus amigos possuem uma coleção muito maior, sendo da mesma idade ou até alguns anos mais novos! - mas a solução deixou de existir. Nada me move contra cabelos brancos, obviamente, mas há uma fase entre a cabeleira escura e a multiplicação dos brancos muito pouco simpática. Ou seja, o cabelo, não é escuro, nem claro, nem grisalho, muito menos quando ainda se tem umas pontas alouradas ou acobreadas das últimas nuances, no Natal passado. Nem consta que as cabeleireiras façam milagres...

Vai daí que a opção, aconselhada por algumas amigas que estão na mesma fase ou já passaram por ela, foi dizer adeus aos reflexos e encontrar um champô colorante que lhe desse um tom uniforme - e não, não quero pintar profissionalmente, por muitas e variadas razões! Como me avisaram que as tonalidades normalmente são (muito) mais escuras do que surgem  nas embalagens ou no respetivo mostruário, escolhi um loiro escuro, embora com algum receio de virar loiraça! 

Reservei a experiência para férias, não fosse dar mau resultado, até porque é suposto o produto desaparecer ao fim de várias lavagens. Com sol, praia e piscina também podiam surgir outros efeitos, porque cada cabeça seu cabelo. OK! A ideia até era champôzar em Lisboa um ou dois dias antes, mas aí o produto alertava para a necessidade de efetuar um teste (para precaver alergias), obrigatoriamente com 48 horas de antecedência. Passado esse prazo, mal tinha assentado bagagens, toca de avançar e experimentar.

Não há dúvida que o tom está mais uniforme, mas loiro escuro?!? Castanho escuro, as always! As nuances desapareceram, mas os brancos estão no mesmo sítio - que o tal de ton sur ton afrancesado, que garantia o seu  cobrimento (que mal que isto soa!),  também deve ser para francês ver. Como portuguesa não vi ou então é o espelho que tem defeito...

Será que se tivesse usado isto, o efeito não era idêntico?


Mas vá que não se perdeu tudo, porque o que não ganhou em cor, ganhou em brilho e textura mais macia e sedosa. O que em tempo de férias soalheiras... também se agradece!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

ONDE O MAR É MAIS AZUL?

Há quem opte por ir para a praia, para o campo, para a vila ou aldeia natal ou conhecer outros locais do país ou do estrangeiro. Ou quem não tenha possibilidade de optar ou prefira mesmo ficar em casa. Seja onde for, uns dias de férias são indispensáveis para recarregar baterias. Para ver o que nos rodeia com outros olhos e descansar! Ou não!

Esclareço desde já que, independentemente de férias, aderi a esta "campanha quadripolar" lançada pela Pólo Norte, no seu blogue, e atempadamente divulgada pelo Carlos Barbosa de Oliveira e pela Briseis. 

Óbvio que uma coisa é abandonar o blogue, outra diferente é manter o ritmo usual - quer na publicação de novos textos, quer nas visitas aos amigos. Mas um tempinho sempre se arranja, se houver vontade e... computador disponível! Sem prejudicar os aprazíveis e múltiplos convites de entrar noutras ondas...

Não há cá posts agendados na bagagem, nem nada disso! Pode ser uma solução, mas não é a minha, que sempre foi a do sabor do momento.

FIQUEM BEM!
(e boas férias para quem também está de férias ou vai em breve!)

§ - escuso de referir que a primeira foto é minha (onde, onde? :))) e a segunda imagem é da autoria da Pólo Norte que lançou a campanha, certo?

domingo, 22 de julho de 2012

MAFALDINHA... NA "MOUCHE"!

Será?!

Imagem do facebook, segundo BD de Quino.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

MOONRISE KINGDOM

A história começa em 1965, quando dois miúdos de 12 anos, tidos como problemáticos, resolvem fugir do ambiente que os rodeia: Sam (Jared Gilman) é órfão e passa as férias escolares num acampamento de escuteiros, enquanto Suzy (Kara Hayward) é a filha mais velha de um casal de advogados, com três irmãos mais novos sempre entretidos nas suas brincadeiras (que não a incluem), que a mãe chama por megafone. Um encontro casual, no ano anterior, proporciona uma troca de correspondência abundante, até decidirem a fuga, detalhada ao pormenor pelo espírito histórico-geográfico de Sam.

Logo de início, o narrador avisa que que dentro de três dias vai haver uma enorme tempestade. Situação que os pré-adolescentes ignoram, a par da restante população da pequena ilha de New Penzance. Mas o primeiro problema dos jovens apaixonados é esse - como escapar numa ilha? A equipa de escuteiros, a polícia e a população local  procura-os, freneticamente, assim que são alertados da fuga...

Um elenco de luxo nesta realização de Wes Anderson, que também assina o argumento conjuntamente com Roman Coppola: Bruce Willis, Edward Norton, Bill Murray, Frances McDormand, Tilda Swinton e Harvey Keitel, como podem ver aqui:


Pontuado com 8.3/10 na IMDB, o filme leva-nos de volta a um passado inocente e sonhador: com ela a carregar os binóculos, os livros, o gato (com as latas de alimentação do bichano) e o gira-discos de um dos irmãos, para ouvirem e dançarem ao som de Françoise Hardy; e ele mapas, bússola, cana de pesca, tenda e tudo o mais que aprendeu na sua experiência de escuteiro...

Uma comédia muito, muito gira!

Imagem de cena do filme, da net.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

PAINEL

Martin Luther King dispensa apresentações. Para homenagear o pastor protestante e ativista político norte-americano - defensor dos direitos dos negros e assassinado em 1968 - um artista construiu este enorme painel, que intitulou "Dream Big".

O painel tinha uma particularidade pouco usual. Alguém sabe qual? E quem é o artista?


ADENDA, a 20 de julho de 2012: pesquisar é fácil, o painel de Martin Luther King foi realizado com 4242 cubos de Rubik, programados via computador, pelo artista americano Pete Fecteau, cujo site podem ver aquiObrigada a todos pela participação e parabéns à Nina, Rosa, Fausto e Rui, que acertaram na "mouche"!

Imagem da net

quarta-feira, 18 de julho de 2012

FACE OFF

Acreditem ou não, o velhinho da foto tem cerca de 20 anos! Trata-se de uma concurso televisivo para maquilhadores de cinema, do canal Syfy (por acaso visto em repetição na SIC Radical), em que em cada episódio vão eliminando um concorrente, por não corresponder ao desafio lançado.

Segundo percebi, em cada sessão têm de criar um monstro, um extra-terrestre ou qualquer outra personagem real ou de ficção, num curto espaço de tempo previamente estipulado, mas desta vez a ideia era envelhecerem três trios de trigémeos idênticos - ainda jovens adultos, como convinha. Assim, os nove concorrentes estavam divididos em três grupos, cabendo a cada um deles envelhecer um dos irmãos/irmãs para 50, 75 ou 100 anos. O que para quem maquilha/cria monstros devia ser canja, certo? Errado!

Na verdade aquilo dá uma trabalheira enorme, porque têm de tirar medidas ao rosto do modelo e fazer um molde, que posteriormente aplicam, delineando os traços e rugas mais marcantes. Mas o mais impressionante foi verificar os resultados nos supostos cotas de 50 anos. Caramba, sendo eles americanos e supostos conhecedores de cinema, Clooney, Pitt ou Cruise, todos eles a rondar essa idade não lhes podiam dar uma pista? Ou Madonna ou Diana Krall, no caso feminino? Está bem que todos eles se maquilham e geralmente com o intuito de parecerem mais novos, mas daí até terem a cara numa rosca debaixo da maquilhagem, vai um grande passo...

A vencedora deste desafio criou o "velhote" de 100 anos da foto, o de 50 parecia o Frankenstein. Já a rapariga negra de meia idade parecia que levava uma caraça colada à cara e a loura que sofria de uma doença cutânea ou alergia grave, tantas eram as manchas... Isto cada um é pró que nasce: se é para criar monstros fantásticos ou ETs tenebrosos, aprofundar alguns traços do rosto e destacar apenas umas rugazitas... não deve ser particularmente estimulante! Mas pronto, escaparam todos por um triz, que a maquilhadora que teve de arrumar o estojo e ir para casa foi a que envelheceu a menina negra para os 100 anos, que essa mais parecia um zombie, eheheh!

E por falar em Diana Krall, sai mais um "clássico" na sua voz melodiosa: 


Imagem da net, do referido concurso "Face Off".

terça-feira, 17 de julho de 2012

O QUE FAZ FALTA...

... é animar a malta!




E quem melhor que Quino, pseudónimo do cartoonista e caricaturista argentino de ascendência espanhola Joaquín Salvador Lavado, conseguiu isso ao longo de várias décadas? Então este grande mestre da BD, completa hoje 80 anos, como podem verificar no seu site aqui.

Como acredito que as homenagens devem ser realizadas em vida, quero agradecer-lhe humildemente pelos muitos momentos de alegria e boa disposição que os seus livros me proporcionaram, levando-me a rir e... a pensar! Especialmente com a Mafaldinha, sem dúvida a sua personagem mais emblemática e contestatária. Bem haja, Quino! (e não, não tenho a pretensão que o ilustre cartoonista passe por aqui, eheheh!)

Imagens de Quino, via facebook ou enviadas pela Maria.
(Obrigada, Maria!)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O FANTÁSTICO HOMEM-ARANHA

Ora aqui está um filme que não será para todos: apenas para quem gosta de BD e do homem-aranha, que a equipa da Marvel criou e publicou a partir de 1962. Há meio século, portanto!

Em miúda li algumas dessas histórias publicadas em Portugal (em desenho, que as coloridas só apareceriam mais tarde), ocasionalmente. Mas longe de conhecer a sequência toda, como os fãs incondicionais. Assim, não me choca por aí além se o filme não reproduz fielmente as revistas originais - a base é a mesma, mais coisa menos coisa, se o resto não corresponde, enfim, podia ser uma nunca lida...

Vi também a versão cinematográfica de 2002, mas o ator Tobey Maguire não me convenceu por aí além no papel de Peter Parker - uma coisa é ser tímido, outra ter um arzinho apatetado! Tanto que já não vi as sequelas 2 e 3, respetivamente de 2004 e 2007. Andrew Garfield  (o nome de "gato" assenta-lhe que nem uma luva!) consegue representar um super-herói adolescente bastante mais credível e condizente com o nosso imaginário.

A chatice de ser baseado num original lido e relido ao longo de 50 anos, é que se perde um pouco a novidade: Peter Parker vive com os tios Ben (Martin Sheen) e May (Sally Field), desde que os pais se ausentaram subitamente e perderam a vida num trágico acidente de avião. O rapaz nunca os esqueceu, sendo agora um adolescente tímido e pouco popular na escola que frequenta. Certo dia encontra uma pasta que pertenceu ao pai, que entre outros objetos tem escondida no forro uma pasta com uma fórmula que lhe parece importante. 

Aí descobre que o seu pai desenvolvia uma pesquisa genética com o dr. Curt Connors (Rhys Ifans) e decide procurá-lo no laboratório onde trabalha, sendo inesperadamente integrado num grupo de estagiários. Para seu espanto, a guia do grupo é Gwen (Emma Stone), sua colega de turma, por quem parece nutrir uma secreta paixão... Durante essa visita, entra sorrateiramente num espaço de acesso limitado, onde pululam aranhas geneticamente modificadas. A picada de uma dessas bichas determina o aparecimento dos seus poderes especiais, que inicialmente não controla.

O filme continua numa série de aventuras, que obviamente não vou revelar, mas deixo o trailer para quem queira espreitar:


Marc Webb realizou esta versão, atualmente pontuada com 7,6/10 na IMDB. Os efeitos especiais, o casting, a fotografia pareceram-me superiores à anterior. Como senão, alguns dos "voos" do homem-aranha sobre Nova Iorque podem provocar vertigens... a quem não as tem! Mesmo sem visionamento em 3D...

Imagem da net.

domingo, 15 de julho de 2012

REINTEGRAÇÃO

Fotografia de Ian Britton

Parabéns, é um menino!” – disse o médico sorridente aos pais da Lurdinhas, que a tinham levado de urgência ao hospital, aflitos, por acreditarem que a filha de 16 anos estava com uma apendicite. A mulher cambaleou e agarrou-se ao braço do marido, enquanto o ouviu pronunciar, quase num sussurro: “Desculpe, senhor doutor, mas está enganado, a nossa filha chama-se Maria de Lurdes...” O médico acenou com a cabeça e atalhou: “Sim! E acabou de ter um rapaz, ainda estão ambos no recobro da sala de partos, mas está tudo bem!” Fez uma pausa e acrescentou: “Daqui a um bocadinho já os chamam para os verem, durante uns breves minutinhos, quando forem transferidos para o quarto e berçário!” Como o casal não retorquiu, deu meia volta e afastou-se, que tinha outros partos a efetuar. Noites de lua cheia, já se sabia que eram assim!

Sentaram-se novamente nas desconfortáveis cadeiras da sala de espera, desorientados, sem coragem sequer para verbalizar os pensamentos que os atingiam à velocidade de um raio. Como é que iam ser agora as suas vidas, num meio tão pequeno, onde toda a gente conhecia a vida de toda a gente, quando a notícia se espalhasse? Na cidade provinciana onde viviam existia uma casta de banidos, com quem ninguém falava, a não ser num eventual atendimento clientelar - mulheres divorciadas, as que trabalhavam no bar noturno, bêbados e mais uns quantos a quem ninguém passava cartão. Definitivamente, Lurdinhas ia entrar diretamente para este grupo e eles com ela. Uma rapariga adolescente e solteira, a ter um filho? Não havia memória de tal ter acontecido entre aqueles com quem conviviam. Dez anos após a revolução de abril e a mentalidade das pessoas da terra pouco ou nada tinha evoluído. Nem a deles, para dizer a verdade...

Apenas tiveram oportunidade de acenar à filha da porta do quarto, pois já passava das duas da manhã e as restantes parturientes estavam a dormir. O neto dormitava serenamente nos braços de uma enfermeira, antes desta o deitar e aconchegar no  respetivo berço. Embora feliz com o nascimento do filho, Lurdinhas também demorou para adormecer. Sabia que para os pais era uma grande desilusão, como para Luis, quando soubesse. Por isso não tinha dito nada a ninguém, durante todos aqueles meses, evitando o desgosto e o receio de propostas de aborto. “Para não estragares a tua vida”, parecia que os estava a ouvir. Eram todos muito católicos, mas às vezes faziam 'vista grossa' nessas questões de princípio, quando lhes tocava por perto. Mas e agora, como iria ser?

A notícia caíu como uma bomba na cidade, logo no dia seguinte: não se falava noutra coisa nos cafés, na rua e em cada esquina, as beatas benziam-se, as más-línguas costumeiras acrescentavam à história dichotes como “aquela sonsa nunca me enganou!” ou “quis apanhar o coitado do rapaz, é o que é!” Nessa mesma tarde, Luis partiu desterrado para casa de uns tios de Braga, por imposição paterna – afinal de contas, também tinha apenas 16 anos. À exceção dos pais e da madrinha - que veio de propósito de Lisboa, assim que soube da novidade – mais nenhum dos amigos de Lurdinhas a visitou no hospital. E foi a madrinha que, mais friamente, apontou uma solução temporária para o problema.  Com as aulas e os exames do 11º ano finalizados, nada impedia Lurdinhas e o bebé de irem passar uma temporada com ela à capital, pelo menos até os ânimos acalmarem. Ela própria tivera de abandonar a sua terra natal em tempos idos, pois a alternativa de ficar acarretava aturar um marido doidivanas, que gastava tudo o que ganhava com as suas múltiplas aventuras e ainda lhe ia à carteira ou à conta bancária, quando o dinheiro faltava.

A família aceitou a oferta, agradecida. Mas a solução temporária tornou-se definitiva, durante os anos seguintes – Lurdinhas conseguiu encontrar um emprego em part-time e continuou a estudar em Lisboa, até acabar o curso universitário. Visitava os pais esporadicamente, mas estes eram mais assíduos nas viagens à capital, para reencontrarem a filha, o neto e aquela boa amiga, que tanto os ajudara.

Lurdinhas criou o rapaz e atualmente trabalha como professora efetiva numa escola lisboeta. Entretanto casou e teve mais duas filhas, vivendo com a família nos arredores da cidade. O filho viajou para Paris, onde realiza um estágio profissional. Este nunca chegou a conhecer o pai biológico, nem Lurdinhas voltou a encontrar Luis...

A 5ª fase da blogagem coletiva promovida pelos blogues da Luma Rosa, da Rute e da Rosélia, na série de "Amor aos Pedaços", desta vez com o tema "Reintegração". A história em si é baseada em factos verídicos, a partir de duas ou três do mesmo género que conheci. Casos mais comuns do que se supõe...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

WHAT A WONDERFUL WORLD

Em tempos que já lá vão, escrevi aqui que a minha música preferida de sempre era esta. E mantenho:


Bem sei que a malta mais musical não consegue eleger uma única música favorita como a melhor de todos os tempos, tal como para mim é difícil escolher o melhor livro ou filme da vida, mas pronto, cada um é como é. Não tendo grande ouvido musical, gosto de quase todos os géneros de música, com algum handicap auditivo para rap, pimbalhadas, folclore, de câmara ou rockalhadas demasiado barulhentas. Mas se há quem goste, quem sou eu para criticar?

Bom, mas estava a contar que tinha escrito isso aqui, sendo a primeira que coloquei do YouTube no Quiproquó, para experimentar, seguindo os ensinamentos do meu filho (então com 15 anos). Obviamente, nunca mais me lembrei do assunto...

Então esta semana, num dia particularmente aziago, uma amiga desses primórdios blogosféricos (e atualmente facebookiana), planta-me esta versão no meu mural, acrescentando: "a tua música preferida vista de uma maneira diferente..."


Escusado será dizer que adorei! Tanto do clip em si, como da lembrança dela. Por vezes são até estes pequenos gestos carinhosos (mesmo que virtuais!), que tornam os nossos dias mais felizes!

Já agora, conseguem escolher a vossa música favorita?

UM MARAVILHOSO FIM DE SEMANA PARA TODOS!
    
Imagem da net, do quadro de Leonid Afremov.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

UM BANCO DE JARDIM...

... traz-me sempre gratas recordações do passado, quando todos tínhamos tempo para nos sentarmos a descansar em plena rua, para observar o que nos rodeava, para pular deles para o chão em voo infantil imaginando conquistar o mundo, para fazer das suas costas o dorso de um cavalo imaginário, para jogar às escondidas, para conversar, namorar... e depois disso, pouco mais! Nunca mais tive "tempo" para me sentar num, para além de breves pausas durante um passeio, para aliviar a fadiga das pernas e pés...

Curiosamente, a imagem de um banco de jardim recorda-me sempre um vizinho já velhote, sentado num dos três bancos bem próximos da porta do prédio onde morava durante horas seguidas, a esculpir figuras em pedaços de madeira com o seu canivete, em gestos lentos mas certeiros, que tanto podiam resultar numa colher de pau (a maioria) como noutra peça mais artística e burilada.

A vizinhança dizia que o homem era um bêbado inveterado, que tinha mau feitio, que não gostava de crianças, para nos afastarmos dele. O que era parcialmente verdade. Certo é que a família o punha a andar para a rua de manhã, porque o apartamento era pequeno e atrapalhava as lides domésticas - onde já se viu um homem enfiado em casa o dia inteiro?! Ele voltava para almoçar, se não se metesse na taberna entretanto,  e depois regressava novamente à rua. Nem sequer havia ainda televisão à tarde, para se entreter...

Ele falava pouco, quase nada até, mas sempre que se sentia incomodado com a presença das crianças por perto, era muito elucidativo, afastando-as com a mão, como quem sacode moscas incómodas. Mas tinha dias em que parecia gostar da nossa presença, a olhar estupefactos para a sua habilidade de "escultor". Como era avô de um amigo nosso, não nos acanhávamos nada de ficar ali plantados a mirar o seu passatempo. A questão era simples: se ele nos "enxotasse", íamos embora; senão, por vezes ficávamos, outras decidíamos por qualquer outra brincadeira.

Também nunca esqueci a alegria do Zé, o nosso amigo, no dia em que o avô lhe ofereceu a peça que estava a esculpir e que todos admirámos (salvo erro, um cavalinho!) - o avô, operário fabril reformado, nunca lhe tinha dado nada, porque nada tinha. Para lá da sua arte, um pouco rudimentar, mas indubitável! Mas aquele presente também significava que, afinal, o homem nem desgostava de nos ver à roda dele...

Hoje em dia seria considerado um artesão e as suas peças vendidas como artesanato. Como os tempos mudam, não é?

quarta-feira, 11 de julho de 2012

LEGENDAS PARA 7 IMAGENS!

A proposta deste desafio foi a seguinte: cada um dar a sua própria interpretação a cada imagem, numa breve legenda. Aqui estão as vossas legendas:


1. Querem sonhar? - Nina
Um livro dá cor aos teus dias - Tons de Azul
Leio a vida a cores - Luisa
Ler é ser mais feliz. - Maria
E ainda dizem que os jovens não lêem! - Graça
ler, dá cor à vida! - Kim
2. Onde estará a minha cabeça?! - Nina
A natureza faz parte de ti - Tons de Azul
Já me esqueci de novo onde deixei a cabeça - Luisa
Que foi que eu fiz? - Maria
Que estou eu a fazer? - Graça
Perdi a cabeça! - Kim
3. O espírito nunca envelhece. - Nina
Eternamente jovem - Tons de Azul
É quase meia noite. Não me posso descuidar com a hora. - Luisa 
Sonho e realidade. - Maria
I feel pretty and witty and gay! (canção do West Side Story) - Graça
espelho meu, espelho meu! - Kim

                                         
4. Estes adultos não têm espelhos em casa?! - Nina
Estas modas dos dias de hoje... - Tons de Azul
Toma, precisas mais dele do que eu. - Luisa
Cada um trabalha com a ferramenta que tem à mão. - Maria
Ai estes homens! - Graça
A insustentável leveza do ser! - Kim
 
5. Não há meios para atingir os fins. - Nina
Os ricos sempre a roubar aos pobres, der por onde der... - Tons de Azul
Há sempre um Chico-esperto que se dá bem - Luisa
Falta de paciência e oportunidade. - Maria
O governo e o povo. - Graça
o rico sempre soube roubar o pobre - Kim

6. Com livros, existem sempre pontes - São
Ler é uma ponte para seguir em frente. - Nina
Os livros abrem-te caminhos - Tons de Azul
Todos temos que aprender o caminho - Luisa
Com um livro tudo é possível. - Maria
Ler? Há coisas mais giras para fazer... - Graça
livro - essa ponte que separa a ignorância - Kim
[adorei a d]o livro que nos ajuda a passar muitos desfiladeiros... e fez-me pensar em determinadas licenciaturas... - Mixtu


7. O mundo nas nossas mãos. - São
O mundo nas nossas mãos.(copiado pela Sãozinha, que não se importará com o plágio:)) - Nina
O mundo está nas tuas mãos - Tons de Azul
Tenho o mundo nas mãos - Luisa
Temos o mundo nas mãos e com elas podemos mudar o mundo. - Maria
Que posso eu fazer por este nosso mundo? - Graça
já foi, o mundo a meus pés! - Kim


Obrigada, SÃO, NINA, TONS DE AZUL, LUISA, MARIA, GRAÇA, KIM e MIXTU pela vossa simpática colaboração!


Imagens do facebook.

terça-feira, 10 de julho de 2012

7 MIL PALAVRAS!

1.
Se uma imagem vale por mil palavras, a matemática é simples: 7 valem por 7 mil! Mas será que todos entendemos cada imagem do mesmo modo? Óbvio que não!

Portanto, a proposta deste desafio é a seguinte: em vez de 7 mil palavras, cada um dar a sua própria interpretação destas imagens, numa breve legenda...

2.
Todas são do facebook, muitas tinham explicações, reflexões, citações ou anedotas ao lado, para que não restassem dúvidas aos "maus" intérpretes, à medida do moralismo, lamechice, sentido de humor ou pretensão cultural individual. Mas precisavam?

3.
Espanejar o nosso cérebro nem sempre é fácil, especialmente quando nos instigam a olhar uma imagem de um certo ponto de vista. Mas há sempre outros.

4.
Claro que os amigos facebookianos (meus ou não!) já as devem ter visto e criado uma certa associação de ideias, pelo que o desafio se torna mais difícil para eles...

5.
Falo por mim, evidentemente!

6.
Desta vez nem dou nenhum palpite, as legendas estão a vosso cargo. E também é escusado tentarem encontrar mensagens políticas buriladas nesta sequência: cada uma "fala" por si, independentemente das restantes...


7.
Para verificar(mos) as diferenças nos olhares e interpretações de cada um, precisamos de legendas, OK? Força aí nesses teclados!

Imagens do facebook.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

A IDADE DO GELO 4: DERIVA CONTINENTAL

Na eterna demanda de esconder a sua bolota de olhos gulosos, Scrat volta a fazer asneira e despoleta a deriva dos continentes. Alheados do que está para vir, o casal de mamutes discorda sobre as "saídas" de Peaches, a filha adolescente, e o tigre dentes de sabre considera com o seu pelo que aguenta qualquer embate, quando é literalmente varrido por um "trenó" desvairado, que transporta nada mais nada menos que a família de Sid, que fica felicíssimo por reencontrar o pai, a mãe, o irmão e até a sua avozinha. Mas a felicidade tem pouca dura, porque afinal a família que o abandonou só lhe veio depositar a avó nas patas - um empecilho para as suas vidas - e parte logo de seguida. Com a desvantagem que a avó parece ser uma preguiça rija, exigente e pouco meiga...

Apesar destes pequenos desentendimentos, tudo acabaria bem e em poucos minutos, se não fosse a tal deriva continental, fantástica e imediata como só em desenhos animados, que separam Manny da família e dos amigos, tendo apenas do seu lado do gelo, dividido pelas forças da Natureza, os fiéis companheiros de sempre: Diego e Sid. Hummm... e a avozinha deste!  

Como todas as tentativas de reaproximação são infrutíferas, ele apenas consegue avisar que vai encontrá-las numa determinada ponte, enquanto partem os três (quer dizer, quatro!) numa aventura em cima de uma placa de gelo, movida a correntes, tornados e outras intempéries. Com um iceberg capitaneado pelo temível gorila capitão Gutt, que os persegue, vingativo, por se terem recusado a juntar-se à tripulação pirata.

E muito mais haveria a contar, mas não se pretende aqui revelar todo o filme, ficando apenas o trailer, para quem queira espreitar:   


Realizado por Steve Martino e Mike Thurmeier, com uma pontuação de 7/10 na IMDB, foi o maior sucesso de bilheteira de cinema e em Portugal na semana passada, apesar de alguns críticos encartados acusarem o filme de ter um argumento básico e de não ser grande novidade em relação aos anteriores. Nem vale a pena contestar! Mas qual é? Óbvio que o filme é para putos e não um monumento à intelectualidade, mas para quem gosta do género... é bem divertido!

ps - foi a primeira vez que vi um filme em 3D, não porque fizesse questão, mas porque só reparei quando comprei os bilhetes; não me fez confusão, só me lembrou aquele antigo brinquedo denominado "view master", apesar dos óculos com óculos; mas são 94 minutos, não 3 horas, como outros...

Imagem da net.

domingo, 8 de julho de 2012

O RETORNO

"Já se foram todos embora. Os meus amigos, os vizinhos, os donos das lojas, o mecânico, o barbeiro, o padre, todos. Nós também já não devíamos cá estar." O narrador é Rui, um adolescente de 15 anos, que viu partir todos, enquanto ele, os pais e a irmã ficaram para trás, em Angola, no decurso de 1975. Mas os tiroteios diários e os relatos das atrocidades perpetradas pelos pretos na população branca acabam por os convencer da urgência da partida. No próprio dia em que a planeiam, um grupo de revoltosos bêbados algema e prende Mário, o pai, por o confundir com o carniceiro de Grafanil. O tio Zé consegue levar a irmã e os sobrinhos ao aeroporto, ainda atarantados com a inesperada prisão, para apanharem o avião para a metrópole. A ponte aérea que trouxe meio milhão de pessoas a Portugal, nesse ano... 

É assim que começa este romance de Dulce Maria Cardoso, que descreve magistralmente um período conturbado da nossa História, vista pelos olhos do adolescente retornado, que não tem para onde ir, acabando por ser alojado num quarto de hotel, com a mãe e a irmã. Um hotel de 5 estrelas, no Estoril, que alberga o triplo dos hóspedes para que tem capacidade. A diretora recebe-os com um longo discurso moralista, afirmando que ainda devem agradecer a Deus a sorte que têm por estarem num hotel de luxo - ao contrário de outros retornados alojados em parques de campismo ou pensões miseráveis - e explica as regras a que têm de se sujeitar, sem  no entanto perder a pose de grande dama. Os meses passam e a inquietação sobre o destino do pai e a revolta com as condições cada vez mais deterioradas dos serviços e instalações do hotel cresce, ao mesmo ritmo que o pouco dinheiro que trouxeram desaparece. Para Rui, as aulas também não correm pelo melhor, com professores preconceituosos, que tratam os alunos vindos das ex-colónias por retornados, sem se darem ao trabalho de decorar os seus nomes. Porém, a irmã, Milucha, tem-se aplicado e consegue boas notas. E a mãe, com aquela doença que a família silencia, volta a ter um dos seus ataques e é ele que tem de fazer de homem da família, para a acalmar, tal como o pai fazia.

Entre recordações de Luanda e dos seus antigos amigos Lee e Gegé, as novas brincadeiras com o Mourita e o Paulo, também eles a viver nas mesmas circunstâncias, o despontar do interesse pelas raparigas, os primeiros encontros sexuais, o dia a dia de todos os companheiros de  percurso - crianças, jovens, adultos e velhos - enfiados no hotel sem conseguir trabalho, ocupando-se a jogar à sueca ou a organizar piquetes para vigiar os contentores onde guardam os parcos haveres que conseguiram trazer de África (repetidamente assaltados ou vandalizados pelos "de cá"), tornam as 267 páginas deste livro num retrato muito próximo da época e da vivência de muitas dessas famílias...

Não sendo propriamente um romance auto-biográfico - Dulce Maria Cardoso nasceu em 1964, em Trás-os-Montes, mas foi viver para Angola ainda em tenra idade, regressando também a Portugal em 1975 - é lícito supor que essa experiência e/ou outras das quais teve conhecimento ao longo desses anos, tenham dado origem a estas páginas. Muito, muito bom! 

CITAÇÕES:
"O aspirador era um dos sonhos de que a mãe nunca se esquecia, nenhuma vizinha tinha ou queria ter um aspirador, vassoura e pá chegam bem para se limpar uma casa, vassoura, pá e uma preta, claro."

"A puta da professora, um dos retornados que responda, como se não tivéssemos nome, como se já não bastasse ter-nos arrumado numa fila só para retornados. A puta a justificar-se, os retornados estão mais atrasados, sim, sim, devemos estar, devemos ter ficado estúpidos como os pretos, e os de cá devem ter aprendido muito depois da merda da revolução, se for como em tudo o resto devem ter tido umas lindas aulas."

"[...] a mãe do vosso pai teve nove filhos, nove bocas para comer e dezoito braços para trabalhar, só se deitava a conta aos braços, que às bocas podia-se roubar quase tudo, umas rodelas de cebola numa côdea de pão calavam os roncos das barrigas. Se o Vitor tivesse ouvido a mãe saberia que nada nem ninguém obriga mais do que a fome e que o pai embarcou no Pátria mais obrigado do que qualquer soldado."

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Desta vez o Clube de Leitura teve um quórum reduzido e nenhum consenso: desde os que acharam "chato", a outra que achou o final despropositado (embora ela própria conheça uma história verídica semelhante) e eu e outra que adorámos. Enfim, há gostos para tudo... e, se calhar, histórias que a maioria dos portugueses ainda prefere ignorar!

O próximo encontro ficou agendado para dia 29 de setembro, com o livro "A Conspiração Contra a América", de Philip Roth

sexta-feira, 6 de julho de 2012

PARA QUE SERVE UMA AGENDA?

Para anotar os compromissos que vão surgindo, aniversários, consultas médicas ou mais qualquer coisinha que tenhamos receio de nos esquecer entretanto, certo?

A apresentação do livro "Contos do Nosso Tempo" já estava agendada para sábado dia 7 de julho, pelas 17 horas, na FNAC do Centro Comercial Colombo, vai para mais de um mês. Até com este simpático convite (posterior), do meu (nosso) amigo Vitor Fernandes (aka, Predatado ou Constantino, na blogosfera), que é um dos autores desta coletânea de contos:

Tudo certo e devidamente anotado, não é que um almoço familiar - sucessivamente adiado à conta dos exames dos "putos" - foi marcado para o mesmo sábado? Não teria grande problema, se fosse em Lisboa. Mas não é! Sem desmerecer o empenho em manter a família unida em alegre convívio, dos 16 aos 87 anos, desta vez preferia passar, como num jogo de poker. Que a vida familiar também não é! Já não tenho tempo, idade ou paciência para amuar com estas combinações de última hora, embora realizadas à minha revelia...

Resta-me, portanto, enviar um abração de parabéns ao Vitor, desejando (a ele e aos restantes autores) um grande sucesso! (o livro, obviamente, vou comprar e ler, mesmo sem os devidos autógrafos!)

BOAS FÉRIAS / BOM FIM DE SEMANA
PARA TODOS!

post-scriptum - não será necessário referir que a segunda imagem  é do Vitor - um dos amigos (quase) virtuais que gosto mais de ler, pois não?

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A CONTAR PELOS DEDOS...

... das mãos e dos pés, ainda faltam tantos dias para as férias chegarem! Claro que junho foi um mês de festas e de santos populares, de caracoladas e de reencontros, de múltiplos e agradáveis passeios aqui pelo burgo, com um brevíssimo treino de dolce fareniente. Tudo jóia... se não fossem as numerosas más notícias e chatices no final do mês - que não me apetece aqui enumerar!

Apesar de nos dois últimos textos ter dado vazão a algumas indignações e irritações, nem por isso considero o blogue como "muro de lamentações". Não é, nem tem pretensões de vir a ser! Mas enquanto conto pelos dedos os dias que faltam para as almejadas férias, penso que o ser humano é um bocado estranho: tem pressa de partir, depois deseja voltar. Como cantava António Variações, "só estou bem, aonde eu não estou..." Ele apelidava essa sensação de ansiedade e de insatisfação, mas facto é que nesta altura do ano quase toda a gente suspira por férias. Não será mais cansaço do ramerrame?

Bom, mas do que sei que vou sentir falta, é das "minhas" musiquinhas, já que os habituais companheiros de férias preferem 'rockalhadas'. Para já não mencionar os gostos musicais da "miudagem", que felizmente ouve o que quer no iPod, sem nos atazanar a cabeça... (e não, não tenho, nem quero ter, os meus ouvidos contendem com auscultadores minúsculos!)

Entretanto, suponho que também não é má ideia ir colocando aqui algumas que oiço sempre com prazer, para um momento ou outro mais calmo, já que no YouTube, facebook e tal também é improvável que oiça. Aliás, a "regra geral" quando estamos todos reunidos na sala, com a televisão normalmente acesa porque alguém quer ver não-sei-o-quê, é os sons das aparelhagens estarem desligados (exceto para auscultadores), como se compreende, e para não virar uma autêntica cacofonia...

Esta ouvi pela primeira vez recentemente e amei, ou não fosse sobre Lisboa, na harmoniosa voz de  Melody Gardot:


As saudades de Lisboa, dos familiares e amigos que ficaram ou partiram para outros locais de veraneio, da casa e tal, só costumam bater lá mais para o final das férias! Mas também batem... sempre!

Colagem de fotografias minhas de Lisboa, em Junho de 2012.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

CURSINHO ACELERADO, HEIN?

A agitação e a indignação, quando se soube que Sócrates tinha terminado o seu curso de engenharia via fax - numa universidade privada que já nem existe - num domingo, foi mais que muita! Certo é que ele tinha sido eleito, democraticamente, por ser líder do PS, não por ser engenheiro. Mas tinha ali um ponto fraco...

Coelho, o atual PM - aquele que se fartou de bradar aos céus e à população em geral que o seu antecessor era um mentiroso (com mais ou menos eufemismos!) - também não se pode gabar de um percurso universitário notório, ponham pilhas daquelas que duram e duram até ele acabar o curso (nem sei de quê, nem interessa nada!), lá para os 37 anos, numa outra universidade privada. E quem escolheu ele como seu braço direito no governo? Miguel Relvas... ministro-adjunto e dos assuntos parlamentares, com um "currículo profissional" certamente invejável, como se pode ler nesta notícia de ontem no jornal "Público".

Bem sei que todos sabem ler (e escrever), mas para resumir o link, os factos falam por si: Relvas andou literalmente a pastar pela universidade Livre (atual Lusíada), privada como convém a quem não obteve notas suficientes para entrar no ensino público, onde foi aprovado numa única cadeira, de Ciência Política e Direito Constitucional, com 10 valores (no ano letivo de 1984/85), no curso de Direito; mudou para o curso de História e, posteriormente, para Relações Internacionais, na mesma universidade, mas não fez mais nenhuma cadeira; em 2006 inscreveu-se na universidade Lusófona, que supostamente apreciou o seu "currículo profissional" de deputado e de secretário de Estado, e num ano terminou o curso de Ciência Política e Relações Internacionais, equivalente a 3 anos e 36 cadeiras. Digam lá se não houve ali um rasgo de génio ou de iluminação?

Para além da saloiice de ele considerar importante ter um passado "universitário", mesmo que assim à songamonga, se isto não é gozar com quem estuda (ou estudou), que ele de viva voz aconselhou a emigrar, não sei o que é...  

Imagem da net.

terça-feira, 3 de julho de 2012

ESGAZEADOS!

Não sei ao certo quando foi decidido que se iam mudar as canalizações de gás para o natural, mas terá sido lá para meados dos anos 90, desfasadamente, por todo o país. Assim, uma chusma de inspetores entrou casa adentro de milhões de pessoas, famílias ou empresas, para verificar canalizações, torneiras e equipamentos, num chumbo quase generalizado - estava quase tudo mal! E a responsabilidade era de cada um adaptar tudo o que considerassem errado, para receber aquela nova maravilha da moderna tecnologia em sua casa ou empresa, por decisão governamental... (não houve cá abébias para alguém dizer que não queria a mudança!)

Segundo apregoavam os governantes e os jornais da época, o gás natural só tinha vantagens. Apesar do ligeiro inconveniente de não ter cheiro, daí qualquer fuga não ser detetável pelos utentes. Não duvido que existissem muitas instalações perigosas nessa primeira triagem, uma vez que uma operação destas nunca tinha sido efetuada. 

Para ultrapassar essa questão de descaso do povo português quanto à própria segurança (e da vizinhança), no final da mesma década saiu uma portaria que tornou as inspeções de gás obrigatórias em todas as novas instalações, de 5 em 5 anos (para os prédios com mais de 20 anos), ou em qualquer remodelação. Esclareço que nem sou contra!

Certo é que não conheço ninguém que tenha "passado" numa dessas inspeções à primeira: segundo estes inspetores novatos, toda a gente corria (e corre) o risco de morrer esgazeado, em casa ou no trabalho! Se só muito raramente acontecia sem inspeção (e nem sequer se está a falar de malucóides a meter a cabeça no forno com intuitos suicidas, para explodirem eles e o prédio inteiro!), o perigo agora é iminente, nem sequer em cada esquina, mas em quase todos os apartamentos visitados. Pior ainda, quando chega o novo inspetor, o que foi exigido na inspeção anterior já não presta, tem de se chamar uma empresa credenciada (e todos sublinham o credenciada!) para executar o serviço. 

Consta (sublinhado meu!) que a empresa despediu um vasto número de empregados, na sequência desta inovação, que se organizaram entre si e formaram pequenas empresas, que a empresa-mãe (chamemos-lhe assim!) certificou. E os antigos colegas fazem o jeitinho de lhes encontrar clientes...

Seja ou não uma "teoria da conspiração" - que odeio, diga-se de passagem! - a dificuldade de aturar estes "doutores do gás", que se trancam na minha cozinha sem serem convidados (lei é lei!), enquanto conversam alegremente ao telemóvel, para depois anunciarem sorridentes que todos os residentes nesta casa estão em risco de vida, porque existem umas falhas não compatíveis com a portaria e fugas suspeitas não sabem exatamente onde, por acaso até me dão energia. Não será a deles... mas temos pena!

Imagem da net.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

I AM SAM - A FORÇA DO AMOR

Sam (Sean Penn) é um homem cujo cérebro estagnou aos 7 anos de idade, que a certa altura tem uma relação com uma sem-abrigo, da qual nasce uma filha, a quem ele dá o nome de Lucy Diamond (Dakota Fanning), em homenagem à canção dos Beatles, do qual é fã. Assim que sai da maternidade, a mulher abandona os dois e ele vê-se com uma criança recém-nascida nos braços, sem saber bem como proceder. Com a ajuda de alguns amigos, também eles com algumas incapacidades mentais, e da sua vizinha Annie (Dianne Wiest) - que se pressupõe sofrer de agorafobia, pois tem medo de sair de casa - vai criando a menina com todo o amor e carinho que lhe consegue dar. 

Contudo, quando Lucy entra na escola, apercebendo-se já da incapacidade paterna, começa a demonstrar algumas dificuldades de aprendizagem, sendo notório para os professores que a aluna não quer aprender para não "ultrapassar" os conhecimentos do pai. Entretanto, devido a uma das suas infantilidades, ele é preso e retiram-lhe a custódia da filha. Instigado pelos amigos, contacta a fria advogada Rita Harrison Williams (Michelle Pfeifer), mas como empregado de mesa da rede "Starbucks", não tem dinheiro suficiente para lhe pagar. Por um acaso, esta acaba por decidir defendê-lo "pro bono" e a luta pela custódia da filha passa para os tribunais...

Se não valesse por mais nada, o filme (de 2001) da realizadora Jessie Nelson valia pelos fabulosos desempenhos de Sean e Michelle. E pela música dos Beatles. E pelo drama enternecedor, que nos toca e comove... mas também nos faz sorrir! Como nesta cena, depois de ir com os amigos comprar uns sapatos para Lucy, saindo de lá todos de balão na mão:

Podem ver o trailer aqui: 


Pontuado com 7.4/10 na IMDB, tem um aspeto ou outro menos apelativo, como o rodopiar da câmara, talvez mais notório por o ter visto no PC - que não gosto, nem costumo, nem foi "sacado", mas através de um site cinematográfico. Gostei muito!

Imagens de cenas do filme da net.

domingo, 1 de julho de 2012

DE INSPIRAÇÃO MEXICANA?!?

Em tempos idos, segui (mais ou menos) uma telenovela mexicana, que era um dramalhão pegado... mas que me fazia rir à gargalhada! Não eram só os atores que pareciam apatetados, o argumento não tinha ponta por onde se lhe pegasse: uma jovem pobre, mas muito trabalhadora e estudiosa, apaixonava-se pelo professor que por acaso era da fina nata da sociedade e rico até mais não, ele por ela, mas depois mete-se pelo meio uma megera que queria casar com o ricaço e a relação complica. Uma amnésia, um paraplégico e, salvo erro, até um ceguinho depois, a rapariga permanentemente chorosa casa com o paraplégico, por julgar ser a sua obrigação moral (ou coisa do género!), por ter sido um soco do namorado que colocou o amigo naquela situação. Mudam de cidade (e de cenários) e vão viver para uma zona rural (que por acaso parecia um estúdio, mas pronto!), metade do elenco desapareceu como por artes mágicas, mas claro que o bonzão do ex-namorado tinha uma fazenda naquela zona, acabam por se encontrar e, ainda por cima, descobrir que o paraplégico só estava a fingir, para casar com ela...

Li agora que essa telenovela, intitulada "Maria José", era um remake de outra chilena, de uns 20 anos antes, que é sempre coisa que me custa a entender - não há ninguém para escrever mais, melhor e com maior atualidade do que aquilo? E as indumentárias e penteados, mesmo há 20 anos, não eram de cair pró lado? 

Julgava já ter visto o pior do que se pode exibir em telenovela (e sim, cenas mais-que-parvas também já vi em brasileiras, até recentemente, mas agora não vem ao caso!), quando ontem tive a ocasião única de perceber que estava redondamente enganada! Com o capítulo final de "Rosa Fogo", transmitido pela SIC. O único que vi, diga-se!

Não conhecendo as personagens ou o enredo, pasmei com várias cenas: numa há um bolo "milagroso" cheio de luz que esvoaça para as mãos de uma fulana e ficam todos muito contentes; noutra, uma mulher grávida que tinha aprisionado um latagão, que afinal conseguiu fugir para se encontrar com a sua amada, consegue algemar esta numa velha casa a que deita fogo, mas, coincidência das coincidências, chegam-lhe as dores de parto e ficam para lá as duas até que o herói de ambas as salva, com uma indolência que não lembra, ela tem o filho logo ali e morre; entretanto, outro mau da fita rapta uma miúda que afinal é filha dele, deixa-a ir embora para depois ir para a campa da mãe desta com insultos e cuspidelas, a menina assiste e insurge-se, chegam lá uns outros "heróis" que dão um tiro nas costas do gajo, este agarra a criança, clímax, um súbito tremor de terra, abre-se uma brecha no chão e o mau... é "engolido"! Quer dizer, parece que é, porque mesmo no final ele volta a aparecer, para vislumbrar de longe o tal casal que está num piquenique (no mesmo local?), com a filha dele e o filho da outra megera, já mais crescidinhos.

Desculpem lá, estes guionistas drogam-se, ou quê?!? Como é que um ator/atriz, por muito bom que seja, pode dar credibilidade a cenas destas? Coitados...

Imagem da net, da telenovela "Maria José", com Cláudia Ramirez e Arturo Peniche.